Todos, irmãos e irmãs

A quaresma é um convite de deixar-se tomar pela vida plena que Jesus conquistou com sua morte de cruz e com a ressurreição. A vida plena coloca o discípulo missionário, a discípula missionária, num processo de conversão, de transformação. Os exercícios da oração, do jejum e da esmola, abrem dinamicamente a pessoa, a família, a comunidade para o encontro com Jesus que é a plenitude da vida. Oração: o exercício de exposição, de proximidade, no desejo ser atingido pelo Amor que amou primeiro e até o fim. Jejum: o exercício da expropriação, do esvaziamento, na disposição de deixar-se atingir pela graça da liberdade do Reino de Deus. Esmola: o exercício do amor gratuito! Deixar-se tomar pela dinâmica da caridade: “amai-vos como eu vos amei” (Jo 13,34). A quaresma é o movimento de sair, a possibilidade de ser tocado, atraído pela presença do outro, dos necessitados. Participar do amor gratuito!

Na quaresma acompanhamos a Jesus no seu caminho até Jerusalém onde será condenado, crucificado, morto, sepultado e ao terceiro dia ressurgirá. As leituras da celebração eucarística, a oração da Via-Sacra em comunidade, em grupos de família, grupos de rua, a oração em círculos bíblicos, é a possibilidade de perceber o quanto somos amados. Participando da dinâmica quaresmal, percebe-se o reino visibilizado e plenificado em Jesus Ressuscitado.

No caminho quaresmal deste ano somos convidados a refletir, rezar, solidificar a Fraternidade e a Amizade Social, pois “vós sois todos irmãos e irmãs”! A quaresma deste Ano Litúrgico, deseja “despertar para o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social” (CF 2024). A oportunidade de buscar, expressar e visibilizar o “ser irmã e irmão”: todos irmãos e irmãs!

“Hoje temos à nossa frente a grande ocasião de expressar o nosso ser irmãos, de ser outros bons samaritanos que tomam sobre si a dor dos fracassos, em vez de fomentar ódios e ressentimentos. É preciso apenas o desejo gratuito, puro e simples de ser povo, de ser constantes e incansáveis no compromisso de incluir, integrar, levantar quem está caído; embora muitas vezes nos vejamos imersos e condenados a repetir a lógica dos violentos, de quantos nutrem ambições só para si mesmos, espalhando confusão e mentira. Alimentemos o que é bom, e coloquemo-nos ao serviço do bem” (cf. Papa Francisco, FT, nº 78).

Somos convidados a entrar na dinâmica da fraternidade. Nos convertermos à fraternidade! A fraternidade, as relações fraternas, brotam do amor. Como diz São Paulo aos Coríntios: em primeiro lugar está o amor, o amor nunca deve ser colocado em risco, o maior perigo é não amar (cf. 1Cor 13, 1-13).

A fraternidade é possível, a amizade social é necessária. Para os seguidoras e seguidores de Jesus, não existem inimigos, mas irmãos, irmãs. A fraternidade ilumina as diferenças e reconcilia os desencontros, reconstrói o tecido social, inspira harmonia com o meio ambiente. É a fraternidade que vela e cuida do bem comum, da justiça, da solidariedade, da equidade, da casa comum.
Fraternidade é caminho! Abençoado caminho quaresmal!

Cardeal Leonardo Steiner

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