Arquidiocese de Manaus

Dom Sergio Castriani recebe homenagem em dia de São Tarcísio

Neste domingo a igreja católica comemorou o dia de São Tarcísio, o santo padroeiro dos coroinhas, acólitos e cerimoniários, uma data em que todos os anos era lembrada com muito carinho na Arquidiocese de Manaus pelo nosso querido arcebispo emérito Dom Sergio Castriani, falecido em março desse ano. Dom Sergio sempre valorizou a pastoral dos coroinhas e enxergava neles não apenas “ajudantes do altar”, e sim um serviço muito importante dentro das celebrações.

Lembranças e homenagens até hoje são feitas para aquele que foi e sempre será um pai e amigo dos jovens, que inspirou muitas vocações com o seu jeito simples de ser. Abaixo segue mais um exemplo de gratidão a um pastor que fez a diferença por onde passou, soube evangelizar com palavras e atitudes e deixou um legado que sempre será lembrado em todas as pastorais, grupos e movimentos da Arquidiocese de Manaus, incluindo é claro os coroinhas, uma pastoral que ele tinha muito apreço e carinho e, que nesse dia de São Tarcísio fez questão de retribuir com breves palavras, um pouco de todo esse amor recebido.  

“Não existe, na Arquidiocese de Manaus, um coroinha que não tenha pelo menos uma foto, uma vivência, algo para recordar de Dom Sergio! Este homem, missionário atento, pai e pastor amoroso, carinhoso, zeloso, sábio, que já tinha mais de 60 anos de idade, que pouco a pouco ia perdendo a potência da voz, o caminhar, o olhar, este homem quando chegava nas celebrações e encontros arrastava uma multidão de adolescentes para junto dele. Era simplesmente um fenômeno! E nas suas dificuldades físicas, se deixava carregar por estes jovens.

Mais que isso, se recarregava com estes jovens! Muitos de nós seguramos sua mão, dirigimos para ele, o ajudamos a vestir sua túnica, a colocar o pálio, o solidéu, a casula, seguramos seus óculos, o ajudamos a levantar, a sentar e por vezes até lemos alguma homilia sua numa celebração. Nosso serviço de coroinhas se dilatava com Dom Sérgio: eram funções a mais, fora dos ritos, das rubricas, dos livros – funções que só o amor regia ações que eram movidas pelo carinho por ele, pela alegria de estar com ele.

Dom Sergio valorizou os coroinhas: criou uma Pastoral a nível arquidiocesano, com o intuito de orientar, de formar, de estar presente no acompanhamento destes jovens. Nos diversos encontros que tivemos, ele sempre recordava o valor de servir o altar e a missão que temos como jovens. Além disso, fazia questão de presidir as missas de São Tarcísio e colocava na sua lotadíssima agenda este momento como prioridade, pois sabia que os coroinhas são um celeiro de vocações. Sua presença conosco já era uma solenidade, pois os coroinhas sempre nutrem um carinho enorme por seu arcebispo.

Em um de seus artigos, Dom Sergio comentava sobre nossa Pastoral, refletindo sobre alguns pontos interessantes. Dizia ele: “Muitas vezes me pergunto o que os atrai. Penso que o sagrado sempre foi e sempre será fascinante. Estar perto do altar, servir o sacerdote, vestir roupas sagradas, participar de rituais, dá importância e sentido à vida. Mas coroinhas também fazem o aprendizado de trabalhar em equipe, respeitar horários, controlar emoções, descobrir o sentido das coisas, apreciar símbolos. Neste sentido, além da experiência de fé, adquirem cidadania, boas maneiras, educação”.  

Lendo estas palavras, podemos compreender o que ele tinha em mente: a Pastoral dos Coroinhas deveria assumir o papel de formar para além das celebrações, para o pós-missa, para os momentos onde estamos sem as vestes litúrgicas. É nosso papel formar jovens cidadãos, pessoas do bem que pensam no próximo, que agem por uma sociedade mais justa, que não fazem as coisas por mero status, fama ou afetividade, mas sim por causa do Evangelho. Nosso arcebispo sabia que precisávamos disso, pois queria nos preparar para a vida de fé adulta. Devemos ter consciência: todo coroinha precisa seguir em frente na sua vocação: ou familiar, ou sacerdotal, ou missionária, leiga, religiosa, cristã. Qualquer que seja, precisamos assumir que o momento da maturidade chega, e cobra de nós o preparo necessário. Ele queria que estivéssemos prontos para isso.

Foi uma honra ter participado, durante estes anos que Dom Sergio esteve entre nós, como Coordenação Arquidiocesana da Pastoral dos Coroinhas. Um aprendizado ímpar, onde recebemos muito mais do que tínhamos a oferecer, onde pudemos acompanhar estes jovens e fazer comunhão. O sentimento é de gratidão.  

Dom Sergio, obrigado pelo seu cuidado. Obrigado por ter nos conduzido. Obrigado por ter nos enxergado. Hoje existe uma Pastoral dos Coroinhas, organizada e forte. Devemos isso à inspiração que o Espírito Santo lhe deu. Obrigado por nos iluminar, por querer estar conosco, por partilhar sua sabedoria conosco. Obrigado por gastar tempo conosco. Os coroinhas desta Arquidiocese de Manaus desejam encontrar com o senhor novamente, na solene liturgia celeste, onde serviremos dia e noite, sem cessar, o Cordeiro de Deus, vestidos de branco, com o turíbulo de ouro nas mãos! Amém”   

Por: Juan Gabriel Albuquerque Ramos, ex-coordenador da Pastoral dos Coroinhas


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