Arquidiocese de Manaus

Fiéis celebram nascimento de Jesus em missa na Catedral Metropolitana

Na manhã do dia 25 de dezembro, católicos estiveram presentes na Catedral Metropolitana de Manaus Nossa Senhora da Conceição para celebrar o nascimento de Jesus duranta a missa do Natal do Senhor, presidida pelo arcebispo Dom Leonardo Steiner, que durante a homilia refletiu sobre Jesus enquanto Palavra de Deus que se encarnou, Palavra que se tornou palpável, visível e audível e habitou no meio de nós para mostrar o amor  de Deus.

Confira a homilia proferida pelo arcebispo: 

Queridos irmãos, queridas irmãs,

No princípio, era a palavra e a palavra estava com Deus e a palavra era Deus. E o verbo se fez carne e veio habitar entre nós.

A palavra princípio, a palavra início. A palavra inicial, a que deu início a tudo. Aquela palavra do pai. Essa palavra veio habitar no meio de nós, se fez nossa palavra. Fez da nossa tenda a sua tenda da nossa humanidade, fragilidade a sua casa.

Como nos dizia a carta aos hebreus, muitas vezes e de muitos modos, falou Deus, outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nesses dias, ele nos falou por meio do filho, o filho que se tornou palavra.

Deus insistente, apaixonadamente nos busca. Buscou pela manifestação dos anjos, pela vida dos patriarcas, na voz dos profetas. Mas não resistindo ao desejo de falar ao coração do homem, fala-nos pelo filho.

Deus fez-se palavra. O próprio filho é a palavra logos. “A palavra eterna fez-se pequena, tão pequena, que cabe numa manjedoura. Fez-se criança para que a palavra possa ser compreendida por nós”, recordava Papa Bento XVI.

Desde então, a palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz. Agora, a palavra tem um rosto que, por isso mesmo, podemos ver: Jesus, a criança de Belém, o homem de Nazaré.

Tornou-se tão palpável, tão visível, tão audível, que já não falo mais profetas, mas o filho como nosso filho. Uma criança envolta em faixas, deitada numa manjedoura, é a palavra eterna, criadora e salvadoras.

Palavra geradora de todas as coisas, feita carne da nossa carne, sangue do nosso sangue, osso dos nossos ossos, mas nós, Deus não poderia ser.  Ele fez-se palavra encarnada, dada, doada, cordial, gratuita, entrega de amor. Manifestou-se no silêncio da noite, a fala de Deus. Recolhimento, acolhimento, aceitação. Revelação da gratuidade e cordialidade, redenção, salvação, vida nova, transformação, porque a palavra cria e recria tudo.

Verdadeiramente, a palavra carne da nossa carne, osso dos nossos ossos, sangue do nosso sangue, é um amor livre e gratuito no meio de nós. É a palavra do pai que está conosco e armou a sua tenda no meio de nós. Mas esta palavra que sustenta todo o universo.

Irmãos, irmãs, esta é a palavra que está no início. No início, ela que abre, dá início, é o primeiro. É o princípio, eu começo e o fim, o alfa e o ômega. Ela funda e fundamenta tudo. Ela que desperta, irradia ela, ilumina ela é a nossa luz. Cria todas as coisas. É sentido de tudo, da vida e da morte da nossa vida e missão. Razão da nossa esperança, da nossa samaritanidade, da nossa misericórdia. É a medida da nossa justiça, é a nossa solidariedade.

Da vida das nossas comunidades, é o existir da nossa igreja: Ele palavra. É ela que abre um novo céu e uma nova terra. Ela é o nosso céu e a nossa Terra. Ela é inauguração de um novo tempo sem tempo para além de todos os tempos, o reino novo, instaurado por Jesus.

Reino da verdade e da graça. Existe alguém ou algo que a palavra não traga luz? Não sustente, não dê sentido conceda horizonte?

A segunda leitura é a iluminar a grandeza da palavra que é Jesus, pois ele outrora falou pelos profetas. Não estremece, não é invadido de Santo temor e tremor o nosso coração diante da grandeza, simplicidade e candura da palavra?

Tinha razão, são Gregório de Nazianzeno ao dizer: depois daquela tênue luz do precursor, veio a luz claríssima de Cristo. Depois da voz, veio a palavra. Depois do amigo, veio esposo.

Uma palavra tão audível, dizível visível, próxima, tão audiente, tão convincente que pede de nós acolhimento, recolhimento. Encarnar, visibilizar a palavra, porque ela se fez carne e veio habitar entre nós. Ela continua a ser carne na carne sofredora de Jesus. Ela se encarna na palavra escuta, na palavra silêncio, na palavra consolo, na palavra prece, na palavra partilha, na palavra consorte, na palavra amorosa, na palavra samaritana.

Ela se encarna na palavra gesto, no pão repartido, no alimento oferecido, na alma revestida, na nudez provida. Ela se encarna e vai se encarnando como presença de Deus no meio de nós, também no perdão, na reconciliação.

Se a palavra está no princípio, ao princípio principiar, começamos a desconfiar que Deus está presente onde pensamos que esteja ausente. Ele está no visitante indiscreto, muitas vezes irreconhecível que caminha pelas nossas cidades, pelos nossos bairros, presente nas nossas cadeias, dormindo nas nossas praças, batendo às portas das nossas casas. Presente nos assassinos e nós imaginamos que não esteja presente nos assassinos, presente nos grupos armados nas facções, presente nos traficantes, e achamos que não está, mas no filho que nos foi dado está.

Deus presente nas realidades humanas mais deprimentes, mais desconcertantes. A palavra Jesus, o nascido de Maria, Deus encarnado, a indicar que tudo foi feito para o nosso bem e é que é nossa missão levar a paz a concórdia, a fraternidade, pois todos se tornaram na palavra, filhos e filhas de Deus.

Somos, no nascer de Jesus, a reafirmação. A todos deu capacidade de se tornarem filhos de Deus. Igualmente ele veio para iluminar todo o ser humano. Deus não desiste de nós. Deus não desiste de nenhum de Nós. Por mais distante que sejamos, por mais pecadores que sejamos, mesmo por sermos direcionados pela maldade, Deus nos busca, busca sempre e por isso nasceu.

A palavra desejada que, também nós, nela nós também nascemos. A palavra criança que veio ao nosso encontro para nos tornar protagonistas da vida que nos rodeia. Ela pede que sejamos também nós palavra.

Nela, não tenhamos medo de tomar nos braços, levantar e abraçar o sedento, o forasteiro, o nu, o doente, o preso.

A palavra nos convida a cuidar da Esperança. Convida-nos a permanecer com nossas portas abertas diante de tantas portas fechadas, especialmente do perdão. Ela nos impele a sermos protagonistas da hospitalidade.

Comovidos pelo dom que hoje recebemos, nós vos pedimos palavra pequenina, criança de Belém. Que vosso choro nos desperte da nossa indiferença, abre os olhos perante a quem sofre. A vossa ternura desperte a nossa sensibilidade e nos faça sentir convidados a reconhecer-vos em todos aqueles que chegam às nossas cidades, as nossas histórias, as nossas vidas, são tu.

Que a vossa ternura revolucionária nos persuada a sentirmos convidados a cuidar da Esperança, da ternura, das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo.

Hoje, como não agradecer por tantas palavras, a mostrar a palavra que se fez carne: Jesus? Especialmente no tempo da pandemia, quantas palavras, quantos gestos palavras, quantos encontros, palavras sem palavra.

Quantos irmãos e irmãs, sem olhar a quem, sem distinguir raça, cor, religião, povo, apenas foi palavra. Cestas básicas, material de higiene, comida, água, vestes, abrigo. Como conforta, eleva perceber que a palavra não se encarnou em vão.

Aquele que é o princípio de todo o universo, por quem e para quem foram criados o céu e a terra. A palavra Jesus, continua a impulsionar os nossos dias, as nossas famílias, as nossas comunidades, os nossos ministérios, as nossas vocações, a nossa fraternidade, toda a nossa humanidade. Talvez por isso mesmo, na primeira leitura, o profeta admirado proclamava como são belos os pés de quem anuncia e prega a paz.

A palavra paz. Paz, palavra de quem anuncia e prega a salvação e diz a Sião: Reina o teu Deus. A presença Graciosa e transformadora de Jesus, a palavra da vida e da luz da nossa humanidade abrindo nossos corações, mas também abrindo as nossas mãos. Gratidão pela gratuidade da Palavra que nos faz também anúncio presença, consolo, vida, alimento.

Tu palavra, princípio, fonte, vida do universo. Tu, palavra criadora, geradora de todas as coisas. Tu a habitar na nossa Terra. Tu palavra feita nossa humanidade, tu palavra nossa tenda e guarida. Tu palavra viva, de vida, vida da nossa. Tu palavra luz, que ilumine e clareia. Tu palavra, luz na dor, no sofrimento, na solidão, na morte. Tu, palavra acolhedora, desejosa de acolhida. Tem palavra visibilização do Pai e do Espírito. Tu palavra nossa Esperança como um porvir.

Senhor, concede-nos a graça da palavra. Tu palavra que criaste o céu e a Terra. Ressoe a palavra do amor que se expande desde toda a eternidade em cada um de nós, no meio de nós, e assim possamos acolher e recolher como dom o Senhor Palavra que vem e deseja morar em cada um de nós. Amém.



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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