SAL E LUZ – Cardeal Leonardo Steiner

“Vós sois o sal da terra” … “Vós sois a luz do mundo”. Jesus a dizer da necessidade de uma transformação radical do existir. Sal e luz, anunciam o novo céu e a nova terra, onde possa desabrochar, livre de toda a servidão, uma nova felicidade.

Ser sal da terra e luz do mundo: é o chamado à conversão radical, o retorno do coração à fonte do ser, a Deus. Nas palavras de Jesus perceber o desejo de destravar, desvencilhar, o impulso dinâmico do sopro divino, sagrado, criador, iluminador, libertador da vida. Entrar na dinâmica da luz, do sal.

“Vós sois sal”! O sal conserva a comida, protege contra a putrefação, a decomposição. O sal que mantem os nossos alimentos saudáveis. Mas, o sal também destrói por corrosão. O sal corrói o ferro, o metal. Mas o que sobressai no sal é a sua virtude protetora e purificadora, fazendo do sal um condimento fisiologicamente necessário à vida, um remédio, símbolo da incorruptibilidade, de perenidade. E segundo um poeta, o sal a simbolizar o Povo de Israel, e novo Povo de Deus, a Igreja. “Vós sois sal” dito, referido aos hebreus que escutam o ensinamento de Jesus, referido aos que escutam o seu ensinar.

Deixar de ser sal, deixar de ser preservação, condimento fisiologicamente necessário à vida, um remédio, o símbolo da incorruptibilidade, de perenidade, serve para ser dispensado, jogado fora: “Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens”. Tempero de paz, de concórdia, de solidariedade, de samaritanidade. Sal de justiça, de equidade, sal de ânimo, de caminho a ser percorrido, jamais desanimar. Não deixar que a humanidade esteja corrompida.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?” Como o sal pode tornar-se insosso? Segundo uma tradução o sal enlouquecerá. Sim se somos sal e deixamos de ser sal, enlouquecemos, não sabemos mais quem somos, não conservaremos a preciosidade da vida, não preservamos mais a vida na sua totalidade. Se um povo deixar de ser sal, se um povo enlouquecer, perder a razão de existir, de ser, quem executará a sua missão de salvar o mundo?

“Vós sois a luz do mundo”. A luz! A luz se faz mais luz na noite, nas trevas. Na criação Deus concede a luz, tudo fica iluminado. A luz, o conhecimento, a iluminação, como o sopro de vida, o sopro de Deus, o Espírito que paira e ilumina. A sua vibração é criadora, ela traz em si o real que ela forma e esculpe em sua transparência. A luz precede as trevas e as sucede tanto na ordem real quanto na iluminação interior de uma dualidade universal que se exprime desde os primeiros versículos do Gênesis. (cf. A. Charouchi)
A luz simboliza a vida, a salvação e o amor que brotam da fonte única: Deus que é própria Luz. Chamou de ‘luz do mundo’ porque, iluminados por

Ele, verdadeira e eterna Luz, a luz que brilha nas trevas. Jesus é o Sol da Justiça; chama a todos para ser ‘luz do mundo’; pois é por meio de seus irmãos e irmãs que irradia sobre o mundo a luz esplendorosa do próprio conhecimento de Jesus. Afugentar dos corações humanos as trevas do erro, da injustiça, do abandono, do desprezo, do egoísmo, manifestando a luz da verdade, da bondade, da proximidade, da samaritanidade, da cordialidade. Como ensina São Paulo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Ef 5,8). E noutra passagem: “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (1Ts 5,5).

Brilhe a vida e a graça. Seja estancada a escuridão do erro, da violência, da guerra, da degradação, do esquecimento. A esperança a iluminar e temperar nossos dias.

Cardeal Leonardo Steiner
Arcebispo de Manaus

Artigo publicado no Jornal Em Tempo – 11 e 12/2/2023

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