Pai!

“Jesus estava orando em certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: Senhor, ensina-nos a orar, como também, João ensinou a seus discípulos. Ele respondeu: Quando orardes, dizei: Pai.” (LC 11,1-2)
Jesus ensina a orar: “dizei: Pai”! É a oração que se tornou a oração dos discípulos, dos seguidores e seguidoras de Jesus, das comunidades, a oração da Igreja. Nela aprendemos a nos relacionar com Deus, nosso Pai ou como dizia Clemente de Alexandria, mais semelhante a uma mãe. Um diálogo de um filho, de uma filha com o Pai.
Ao dizer Pai em aramaico, Jesus diz Abba, isto é, papai. Santo Agostinho afirmava: quanta graça encera essa primeira palavra. Nela ressoa a gratuidade e a graciosidade da benevolência de Deus, o Criador, o Gerador, Cuidador, Servidor dos homens: filhas e filhos. Em virtude da graça de Cristo, passamos de servos a filhos, recebendo Dele o espírito da filiação, o Espírito Santo, que nos permite poder clamar a Deus, invocando-o assim: Abba!, Pai!, Paizinho! “Papa!” Ele é o papá a quem amo, a quem confio, a quem recorro, com quem partilho a vida! Não é distante, inacessível, indiferente. Uma relação filial de proximidade, de intimidade como a criança que confia e se aproximar da mãe, do pai.
Pai nosso: a oração a recordar que todos são filhas e filhos do mesmo Pai. A mesma filiação, a mesma pertença, a mesma ancestralidade! Nos corações a correr a seiva divina de filhas e filhos. Nosso, porque a Ele referidos, dele nascidos, dele gerados e no irmão Jesus, redimidos, no Espírito Santo santificados.
Sentir-se filho, filha, de Deus que é Pai, significa e implica reconhecer a fraternidade, a familiaridade que irmana a uma imensidão de irmãs e de irmãos. Dizer a Deus Pai, implica sair do individualismo que aliena, superar as divisões, eliminar as barreiras que impedem de amar e de ser solidários com os mais necessitados: todos filhos e filhas do mesmo Pai. Desta forma, Cristo convida a superar a violência, a agressividade, a separação, a morte, a assumirmos, na relação e no diálogo com Deus, o ser da mesma pertença filial. Nesse viver os inimigos desaparecem, emergem irmãos, irmãs!
A relação da criança que, com simplicidade e alegria, se entrega confiadamente nas mãos do pai, acolhe naturalmente a sua ternura e o seu amor e aceita a proposta de intimidade e de comunhão que essa relação pai/filho, pai/filha implica. É um convite a assumirmos que formamos uma comunhão de vida, que nasce do cuidado e do amor do Pai de Jesus Cristo.
Nas aflições, nas alegrias, nas desesperanças, nos desencantos, nos encantamentos, nos amores e desamores, digamos Pai. Mas especialmente digamos Pai no silêncio, quando na nossa intimidade se fizer noite, solidão. É que na solidão podemos estar com Ele que é tudo para nós. Em todos os instantes, momentos, todos os dias, todos os anos, sempre e sempre de novo, digamos Pai! Pai nosso, santificado seja o teu nome! Santificados no teu nome, no teu amor.

Leonardo Steiner
Arcebispo de Manaus

*Publicado no Jornal Em Tempo – 23 e 24/7/2022

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