Arquidiocese de Manaus
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Novo bispo – Artigo de Dom Sergio – Jornal em Tempo 30/11/2019

Foi no dia de Nossa Senhora das Graças que a Arquidiocese de Manaus ganhou o seu novo Arcebispo. Para quem vive a vida numa perspectiva de fé nada acontece por acaso e esta coincidência foi vista por muitos como uma proteção especial da virgem Maria a nossa Igreja, tão mariana nas suas devoções, mas também no seu jeito de ser. Uma Igreja acolhedora, que mostrou isso desde o momento que Dom Leonardo pôs os pés em terra no aeroporto. Uma Igreja que sabe ser agradecida pelos serviços a ela prestados por mim, muito embora eu seja um servo inútil. Nada fiz em comparação com o que recebi em Manaus.

Onde quer que eu estivesse teria tido que enfrentar o Parkinson. Mas o fato é que o enfrentei em Manaus. Sou muito agradecido ao Dr. Takatani e todos os profissionais médicos e paramédicos que me atenderam nos últimos anos. A todos que me ensinaram remédios naturais e tratamentos alternativos. Mas o Parkinson está vencendo a parada e me impossibilita exercer plenamente o meu ministério.

Chegou a hora de parar para poder continuar a servir ao povo de Deus como sacerdote, vivendo uma vida mais simples. Não deixo de ser bispo, só não tenho uma jurisdição. Pretendo permanecer aqui com meus amigos amazonenses, porque foi aqui o meu último porto.

O Santo Padre nomeou um sucessor que traz consigo a experiência de ter vivido com Dom Pedro Casaldaliga, também acometido pelo mesmo mal que eu. Homem experiente nos negócios da Igreja, Dom Leonardo é o homem certo para a hora que a arquidiocese é chamada a protagonizar a implantação das intuições do sínodo da Amazônia. Como Igreja mãe da Amazônia Ocidental, a arquidiocese tem deveres para com as Igrejas do regional. Junto com Belém a outra metrópole amazônica. Manaus deve ser um polo de irradiação e de defesa da ecologia integral proposta pelo Papa. A Igreja necessariamente precisa estar presente nos debates sobre a Amazônia e ocupar o lugar que lhe compete.

Internamente Dom Leonardo é um defensor das comunidades. Fui por ele convidado para presidir a comissão que preparou o texto sobre a renovação das paróquias que passa pela vida de comunidade. Nisto concordamos. Dom Leonardo é um pregador de retiros. Homem de espiritualidade. Precisamos de um bispo que saiba dar as razões da esperança para o povo, que num mundo de superficialidades necessita de conforto espiritual que vá além dos chavões.

O trabalho na CNBB com certeza vai ser de grande valia como experiência administrativa para o novo bispo. Hoje esta área exige muito do bispo, pois as dioceses são como empresas e devem ser administradas com competência e transparência. A judicialização das questões em voga na sociedade de hoje exigem do bispo muita sabedoria no administrar conflitos pessoais.

Mas finalmente, a chegada de um novo bispo é uma ocasião de renovação de nossa pertença a comunhão católica. O papa é quem nomeia o arcebispo, e o papa conhece Manaus. No último Sínodo estiveram em Roma muitos representantes da Igreja de Manaus. Ele se interessou por ela, e com certeza ao ter a terna de nomes na sua frente escolheu quem melhor correspondia ao seu desejo de caminhos novos para a evangelização na Amazônia. Recebemos, portanto, como um dom de Deus, o nosso novo pastor, e a ele prometemos lealdade. Conte conosco Dom Leonardo para o que der e vier.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA ARQUIDIOCESE DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 30.11.2019


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