De geração em geração

“O nosso Deus, no seu mistério mais íntimo, não é solidão, mas uma família, dado que tem em si mesmo paternidade, filiação e a essência da família, que é o amor. Este amor, na família divina, é o Espírito Santo. (São João Paulo II)

A essência da família é o amor! O amor não é solidão, mas partilha, bem-querer, entrega, acolhimento, perdão, cuidado, afeto, escuta. Os gestos e as expressões indicam o ir ao encontro do outro, o ser encontrado pela outra pessoa. O amor é conforto, consolo, aconchego, proximidade, sexualidade, intimidade: encontro de pessoas; um tu que encontra o eu; o tu que faz o eu ser! (Martin Buber) A solidão se manifesta quando se perde a amada, o amado, quando se perde a quem se ama, quando se perde um filho, uma filha, a maternidade e a paternidade.

“As tuas mãos são a minha carícia,
o meu despertar diário
amo-te porque tuas mãos
trabalham pela justiça.
Se te amo, é porque és
o meu amor, o meu cúmplice e tudo
e na rua, lado a lado,
somos muito mais que dois.” (Mário Benedetti, Te quiero)

O encontro do tu e eu, gerando o nós; “somos muito mais que dois”. É que o amor é expansivo, fecundo, difusivo. A expansividade do amor gera a família. A essência da família é amor expansivo, difusivo! Uma fecundidade gerativa! De geração em geração: cuidando, transformando, entregando. De geração em geração oferecendo vida! De geração em geração, gerando filhas e filhos de Deus.

A família o primeiro núcleo do humano!

Vale lembrar as palavras de Papa Francisco referindo-se à família: “O amor vivido nas famílias é uma força permanente para a vida da Igreja. O fim unitivo do matrimônio é um apelo constante a crescer e aprofundar este amor. Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Neste amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida. (…) A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos, são apenas alguns dos frutos que tornam única e insubstituível a resposta à vocação da família, tanto para a Igreja como para a sociedade inteira.” (AL, 88)

A importância da família para a sociedade e para a Igreja, faz com que a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) lance todos os anos os subsídios Hora da Família e Hora da Vida. Para o ano de 2022 os subsídios que serão utilizados respectivamente nas Semanas Nacionais da Família, em agosto, e da Vida, em outubro, se encontram em uma única publicação. A Semana Nacional da Família vem com o tema: “Amor familiar, vocação e caminho de santidade”. A família como espaço de santidade, lugar de uma humanidade santificada. Aqueles laços mais íntimos e profundos que remetem a Deus.

Leonardo Steiner
Arcebispo de Manaus

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