Arquidiocese de Manaus

O AMOR SOCIAL – Artigo Dom Leonardo Steiner – Jornal Em Tempo – 21 e 22.08.2021

Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, “sal da terra e luz do mundo” (Mt5,13-14). Participação ativa na Igreja e na sociedade. São sinal de transformação e, no meio de todas as dificuldades e adversidades, testemunham a Jesus e seu Reino, a vida e esperança. Vivem o Evangelho e participam da missão salvadora e redentora de Jesus.

A presença dos leigos e das leigas na sociedade é a “mostração” do “amor social”, que o Evangelho oferece. O amor social não é um sentimento estéril e pueril, mas a expressão de que o Evangelho oferece caminhos eficazes para uma sociedade justa, fraterna, livre para todos. O amor social é uma “força capaz de suscitar novas vias para enfrentar os problemas do mundo de hoje e renovar profundamente, desde o interior, as estruturas, organizações sociais, ordenamentos jurídicos” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 207).

Fortificados e esperançados em Jesus, os seguidores e as seguidoras levam em consideração todas as realidades sem receio de indicarem a beleza transformativa que o Evangelho propõe. Como lembrava São Paulo VI “a evangelização não seria completa se ela não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social, dos homens. A evangelização comporta uma mensagem explícita, adaptada às situações e atualizada: sobre os direitos e deveres da pessoa humana e sobre a vida familiar, sem a qual o desabrochamento pessoal quase não é possível, sobre a vida em comum na sociedade; sobre a vida internacional, a paz, a justiça e o desenvolvimento; uma mensagem sobremaneira vigorosa nos nossos dias, ainda, sobre a libertação.” (cf. EN, 29)

Papa Francisco em Querida Amazônia insiste que levemos ao em consideração as diversas dimensões da nossa realidade na busca de viver o Boa Nova: sonho cultural, sonhos ecológico, sonho social e sonho eclesial. A diversidade das culturas no nosso meio, a beleza das culturas que o Evangelho não despreza muito menos combate, mas escuta e aprende. A diversidade social onde estamos como Igreja. Uma Igreja que acolhe a todos, sem distinção. Comunidades que leem a presença de Deus na natureza e dela cuidam. Uma Igreja aberta, receptiva, consoladora que não esquece dos pobres, dos marginalizados, que insiste na justiça, na ética na política e nas relações socais. A compreensão da totalidade nos ensina a sermos humildes, mas ao mesmo tempo anunciadores alegres do Boa Nova.

Os leigos na Igreja são presença de esperança, de libertação, de fraternidade, de perdão. Nossa gratidão por estarem limpando as ruas, recolhendo o lixo; estarem na educação, nos meios de comunicação, na política, na justiça, nas empresas, na saúde, no campo, no cultivo da terra, nas profissões, nas casas, nas comunidades eclesiais, nos bairros, cuidando a cultural ancestral e da obra criada. Mulheres e homens que nas nossas comunidades são uma benção pelo serviço, pelo ministério, pela coordenação, pela fé vivida na liberdade de filhas e filhos de Deus.

A Igreja no Brasil durante o mês de agosto recorda as vocações no meio eclesial, reza para que todos possam levar a bom termo a graça recebida e os jovens possam perceber a vocação. Lembramos os leigos e as leigas e pedimos a Deus que todos possam ser presença fecunda de transformação na Igreja e na sociedade.

 

Dom Leonardo Steiner

Arcebispo de Manaus


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