Vida difusiva – Artigo Cardeal Steiner

O Evangelho com quatro frases a nos provocar na Solenidade da Santíssima Trindade. Uma provocação admirável, pois Jesus pede que todos fossem mergulhados na dinâmica: Pai, Filho, Espírito Santo. Todos batizados, purificados, acolhidos, inseridos no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Pai e Filho e Espírito Santo! Não são três nomes apenas, são três pessoas. Em nome das três, nos leva à percepção de que no mover de três, somos movidos. Somos atraídos para dentro do mistério de Três, da Trindade.

É Criador e Pai misericordioso; é Filho unigênito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado por nós; é Espírito Santo que move tudo, o cosmos e a história, até chegar à plenitude do Reino definitivo. O Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito é amor. Deus é todo amor e só amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive em solidão, mas na dinamicidade doadora de três pessoas, um amor difusivo.

É o Pai que ama o Filho e o Espírito, o Espírito que ama o Pai e o Filho, o Filho a amar o Pai e o Espírito. Tudo na liberdade e liberalidade de apenas estar a amar, em sendo amor, sem aperceber-se que ama. O amor gerativo, vai continuamente gerando o Pai, o Filho e o Espírito. E na dinâmica para fora e para dentro ao mesmo tempo, vai criando e recriando todo o universo. Tudo como expansão do amor que gera e cria. 

É nessa dinâmica amorosa que fomos recebidos no batismo: eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Nesse amor nos movemos e somos. Desse amor vivemos, nos restauramos, nos santificamos. Para essa montanha sagrada somos elevados e temos a certeza de que nunca estamos sós.

“Batizando-os em nome” da Trindade: mergulhados na Trindade, inseridos na Trindade, enxertados na Trindade; “estantes” no Pai e no Filho e no Espírito Santo. “Em nome”, das três pessoas, poderia ser no vigor, na força, na confiança, no amor, na receptividade doadora do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Em um único Deus! Recebidos na Comunidade do Amor: o Pai que ama e doa a deidade, o Filho que a recebe do Pai e que a Ele corresponde no amar, e o Espírito Santo que é o Dom do Amor, a força da Vida divina em que vivem o Pai e o Filho, o Sopro que eles respiram. E neles e deles advém o Sopro indelével e sagrado do amor. E no sopro um nome que nos insere na nova comunhão, na nova vida, no mistério de um amor uno e trino: filho, filha no Filho! Amor que é fonte de vida inesgotável, ininterrupta, generosa, refrescante que se entrega e comunica. Amor que é essencialmente comunicação. Sim, na Trindade somos gerados como filhos e filhas, pois filhos, filhas no Filho.

No batismo fomos recebidos na dinâmica trinitária para nascer, crescer e florescer a partir da raiz do mistério trinitário. Comunhão, pois nas nossas rogações e louvações, nossas intempéries e cruzes, nos desalentos e caminhos somos movimentados pelo Pai e pelo Filho e pelo Espírito Santo. Na Trindade é que soam melhor as palavras de envio, o ensinar de Jesus: “Eis que estarei convosco todos os dias” (Mt 28,16-20).

Cardeal Leonardo Steiner
Arcebispo Metropolitano de Manaus

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