Paz do Espírito – Artigo Cardeal Leonardo Steiner

“Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo”. O sopro da vida! O sopro que infunde a vida, o sopro que restaura a vida. O sopro vida da nossa vida; o sopro, o espírito que dá vida à nossa vida. E Jesus a soprar sobre aqueles homens de portas fechadas por medo, envia-lhe o sopro da paz, da liberdade, da libertação. “Recebei o Espírito Santo!”

“Recebei”: entrega, oferta, doação, oferenda. Recebei, acolhei o Espírito. O Espírito Santo que fortalece, faz reviver, que ressuscita mortos, vivifica: Não qualquer espírito foi soprado, mas o Santo. O Espírito santificador, revigorador, transformador. O Espírito Santo, que tudo santifica, fortifica. Sim, a gratuidade do Espírito Santo. O Espírito do Senhor foi derramado em toda sua plenitude sobre a humanidade, em toda a obra criada e sobre todo universo. O universo está pleno do Espírito. Tudo fecundado pelo Espírito, que fecunda e gera. Vida nova, nova força, novo vigor; fomos fecundados pelo Espírito Santo, nele fomos gerados em Cristo.

O movimento do Espírito que se manifesta é forte, vigoroso, impetuoso, mas não destruidor. Vigoroso, forte, impetuoso, pois nada fica fora de seu espírito benfazejo: enche, invade, todos os recantos e cantos existenciais, concedendo as línguas do fogo do amor. O vento, Espírito de Deus, que pairava sobre as águas abismais (Cf. Gn 1,2) a fim de fecundá-las, tornando-as assim, princípio da vida terrestre. O sopro adejado sobre os povos, as estirpes diferentes, e reúne em um único e novo povo, de uma nova nação, sem fronteiras geográficas, sem diferenças de raça ou cultura. O Unificador que concede a diversidade das escutas e a diversidade das linguagens. Mas sempre um e mesmo Espírito; Ele, concedendo inspirações e impulsos, ações, recepções para o bem comum.

Ressoa no Evangelho o dom da reconciliação, do perdão: “A quem perdoardes os pecados…” (Jo 20,23). O Espírito Santo concede a harmonização do existir. O perdão dos pecados é a libertação, pois frutificado na Cruz e agora confirmado pelo Espírito. Nas pregações, nos gestos, nas curas, está presente o perdão. A pregação, os gestos chegam ao cume na Cruz, pois reconciliação com todo o universo. Maior que curar enfermos e paralíticos, maior que ressuscitar mortos, é o perdão, a cura do Espírito, um coração reconciliado, libertado. “Nos atos de perdoar reverbera e repercute a presença de Deus. Em Deus, perdoar não é ato, é ser” (E. Carneiro Leão). Como lembra Papa Francisco: “o nome de Deus é Misericórdia”.

O milagre das línguas a recordar o poder maravilhoso do Espírito-Caridade que reúne, numa identidade comum todos os homens e todas as mulheres, com suas diferenças, sem discriminações étnicas, culturais, religiosas. O amor que produz comunhão, fraternidade! Diferentes línguas e linguagens, mas o mesmo amor iluminador a harmonizar e oferecer ouvidos para o encontro.

A modo de um fogo alastrante e incendiário, as línguas repartidas, o mistério da salvação se difundiu por toda a terra e pregado em todas as línguas. A vinda do Espírito, com seu poder de atração, reúne povos na comunidade universal da caridade, a Igreja. A difusão da centelha divina leva o novo Povo a cantar os louvores de Deus, por toda a face da terra, transformando suas vidas num contínuo hino de bendição. As línguas dos homens, em sua diversidade, iriam se reunir na Identidade e Unidade da Linguagem do Amor jovial, formando um só canto de louvor.

Cardeal Leonardo Steiner

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