Mês para as vocações

“Não foi um ardor medíocre que o jovem revelou; estava como que apaixonado. Enquanto outros se aproximavam de Cristo para o pôr à prova ou para falar das suas doenças, das dos seus pais ou ainda de outras pessoas, ele aproximou-se de Jesus para conversar sobre a vida eterna. O terreno era rico e fértil, mas estava cheio de espinhos prontos para sufocar as sementes (Mt 13,7). Reparai como o jovem estava disposto a obedecer aos mandamentos: que devo fazer para alcançar a vida eterna?” (São João Crisóstomo, Homilia 63)
Todo ser humano carrega em si um sonho, o desejo de uma vida, chegar à plenitude. Toda pessoa é chamada à plenificação, à maturação da existência. Realizar-se profissionalmente, realizar-se como pai, como mãe, como religiosa/religioso, como presbítero, pessoa consagrada. Pessoas que se realizam ao estar a serviço dos pobres, a serviço da arte, a serviço da cultura, a serviço dos povos originários. Pessoas que se sentem realizadas, anunciando e testemunhando o Evangelho de Jesus. Tantos modos de viver e tantas possibilidades para ser uma pessoa plenificada.
Agosto, mês vocacional; mês para vislumbrar a beleza e grandeza da vocação na Igreja. O tema escolhido para acompanhar nas reflexões, orações e celebrações soa: “Cristo Vive! Somos suas testemunhas” e tem como lema: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18).
Todos chamados/as ao seguimento de Jesus: “Vem e segue-me!” Chamados para seguir a Jesus de diferentes modos e meios. Seguimento, pois todo batizado é chamado e enviado!
Deus escolheu e chama a cada um para que, estando ao seu serviço, o bem aconteça. Toda a pessoa é uma vocacionada, por isso, deve se perguntar: qual o meu lugar social e eclesial. Deus concede a graça da vida, para que cada um contribua para que o mundo, a humanidade seja melhor, a vida tenha mais qualidade, mais plenitude, não somente para poucos, mas para todos. Vocacionados/as para que a presença da Igreja seja mais fecunda e possibilite a santificação, transformação de todos.
Na vocação não há mérito pessoal porque todas são iniciativa, graça e dom de Deus. A própria palavra vocação conota o ser chamado, vocado. Na vocação se é escolhido/a. Ela é um chamado divino. A cada voca-cionado cabe uma resposta em aceitar ou não, em dizer sim ou não a aquele que escolhe e chama.
A vocação é mais que um ardor medíocre, passageiro, virtual. A vocação um apaixonar-se, uma entrega, uma liberdade, uma prontidão de sempre recomeçar. A percepção que nessa vocação está a realização, a possibilidade de uma vida em plenitude que desperta a alegria de viver. Todos os empecilhos, espinhos, confrontações, são sempre apenas para a confirmação da possibilidade de maturação e plenitude de vida na vocação recebida.
Neste mês recordamos de modo especial o ministério ordenado (diáconos, padres e bispos), o matrimônio, a vida consagrada (religiosas e religiosos), consagrados e consagradas seculares. Vocações que testemunham a Jesus e sua vida na sociedade e ajudam na edificação da Igreja, o Reino de Deus.
A grandeza de viver o Evangelho de modos diferentes, mas que é sempre um deixar tudo, um caminho de liberdade, gratuidade. A vida familiar pede gratuidade, a vida presbiteral pede gratuidade, a vida religiosa pede gratuidade; o ser cristão, o crístico acontece na gratuidade! Em cada uma das vocações vamos percebendo sempre mais o convite de Jesus: Vai vende tudo o que tens e depois vem e segue-me!
Deixar o mundo de si mesmo e estar aberto para viver a vocação recebida. Jesus não se impõe, não oprime, apenas convida, atrai, insiste suavemente.

Leonardo Steiner
Arcebispo de Manaus

*Artigo Publicado no Jornal Em Tempo – 6 e 7/8/2022

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