Arquidiocese de Manaus

Artigo – Pastoral Operária: Lutemos pelo nosso direito a viver e trabalhar com dignidade!

Somos uma Pastoral Social da Igreja Católica a serviço da classe trabalhadora
urbana, organizada, composta e dirigida pelos trabalhadores/as; espaço para reflexão da
vida dos trabalhadores e das trabalhadoras à luz da Bíblia e da Doutrina Social da Igreja.
Com objetivo de promover a cidadania plena e o protagonismo dos/as trabalhadores/as
empregados/as formais e informais, desempregados/as, aposentados/as, da economia
popular solidária, na perspectiva da garantia de direitos e dignidade humana dos
trabalhadores/as.
Os últimos anos tem sido desafiador para a classe trabalhadora brasileira. A ilusão
de que a flexibilização das leis trabalhistas, o alto investimento em tecnologia que
prometia crescimento econômico e geração de empregos, possibilitaria melhores
condições de trabalho, aumento de renda, redução da carga horária de trabalho, mais
tempo para descanso e convivência social, enfim, condições mais saudáveis de vida, não
aconteceu. A modernização acentuou a crise, excluindo grande parte da classe
trabalhadora do próprio direito ao trabalho, confirmando o que o Papa Francisco afirma na
Encíclica Fratelli Tutti, nº 162: “a grande questão é o trabalho”.
Diante dessa realidade, a classe trabalhadora constrói sua plataforma de lutas
inspiradas no 1º de Maio. Lutas que se constroem em torno das comemorações desse
dia, visando assegurar o direito ao trabalho e à remuneração em condições dignas para
todos e todas, construir relações humanas, verdadeiramente justas e fraternas; e
defender a vida e nossa “casa comum”, integralmente.
Diante deste cenário de pandemia do Covid 19, respeitando as orientações de
distanciamento social, o que nos impossibilita de celebrações, concentrações e
manifestações maciças, por ocasião do 1º de Maio, utilizamos dos meios de comunicação
e redes sociais, para fazermos a nossa reflexão.
A grave crise sanitária que o país vem passando tem colocado em evidência a
desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira, basta vermos os dados do
IBGE referentes ao trimestre que terminou em janeiro de 2021 (nov./dez. 2020 e jan.
2021), com a taxa de desemprego de 31,1%.
Outras informações do IBGE relativas ao ano de 2020 nos revelam também a
desigualdade de gênero: desde 2012 (início da série histórica da Pnad-C- Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios), a taxa de desocupação entre mulheres sempre foi
mais alta do que entre homens.
No final de 2020, a diferença atingiu seu maior patamar: enquanto a taxa de
desocupação entre homens é de 11,9%, a de mulheres é de 16,4%. Numa sociedade
salarial como é o caso do Brasil, a pior coisa que pode acontecer à classe trabalhadora é
a falta de emprego, pois em cada crise surge o problema do desemprego e da
informalidade; e em pesquisas recentes quase 117 milhões de brasileiras/os conviveram
com algum grau de insegurança alimentar no final de 2020 e 9% deles vivenciaram
insegurança alimentar grave, isto é, passaram fome, nos três meses anteriores ao período
de coleta, feita em dezembro de 2020, em 2.180 domicílios.
Como trabalhadores e trabalhadoras, somos provocados e provocadas em a não
paralisarmos com os desafios do presente, mas enfrentá-los com o discernimento claro
que é, de fato, importante para nós: defender a vida e lutar pelos direitos que dignificam a
Pessoa humana, pois é justa a nossa luta. A fé que se faz esperançar e nos organiza a
partir da Mística da Resistência Palavra que Ilumina.
Essa realidade de sofrimento deve encontrar eco no coração dos discípulos de
Cristo. Tudo o que promove ou ameaça a vida diz respeito à nossa missão de cristãos.
Sempre que assumimos posicionamentos em questões sociais, econômicas e políticas,
nós o fazemos por exigência do Evangelho. Não podemos nos calar quando a vida é
ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada.
Deus ama a justiça e o direito (Salmo 33,5) para que a vida de seu povo seja plena
e que o valor do trabalho seja dom que nos leve para a missão de transformar este
mundo em harmonia com o Criador. O nosso Mestre, foi aprendiz da consciência
trabalhadora no chão da carpintaria do operário José, junto com os ensinamentos da líder
Comunitária de Nazaré, Maria, sua mãe, e agora nos desafia a com ele, aprender o valor,
a dignidade e a alegria do que significa o pão fruto do próprio trabalho (Patris Corde p.20).
É cada vez mais necessário superar a desigualdade social no país. Para tanto,
devemos promover a melhor política, que não se submete aos interesses econômicos, e
seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, que implica não só a aproximação
entre grupos sociais distantes, mas também a busca de um renovado encontro com os
setores mais pobres e vulneráveis.
A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade
privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da
paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa
Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações:
não podemos dar-nos por vencidos!” Com a fé em Cristo Ressuscitado, fonte de nossa
esperança, invocamos a benção de Deus sobre o povo brasileiro, pela intercessão de São
José e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Com o Papa Francisco, afirmamos que “são inseparáveis a oração a Deus e a
solidariedade com os pobres e os enfermos”. As iniciativas comunitárias de partilha e
solidariedade devem ser sempre mais incentivadas.
É Tempo de Cuidar!

Pastoral Operária da Arquidiocese de Manaus – Amazonas
Contatos: 98119-3595 – 99268-0526



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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