Arquidiocese de Manaus
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Rádios

No dia sete de novembro se comemora o dia do radialista. Neste dia os responsáveis por mais de duzentas emissoras de ondas médias de todo o Brasil foram a Brasília assinar o aditivo do processo de migração destas emissoras de AM para FM. Foi o segundo grupo de mais de mil emissoras que fizeram e ainda fazem a história do rádio neste país continental. Estas emissoras durante muito tempo exerceram o papel de informar, formar e entreter sobretudo as populações do interior. Ao mesmo tempo que colocavam as pessoas em sintonia com o mundo foram um importante fator na preservação das culturas locais com seus programas que valorizavam os artistas da terra e suas promoções que não deixavam morrer a cultura popular.

Com o advento das FMs esta rádios foram perdendo a concorrência, pois não há como competir em termos de qualidade do som. Quase todas se tornaram inviáveis do ponto de vista financeiro e só muito idealismo fez com que continuassem a operar e a sonhar com uma solução. O governo finalmente se sensibilizou e deu início ao processo de migração. Fui à capital federal participar do evento porque ainda sou o responsável legal pela Rádio Educação Rural de Tefé que é propriedade da Fundação Dom Joaquim. Dom Luís Soares Vieira, meu predecessor estava lá em nome da nossa Rádio Rio Mar.

Foi a primeira vez que entrei no palácio do Planalto, e foi inevitável fazer algumas reflexões. O primeiro grupo de emissoras havia estado naquele lugar alguns meses antes. Na ocasião tínhamos uma presidente, os ministros eram outros, e não pude deixar de constatar como o poder é efêmero e passageiro. Mas o país permanece e a presença de um segmento importante da sociedade brasileira naquele lugar mostra que a história é feita no dia a dia. Os presentes representavam uma multidão de radialistas, técnicos, empresários, jornalistas, pessoal administrativo que durante décadas fizeram com que permanecendo no ar estas rádios colaborassem de maneira fundamental na construção de uma identidade nacional e para o exercício da cidadania.

Governos passam, a nação permanece, e quando os detentores do poder se esquecem disto vem a tragédia do distanciamento entre o poder e a realidade que leva a sensação de impunidade e as maquinações para permanecer no poder corrompendo e sendo corrompido. O papel do estado é o de facilitar e garantir igualdade de direitos e legalidade. Neste ponto estamos bem. Não sei quantos países tem um marco legal para os meios de comunicação. É evidente que ele deve ser atualizado e revisado continuamente, pois nenhum aspecto da vida humana mudou tanto nos últimos tempos. Muitas vezes se disse que os tempos do rádio haviam chegado ao fim. O rádio está mais vivo que nunca. Fica para nós o desafio de fazer um rádio de qualidade.

Um bom caminho é seguir as intuições dos nossos pioneiros, tendo compromisso com a verdade e com direito de todos a informação de qualidade, valorizando as culturas locais sem deixar de lado a cultura universal, sendo sobretudo voz para quem não tem voz, denunciando todo tipo de violência, opressão e descaso em relação aos pequenos. Será esta a colaboração do rádio para um Brasil que merecemos.

 

ARTIGO DE D. SÉRGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL:  EM TEMPO
Data de Publicação: 13.11.2016

 


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