Liturgia da Paixão recorda a entrega de Cristo na cruz pela remissão dos pecados do mundo por amor à humanidade

No período da tarde da Sexta-Feira da Paixão (29/3), a Arquidiocese de Manaus deu continuidade aos momentos de introspecção, oração, reflexão e reverência ao Cristo que foi imolado, crucificado pelos pecados do mundo. Em várias igrejas as comunidades se reuniram para celebrar a liturgia da Paixão de Cristo e realizar a Via-Sacra. No Santuário Nossa Senhora de Fátima, às 15h, o arcebispo metropolitano de Manaus, Cardeal Leonardo cardeal Steiner, presidiu a Liturgia da Paixão do Senhor. O momento foi marcado pelo silêncio, reflexão, ato de piedade com o rito de adoração e beijo da cruz e, em seguida, saíram em cortejo até a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, na acompanhando a tradicional Procissão do Senhor Morto.

Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo
destruíste a morte que o primeiro pecado transmitiu a todos.
Concede que nos tornemos semelhantes ao teu Filho
e, assim como trouxemos pela natureza
a imagem do homem terreno,
possamos trazer pela graça
a imagem da nova criatura.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém. (Oração inicial)

A Celebração da Paixão de Cristo, iniciou em silêncio e reverência, a procissão de entrada ocorreu sem velas, sem cruz e sem cantos. Os padres presentes e o cardeal Leonardo Steiner prostraram-se diante do altar, e, em seguida, após os sacerdotes se levantarem e se posicionarem no presbitério, iniciou a leitura do livro de Isaías (Is 52,13–53,12), em que o profeta apresenta o Servo Sofredor desfigurado pela dor e sofrimentos, em sua máxima humilhação; descreve a paixão do servo justo e inocente, que morre pelas culpas dos homens, resgatando o pecado de todos e intercedendo em favor dos pecadores.

Também houve o relato da Paixão, com a leitura do Evangelho de João 18,1-19,42, o evangelista João descreve que a cruz é indispensável para a salvação da humanidade pois a cruz é o verdadeiro e definitivo sacrifício pascal e Jesus assumiu a cruz por ser fiel ao Pai e à humanidade a morte, e morte de cruz.

“Iniciamos nossa celebração em silêncio, em silêncio reverente nos ajoelhamos, uma espécie de silêncio-lamento nesta tarde, pois desejamos acolher o mistério de um Deus frágil, cambaleante, sem terra e sem céu. Nos ressoam as palavras do Deus morrente “tudo está consumado” e inclinando a cabeça, entregou o Espírito, e nós todos nos ajoelhamos em silêncio reverente.  Na Sexta-Feira Santa, na Sexta da Paixão, memoramos a vida consumada, levada à plenitude, por incrível que pareça, que na morte tenha chegado à plenitude. Tudo alcançou a sua consumação. Sexta-feira da Paixão nos aproxima uma vez mais do mistério da morte que passa pela injustiça da condenação, pelo sofrimento desmedido, pela dor insuportável, pela solidão cercada de pessoas de intimidade. Nessa contradição, celebramos nesta tarde, no entanto, a cruz que liberta, a cruz que plenifica a vida humana na morte, a cruz que faz desabrochar a vida em plenitude. Uma verdadeira contradição, mas não em Jesus. A liturgia dessa tarde nos mostra a beleza perdida de Deus”, declarou o arcebispo, D. Leonardo Steiner em sua homilia.

“O crucificado, a fragilidade do Gólgota, nos faz ver Deus corpo a corpo, carne e osso, pele a pele, no mistério da encarnação. Ele plantado, pregado, grudado no lenho da Cruz. Vivo morto, mais morto que vivo, pregado pele a pele no lenho da cruz. O crucificado deixa entrever a grandeza de um Deus encarnado, de um Deus encarnado, de um Deus corpo a corpo na nossa humanidade, Deus pele a pele na nossa fragilidade. Mais humano Deus não poderia ser. O nosso Deus é o Deus Crucificado. Talvez por isso a Sexta-Feira Santa nos atrai, por isso nos apaixonamos pela Sexta-feira Santa, porque vemos até Deus sofrer e nos salvar”, afirmou o arcebispo.

O Cardeal ainda insistiu para que toda a humanidade valorize esta entrega amorosa de Jesus pela salvação e que sempre recorde este ato de amor. “O Crucificado seja tudo para nós: início, meio e fim do nosso viver. O princípio da nossa vida deveria ser olhando para o Crucificado: Meu Deus e meu tudo.  É que no Crucificado tudo importa e tudo é suportável. É que o Crucificado é o Deus da gratuidade. É a superação de um Deus símbolo, de uma cruz que apenas enfeita os nossos quartos, os nossos recintos. Não, a cruz não é um enfeite. A cruz é Aquele que vai curando as nossas enfermidades, vai dando sentido às nossas dores. Ele, ferido por causa dos nossos pecados, esmagado por causa dos nossos crimes, é a nossa cura. Uma presença que se recolhe e quase se esconde na celebração desta tarde. Então, deixemo-nos tocar, poderíamos até dizer, deixemo-nos encantar pelo Crucificado. Pelo amor livre e gratuito, sem trocas, desmedido. Um amor consumado e generoso. Um amor que nos redimiu. E então, podemos rezar com as palavras de São Francisco de Assis: ‘Nós vos adoramos, Santíssimos Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as igrejas que estão no mundo inteiro, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo!’ ”, destacou o cardeal.

Em seguida, aconteceu a procissão com a cruz velada, carregada pelo Cardeal que entoou o  canto “Eis o lenho da cruz”, desvelando o Cristo crucificado e depois a cruz foi depositada em uma mesa para ser adorada. O momento foi seguido da comunhão (hóstias consagradas na missa da Santa Ceia), e após houve o ato do beijo e adoração da cruz.

Um dia sem missa

A sexta-feira em que se celebra a Paixão de Cristo é o único dia em que não se celebra missa. As hóstias foram consagradas na Quinta-feira Santa e estas foram distribuídas ao povo presente nesta celebração. Tudo é realizado em silêncio, e o “Pai-Nosso” dá início à liturgia da comunhão, e após a purificação dos objetos litúrgicos, o altar foi desnudado novamente e a celebração foi encerrada com o “Oremos”, sem a bênção final nem envio. Esta celebração faz parte do Tríduo Pascal que encerra na Vigília Pascal, que é a missa realizada na noite do Sábado Santo.

Esta celebração foi transmitida ao vivo pela fanpage da Arquidiocese de Manaus e Rádio Rio Mar e está disponível no link https://www.facebook.com/arquidiocesedemanaus/videos/3726503497594659/

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