Arquidiocese de Manaus

NOVOS CAMINHOS – Artigo Dom Leonardo Steiner – Jornal Em Tempo – 25 e 26.09.2021

Aconteceu a 48ª Assembleia do Regional Norte I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB nos dias 20 a 23 deste mês. Contou com a presença dos coordenadores de Pastoral das Dioceses e Prelazias, dos representantes das pastorais e dos bispos. Um número reduzido de participantes diante das Assembleias anteriores celebradas.

As contribuições das igrejas locais enviadas antes da Assembleia, o estudo das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2019-2023, as indicações do Sínodo para a Amazônia de Papa Francisco e a caminhada da Igreja na Amazônia conduziram para a aprovação das linhas para a ação evangelizadora: A Evangelização na Amazônia.

  1. Igreja Discípula Missionária – A opção pelas comunidades como comunidades eclesiais missionárias das periferias, das comunidades ribeirinhas, das comunidades indígenas, das comunidades quilombolas, das comunidades do centro da cidade; cada uma com sua especificidade. Articular sempre melhor a ação missionária através do COMIRE, COMIDIS, COMIPAS. Dinamizar a ministerialidade, valorizando as lideranças das comunidades locais. Propor a nova figura ministerial: “um ministério conferido pelo bispo aos cristãos leigos e leigas, com mandato oficial e reconhecimento nas instâncias locais, para exercer serviços da Celebração da Palavra, ao serviço à Eucaristia, de introduzir os irmãos e irmãs na fé, de administrar o Batismo, testemunha qualificada do Matrimônio, de responder oficialmente pela comunidade, e ainda outras atribuições de acordo com a realidade da comunidade”. Conferir o ministério de catequista e instituir o ministério do missionário, da missionária.
  2. Igreja Discípula da Palavra – A Igreja que anuncia a Palavra se faz ouvinte da riqueza cultural dos povos da Amazônia e da cultura do mundo urbano. Por isso, na Iniciação à Vida Cristã levar em consideração as culturas com seus ritos; estabelecer espaços de diálogo recíproco para aprender com a cultura dos povos originários. Nesse sentido, oferecer a tradução da Palavra de Deus nas diversas línguas. A Palavra é comunicação. Realizar uma comunicação cuidadosa na proclamação da Palavra na ação litúrgica e incentivar a Leitura Orante. A assembleia também sugeriu que se ofereça dinâmicas de estudo da Palavra de Deus para as comunidades e famílias.
  3. Igreja Servidora e Salvadora da Vida – assumir o compromisso com causas comuns e priorizar na tarefa evangelizadora: crianças, jovens e mulheres. Nesse sentido uma evangelização servidora dos povos indígenas, populações ribeirinhas, migrantes, vítimas de abuso e exploração sexual e do tráfico de pessoas. A busca da superação das violências: feminicídio, extermínio da juventude, violência institucional, do tráfico de drogas.
  4. Igreja Irmã da Criação – “O cuidado com a casa comum exige das nossas igrejas resposta que: implique na transversalidade da questão sócio ambiental como paradigma em toda a ação evangelizadora, e com particular insistência na Liturgia e Catequese; assuma a mística do cuidado, defesa e proteção desta casa comum: terra, territórios, água, povos, pessoas; articule a implantação da “Pastoral da Ecologia Integral”; faça chegar às comunidades o pensamento da Igreja (Laudato Si, Querida Amazônia) sobre as questões ambientais por meio de subsídios populares.”
  5. Igreja Celebrante e Contemplativa – Garantir a Eucaristia na vida das comunidades, fonte da espiritualidade cristã juntamente com a Palavra de Deus; os novos ministérios serem incorporados numa dinâmica eucarística de Igreja Corpo de Cristo; escutar atentamente os valores dos povos da Amazônia quanto às questões de espiritualidade e integrando-os; a Celebração da Palavra de Deus integre a religiosidade das comunidades e expresse no rito gestos significativos da comunidade eclesial.

Leonardo Steiner

Arcebispo de Manaus

 


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