Segunda assembleia da Pascom reúne dezenas de agentes para refletir temas importantes e eleger a nova coordenação arquidiocesana

Agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) de diversas paróquias e áreas missionárias estiveram reunidos em assembleia no dia 4 de maio, na Cúria Metropolitana de Manaus, para refletir sobre a atuação da Pascom, sobre Humanizar a Comunicação e o papel do líder em uma pastoral. Para acompanhar esse momento, estiveram presentes a coordenação da Pastoral Arquidiocesana, Pe. Geraldo Bendaham e Ir. Rosanna Marchetti, e os bispos auxiliares Dom Hudson Ribeiro e Dom Zenildo Lima.

Na fala inicial, a então coordenadora da Pascom, Adriana Ribeiro, apresentou a equipe ampliada e relatou um exponencial aumento de equipes de Pascom durante os 6 anos de atuação, estando em 83 paróquias e áreas missionárias, e tendo maior representatividade nesta assembleia, visto que em 2018, na primeira assembleia havia cerca de 25 pessoas e, 6 anos depois, em 2024, o número aumentou para cerca de 100 representantes, o que reflete em um aumento significativo de pascoms, estando em 83 das 94 paróquias e áreas missionárias existentes na arquidiocese.

Dom Hudson Ribeiro, que é bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial da comunicação no Regional Norte 1, em sua fala inicial afirmou que este foi um momento importante de avaliação da caminhada e de esperança por novos tempos com a nova coordenação, que deve nova caminhada, que deve caminhar a partir dos valores do Reino de Deus.

O coordenador da Pascom Brasil, Marcus Tullius, também deixou uma saudação aos presentes por meio de um vídeo “Quando os pasconeiros estão reunidos e unidos é um momento importante, especialmente numa assembleia que tem por finalidade a tomada de decisões e de escolha da coordenação da Pascom na Arquidiocese”, afirmou o coordenador nacional da Pascom, que também encorajou os pasconeiros a viverem esse tempo de sínodo da juventude como tempo de acolhida da graça e dos jovens presentes nas comunidades da Igreja local de Manaus, abrindo as portas para que eles possam servir na Pascom e sejam protagonistas nos processos de comunicação.

Marcus Tullius fez um segundo encorajamento relacionado ao 14º Mutirão de Comunicação (Muticom) que vai acontecer em setembro de 2025, em Manaus, pois será um convite a aprender, a partir da Amazônia, da Querida Amazônia, a vivência do Evangelho. “Esse Evangelho que se encarna na nossa história e nos ajuda a sermos melhores […] Voltamos à Região Norte para sentirmos a força e aprendermos. O Mutirão é um tempo de aprendizado e partilha muito fecundo”, destacou.

Painel para refletir a importante de comunicar para humanizar

Após as falas de abertura, os presentes puderam refletir sobre “Comunicar para Humanizar”, a partir do pontificado do Papa Francisco e os desafios da Comunicação na Igreja, moderado pelo Pe. Geraldo Ferreira Bendaham, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus e membro da Comissão de Comunicação.

A temática “comunicação humanizada”, a partir do que pede o Papa Francisco, foi explanada pelo Pe. Luís Miguel Modino, assessor de comunicação do Regional Norte 1 da CNBB e presidente da Comissão de Comunicação da Arquidiocese de Manaus. Em sua fala, alertou para a importância de promover reflexões e de empenhar-se em passar uma mensagem através do serviço, saindo da sacristia, da igreja, e indo ao encontro das pessoas para conhecer suas histórias e testemunhos de vida que inspiram e transformam vidas, e para isso é necessário escutar o outro. “Nós, comunicadores, devemos dedicar o dobro do tempo a escutar, do que falar. E quando nós não escutamos, a nossa comunicação não é verdadeira e não impacta ninguém”, orientou.

A sabedoria do coração vai nortear a mensagem do Papa Francisco 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 12 de maio de 2024 (https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html). Segundo Pe. Modino, a sabedoria impacta a vida das pessoas, transforma vidas.

“A sabedoria do coração impacta as pessoas. Temos que ser veículos daquilo que mexe com a vida das pessoas, daquilo que transforma a vida das pessoas. Porque o nosso objetivo fundamental, enquanto Pastoral da Comunicação, é evangelizar. Se a gente não tiver como preocupação fundamental evangelizar, que é um chamado da Igreja e de todos os discípulos e discípulas, de todos os batizados e batizadas, não adianta. Evangelizar! E para evangelizar a gente tem que humanizar”, destacou o padre.

Pe. Luis Modino também alertou que a Pascom é uma pastoral da Igreja e é preciso estar em unidade e em comunhão com os bispos e com o Papa, sendo imprescindível respeitar o que nos une e o fundamento da nossa fé. Somos o foco do mundo. O mundo está com os olhos voltados para a Amazônia “Nós somos a voz da nossa área missionária, da nossa paróquia e da nossa arquidiocese. Somos fonte de informação para a nossa igreja e para o mundo. Temos que fazer chegar longe, com conteúdo profundo e com linguagem simples”, explicou Pe. Modino.

A jornalista Lisangela Costa, que é membro da Comissão de Comunicação da Arquidiocese de Manaus, tratou dos desafios da comunicação diante das novas tecnologias. “Um desafio que é extremamente relevante e basilar é termos um pensamento crítico, uma postura crítica frente aquilo que está nos apresentando nesse mundo altamente tecnológico”, destacou Lisangela.

“Nós precisamos nos contaminar dessa consciência de criticidades frente aquilo que nos é apresentado. É preciso estarmos atentos à regulamentação das tecnologias, que têm sido ferramentas que propiciam desinformação […] É preciso atuar de forma ética, porque só assim atuaremos com a sabedoria do coração, que o Papa nos pede” destacou
Lisângela.

Painel para recordar a “História da comunicação na Arquidiocese de Manaus”

A segunda parte contou com o painel “História da comunicação na Arquidiocese de Manaus”, com a moderação do Frei Paulo Xavier. A primeira exposição foi realizada pela irmã Carmelita Conceição, da congregação Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) que ressaltou a importância de trazer memórias para compreender a caminhada. “Contar as histórias, fazem parte da nossa memória. O que hoje nós somos é fruto de algo que aconteceu. A história vai se construindo e, nós que experimentamos, temos muito a partilhar”.

Ela destacou os primeiros passos da Arquidiocese de Manaus, que iniciou em 1997. Recordou a primeira equipe, ainda no governo de Dom Luiz Soares, que incentivou a formação de uma equipe que tinha por integrantes profissionais de comunicação e pessoas interessadas em ajudar. Inicialmente a equipe foi formada por Suely Paiva, Jorge Atlas, Adriana Ribeiro, Irmão Hugo, Irmã Carmelita e os leigos enviados pelas paróquias que carregavam consigo muita vontade de ajudar. “Éramos uma sementinha, com 5 pessoas, que brotou e se tornou uma árvore que já está dando frutos e lançando novas sementes”, concluiu Ir. Carmelita.

O leigo e profissional de Rádio e TV, Jorge Atlas, que teve importante participação nos primeiros anos de caminhada da Pascom, fez um resgate sobre as iniciativas de atividades evangelizadoras na mídia por meio espaço em jornal impresso com artigo semanal do arcebispo e divulgação de notícias importantes da igreja; em rádio através de programas apresentados por padres e leigos; em TV por meio de programas específicos como o Isto é Igreja; além das importantes meios próprios da Igreja como a rádio Rio Mar e os sites da Arquidiocese e da Rádio Rio Mar que oferecem conteúdos ricos e diversificados das ações da igreja.

Dom Hudson fez uma colocação sobre a importância de sempre recordar os esforços realizados por aqueles que iniciaram a caminhada, aprendendo os processos e entendendo a proposta da Igreja que quer comunicar Jesus ao mundo. “Nas assembleias arquidiocesanas sempre apareceram essa discussão da importância da comunicação e da Pastoral da Comunicação na Igreja de Manaus e no Regional. […] Essa perspectiva de fazer memória e atualizar essa memória é prioridade na igreja. E a Pastoral da Comunicação que olha para frente, ela não pode ficar a escravizada numa proposta de novidade e de modismo, de responder aos mesmos apelos, do mesmo modo como muitas vezes mídia procura fazer”

O bispo enfatizou que fazer memória é atualizar o acontecimento de Jesus Cristo. E por isso, é preciso olhar o processo e saber que ninguém está inventando a roda hoje, que teve gente que já caminhou conosco, tem escritos sobre isso de uma caminhada, tem um material, e, portanto, para quem está chegando, a gente não pode perder essa perspectiva de fazer memória. […] o agente da pastoral da comunicação precisa revisitar e reconhecer tudo isso, valorizar as pessoas que estão e estiveram nessa caminhada desde o começo, que ajudaram a plantar esse chão de muitas provocações e que a gente consiga avançar, sem perder aquilo que já se construiu aqui. Por isso, é importante, no processo de formação de Pascom, fazer memória daquilo que a gente já construiu, daquilo que a gente tem. Isso é imprescindível para os novos agentes pastorais. […] Obrigado por vocês estarem conosco e por ajudarem a construir e a sustentar essa memória da igreja, mais do que história”, concluiu Dom Hudson Ribeiro.

Avaliação da caminhada e eleição da nova coordenação

No período da tarde, a atual coordenação apresentou um resumo do que se realizou para expandir a atuação da Pascom, com a criação e formação de grupos nas paróquias e áreas missionárias. A coordenadora, Adriana Ribeiro, apresentou como se está estruturada a Arquidiocese de Manaus, destacando os locais onde existem grupos de Pascom, destacando a importância da formação contínua para melhor servir e o sentimento de pertença para com a igreja de Jesus Cristo, a qual todos devemos servir com amor, superando os desafios que fazem parte da caminhada.

Depois, o vice-coordenador, Edney Manauara, fez uma exposição sobre “Sinodalidade, liderança e organização da Pascom”. Ele explicou que a sinodalidade é caminhar juntos, com Cristo, em direção ao Reino, sendo uma expressão do dinamismo da tradição viva da Igreja. Também apresentou as diretrizes da comunicação resultantes na Assembleia Sinodal Arquidiocesana realizada em 2022, que elenca alguns pontos visando a melhoria nos processos de comunicação e dos meios de comunicação da Arquidiocese de Manaus, gerando consciência crítica nos interlocutores, a partir do conteúdo que tornamos público, fazendo ecoar os clamores de reivindicação em favor da vida a partir das diversas necessidades e realidades existentes.

Em um segundo momento, Edney apresentou os sete tipos de liderança que se pode ter (chefe, de coesão, ditatorial, prática, paternalista, liberal, profética), alertando para os defeitos, como querer estar sempre à frente, reprimindo o surgimento de outras lideranças; impor sua vontade; tomar todas decisões só; anular as iniciativas de integrantes; ser ativista sem tempo de reflexão e oração; gerar dependências; queimar etapas; coloca sua realização pessoal acima do grupo. Ele também destacou as qualidades que o líder deve ter, como o estímulo da participação de todos, partilhando responsabilidade, êxitos e fracassos; escutar sempre e falar na hora certa; manter todos informados sobre o que se passa; perseverar na missão do grupo; promover coesão, união, mesmo com a ausência do líder.

Por fim, Edney apresentou como a Pascom deve estar organizada sendo necessário ter o coordenador(a), vice-coordenador(a), secretário(a), tesoureiro(a), e assessor(a), que a articulação deve ser feita com reuniões periódicas com as representações setoriais, pelo menos a cada dois meses. Finalizou com a exposição dos critérios para a indicação ao serviço da coordenação executiva da Pascom Arquidiocesana, seguindo para o processo de indicação e eleição inicialmente conduzida por padre Geraldo Bendaham.

Padre Geraldo Bendaham, falou sobre a eleição da nova equipe de coordenação arquidiocesana, que vai ficar à frente da Pastoral da Comunicação para os próximos 2 anos, conforme está no Diretório Pastoral da Arquidiocese de Manaus. “Alternância de poder é um exercício democrático, quero dizer, um poder que é serviço e não é remunerado”, destacou o padre que é da coordenação de pastoral da Arquidiocese de Manaus.

Ele apontou que desde o antigo testamento, Moisés já aconselhava a delegar tarefas, sendo uma ação que nos leva à prática da sinodalidade. “Sinodalidade. Sínodo é caminhar juntos, que é uma experiência que acontece desde o início da Igreja […] Fazer essa experiência de caminhar juntos, na Igreja, é fundamental, mas também na sociedade as grandes empresas trabalham assim, sentam e vão escutar o cliente para melhorar o atendimento, o relacionamento, para conhecer o público com quem trabalhar e conhecer as suas necessidades. Na Igreja também temos que escutar, muito mesmo”, afirmou Pe. Geraldo.

Em sua explanação, Pe. Geraldo também apresentou Jesus, como modelo de líder, a quem a nova coordenação da Pascom deve espelhar-se. “Jesus não quis ficar só e escolheu doze, que conhece pelos nomes, e deu a eles tarefas. Isso é muito importante. Ele mostra que não quer trabalhar sozinho, mas conta com a colaboração do grupo [..] Jesus é o modelo do bom pastor”, destacou , seguindo de orientações para a eleição, que aconteceu após a fala de Dom Zenildo.

O bispo auxiliar Zenildo Lima esteve presente no período da tarde e fez uma breve reflexão sobre o que se deseja para bem comunicar, para ter a postura e o conteúdo que apresenta Jesus Cristo e sua proposta de vida para a humanidade. “Uma inspiração para a comunicação, hoje e sempre, é o Concílio Vaticano II e a Gaudium et spes: as alegrias e as esperanças dos homens e das mulheres desse tempo são as alegrias e esperanças dos discípulos missionários de Jesus. Não podemos mais pensar que a Igreja católica pode falar de cima pra baixo. Não se pode mais ter a atitude de quem tem que dizer as coisas ao mundo, como se fosse uma verdade inviolável, pois isto está fora do compasso de um diálogo. Então, hoje, a atitude da Igreja de comunicar tem que ser pensada nas ferramentas que ela tem que são os canais de comunicação. Além da postura, tem o conteúdo que é Jesus, o conteúdo é o reino de Deus, o conteúdo é a vida que Jesus vem oferecer e trazer pra cada homem e cada mulher. E no processo dialogal de uma igreja que aprende a se comunicar com o mundo, apresentar Jesus e a vida de Jesus é muito mais uma dinâmica de persuasão e atração, como diz o Papa Francisco, do que de imposição de uma verdade”, explicou D. Zenildo.

O bispo auxiliar também falou aos presentes sobre a necessidade de mostrar a igreja viva, missionária, que deseja a vida e é irmã da Criação de Deus, e que é necessário rever os espaços nas mídias sociais para saber se a pastoral está no caminho proposto pela igreja.

“Olhar os espaços que ocupamos como Pascom, especialmente os perfis nas redes midiáticas, espremer e ver se sai a pessoa de Jesus, o Reino de Deus, ou se nós reproduzimos ideias e conceitos dos outros que não são aqueles do Evangelho. Eu gosto muito quando as Pastorais de Comunicação das comunidades, com os recursos que elas dispõem, apresentam a vida da comunidade. Hoje, a nossa tarefa na igreja de Manaus que quer ser uma igreja missionária, seguidora da vida, uma igreja irmã da criação, passa muito pela capacidade de dizer ao mundo a Igreja que nós somos, em quem nós acreditamos, que é Jesus Cristo, e o que nós propomos, que é a vida de Jesus e o Reino de Deus e isso implica as pessoas. […] Vocês têm que ser sabedores da fé, sabedores da experiência de Jesus para poder convencer o mundo de que somos alcançados pela pessoa de Jesus”, explicou D. Zenildo.

Finalizou sua fala desejoso de que os agentes presentes e a nova equipe de coordenação empenhem-se em dar continuidade ao importante trabalho de comunicar Jesus e a igreja viva e missionária. “Espero que os que estão aqui (na assembleia) e os que foram eleitos estejam dispostos a continuar essa história da comunicação, apresentada aqui, a continuar os processos de comunicação para a verdade e a paz”, concluiu Dom Zenildo.

Eleição da nova coordenação

Em duas etapas (escrutínio), os presentes indicaram e elegeram os representantes para a nova equipe de coordenação arquidiocesana, sendo eleitos: Bismark Filgueiras, Jorge Atlas, Carlos Alberto, Naine Carvalho e Ana Cristhina. Esta lista dos escolhidos deverá ser apresentada para o bispo responsável pela comunicação da Arquidiocese, o arcebispo Cardeal Leonardo Steiner, e este dará o encaminhamento para a nomeação da nova coordenação arquidiocesana.

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