Arquidiocese de Manaus

Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Cacau Pirêra, celebra os 50 anos de existência

Uma história de fé, dedicação, amor a Deus e ao próximo, assim podemos definir o cinquentenário da fundação da Igreja Nossa Senhora Aparecida, localizada na estrada Manuel Urbano, em Cacau Pirêra, distrito do município de Iranduba, pertencente ao Setor Rio Negro – Região Episcopal N. Sra. dos Remédios, onde na manhã deste sábado (21/11), foi realizada a missa presidida Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Leonardo Steiner; contando com a presença do Arcebispo Emérito, Dom Sergio Castrianni e concelebrada pelo padre Cândido Cocavelli, pároco da Área Missionária Nossa Senhora Aparecida (AMNSA).

Durante a celebração, o arcebispo destacou a importância do trabalho dos pioneiros da paróquia e também da geração atual que dá seguimento à missão. “Existem hoje tantas comunidades porque algumas pessoas, inicialmente, viram a importância de se constituir como comunidade e como igreja, aqui lançaram a pedra fundamental, constituíram a primeira comunidade e, hoje, são mais e 60 comunidades da área missionária. Uma palavra de agradecimento a todas as pessoas que estão à frente das nossas comunidades. Em segundo lugar, uma palavra de incentivo. Que essas comunidades se sintam próximas, lendo e meditando a palavra de Deus; que essas comunidades se sintam sempre mães de Jesus, gerando a presença de Jesus, mas também se sintam irmãos e irmãs de Jesus, aqueles que constroem a verdadeira fraternidade”, declarou Dom Leonardo.

Histórico da igreja – Por Pe. Cândido Cocavelli

Somos Igreja da memória: memória do mistério fundante de nossa fé – a morte e a ressurreição do Senhor. Nesta memória recebemos o legado que nos confere o Batismo de testemunhas e fieis depositários. O mistério pascal de Cristo ilumina e dá sentido à vida, às nossas vidas compreendidas na comunhão eclesial, com suas luzes e sombras, alegrias e tristezas, sofrimentos e esperanças. Da vida de Cristo Jesus manifestada ao mundo e entregue no madeiro da Cruz como penhor de nossa salvação, está enxertada a vida doada dos missionários e das missionárias e a memória afetiva de suas existências permanece no coração do povo deste distrito do Caca-Pirêra.

A memória faz recordar ações: as de Deus em favor de seu povo; e as do povo que escuta a Deus, e age, na história como protagonistas de sua libertação, com a força que d´Ele provém. Fazer memória é um dever de gratidão! A memória se converte em dinamismo e sustenta a nossa esperança, nestes dias que têm sido tão sofridos por causa da pandemia.

 Os agentes de pastoral de nossas comunidades nutrem um sentimento de carinho, de respeito e de admiração por todos os servos e as servas de Jesus que com eles conviveram, partilharam a fé, celebraram os sacramentos e se empenharam para que pudessem ter uma vida digna, à altura do Evangelho e própria dos filhos e filhas de Deus, tomando para si suas dores e necessidades. A religiosa do Instituto das Franciscanas Missionárias de Maria, Ir. Bruna Coderni, italiana da cidade de Trieste, iniciou sua missão na antiga Colônia do Cacau-Pirêra, em 1965. Sua dedicação e perseverança na missão foram fundamentais para o processo de evangelização do povoado àquela época.

A razão de nossa alegria nesta manhã e que nos motiva para especial encontro é a celebração dos 50 anos da inauguração e da bênção da primeira igreja. Num sábado como o dia de hoje, aos 21 de novembro de 1970, Dom João de Souza Lima presidiu a Eucaristia, inaugurando a igreja de Nossa Senhora Aparecida, cuja construção foi levada a termo pela Ir. Bruna. Importante lembrar que, numa quinta-feira, aos os 21 de novembro de 1968, era lançada a pedra fundamental deste edifício. Ir. Bruna liderou também construção da casa paroquial, do posto médico e das capelinhas da Olaria Brito, dedicada a São José, e a Capela de Nossa Senhora de Nazaré, no Caldeirão.

Imaginemos os desafios enfrentados naquele tempo para que as obras e as necessárias estruturas a serviço da vida acontecessem. Podemos imaginar o sacrifício e a dedicação empenhada por tanta gente. Os relatos dos que foram testemunhas daquela hora contam com emoção do mutirão de muitas mãos e das doações recebidas: a comunidade local era formada em sua maioria por colonos e migrantes nordestinos do Ceará, da Paraíba, do Maranhão, gente de pouca posse, mas que era incentivada pela empolgante vibração da Ir. Bruna, que nunca desistia, mesmo quando os dias eram menos favoráveis.

Fazer memória como dissemos é um dever de gratidão. Gratidão à família do Sr. Noé Ferreira Lima e dos seus filhos Batista, Pedro, Paulo, Waldir; à família do Sr. José Pinto, responsáveis pela construção da igreja; à família do Sr. Alcimar Pessoa Duarte que esteve presente no lançamento da pedra fundamental.

Se por um lado a construção da capela era importante para que a assembleia do povo de Deus celebrasse os sacramentos, por outro lado, ter um espaço para acolher as mulheres e promove-las em sua dignidade era consequência da ceia do lava-pés. Assim Ir. Bruna cria o clube de mães, juntamente com Dona Ester, dona Carmozina, Dona Cristina, Dona Lindalva e Dona Mirtes aqui presente, com 91 anos de idade. 

Com a despedida das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, no ano de 1974, a Diocese de Pistoia, na Itália, envia Pe. Humberto Guidotti e a Enfermeira Nádia Vettori para Arquidiocese de Manaus, e se instalaram no Cacau-Pirêra.  A missionária Nadia Vettori chegou com a idade de 30 anos e, inicialmente trabalhou na Vila de Paricatuba, servindo como enfermeira.

Para apoiar a missão, a Diocese de Pistoia envia mais um sacerdote, Pe. Lourenço Benesperi, em 1977, permanecendo até o ano de 1999. As religiosas Filhas de Sant´Ana instalam-se no Cacau-Pirêra em 1991, dando continuidade à missão evangelizadora, empreendendo esforços para formação do povo. A ereção oficial da casa religiosa se deu no dia 24 de junho de 1991, recebendo o nome de São João Batista, por ser o dia de sua memória litúrgica. Estavam presentes neste dia festivo Ir. Zuleide, Ir Eunice e a Superiora, Ir. Consolação.

Com o apoio irrestrito de Pe. Lourenço, Irmã Zuleide assumiu a responsabilidade pela organização da Capela Nossa Senhora Aparecida, integrando-se rapidamente na comunidade. Foram criados espaços de participação, investindo na formação dos leigos, na formação da equipe de canto, nas oficinas para as aulas de violão e de teclado, iniciativa que incentivou e favoreceu a criação do grupo de canto na animação das liturgias.  Irmã Zuleide permaneceu na missão até o ano de 2008, sendo transferida para o Aleixo e, posteriormente, em 2010, vai para o Rio de Janeiro.

Irmã Leônia chega em fevereiro de 1993 e permaneceu por dezoito anos, até o ano de 2011, deixando muita saudade pelo seu jeito carinhoso de ser. Administrar os poucos recursos sempre foi a marca da administração da Ir. Zuleide e de Ir. Regina, melhorando continuamente a estrutura física do centro social, a igreja, a cozinha comunitária, sempre motivando a participação da comunidade. As primeiras religiosas, cada uma com seu carisma, cativaram o povo, formando uma grande família.

Em 20 de janeiro de 2003, os Padres Bruno Morandini e João Poli assumem a Paróquia de São João Batista, de Iranduba, e também o Cacau-Pirêra, mas permitiu que a Capela Nossa Senhora Aparecida, de Cacau-Pirêra tivesse autonomia de gerenciar suas atividades missionárias, administrativas e financeiras, sem depender da sede paroquial. Suas lideranças participavam das reuniões paroquiais e setoriais como se fosse uma paróquia.

Pe. Bruno, nos anos de 2009 e 2010, segue acompanhando diretamente a comunidade do Cacau-Pirêra, organizando a formação para os ministros da Palavra e do Culto e ministros extraordinários da comunhão eucarística. Aos sábados, pela manhã, sempre havia a oração comum com o grupo dos ministros, visitava continuamente as comunidades e organizou a formação para os coroinhas.

Com a saída de Pe. Bruno, em 2010, Pe. João fez convite para que algum padre pudesse ajudá-lo nas celebrações da Quaresma e festividades da Páscoa do Senhor, durante uma reunião do clero, em 2011. A surpresa de todos foi ver a chegada, no Cacau-Pirêra, de Pe. André Jean Marie Delzelle, de nacionalidade belga, no dia 20 de abril de 2011.

Em celebração eucarística solene, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, e concelebrada por Dom Mário Antonio da Silva, bispo auxiliar, e por Pe. João Poli, pároco da Paróquia São João Batista, de Iranduba, e por Pe. André Delzelle, leu-se o Decreto de Ereção (criação) da Área Missionária Nossa Senhora Aparecida, com sede no Cacau-Pirêra, aos 27 de dezembro de 2011. Também estiveram presentes Ir. Simone e Ir. Núbia, religiosas Filhas de Sant´Ana. 

Pe. André empreendeu a construção de um novo Templo, maior em sua estrutura física, capaz de congregar mais fieis, para a sede da Área Missionária. Foi um ardoroso trabalho levado à frente por ele, contando com a colaboração de alguns benfeitores e da comunidade local. Sua marca foi a fundação de dezenas de comunidades em toda a extensão da área missionária.

Com sua transferência para a Prelazia do Xingu/PA, assume, em 2015, a coordenação da Área Missionária Pe. Thiago Santos Alves, permanecendo pouco mais de um ano, e com ele os Diáconos Permanentes Ricardo Cesar, Ademar Mendes e Nelson Nogueira, acompanharam as comunidades e deram continuidade à conclusão das obras da Igreja de Nossa Senhora Aparecida.

No dia 25 de fevereiro de 2018, na Celebração Eucarística Presidida pelo Arcebispo Metropolitano Dom Sergio Castriani, Pe. Thiago se despedia da comunidade e era apresentado como Administrador da Área Missionária, Pe. José Cândido Cocaveli de Andrade, fidei donum da Prelazia de Tefé, diretor administrativo do Instituto de Teologia e Pastoral (ITEPES), em Manaus. Concelebraram a Eucaristia os diáconos Permanentes Ricardo César L. Pereira, Nelson Nogueria Silva Júnior e Ronaldo Sousa dos Santos. Estiveram presentes as religiosas Ir. Graça Oliveira, Ir. Suêrda Araújo e Ir. Joselma Carneiro, Filhas de Sant´Ana, além de uma representatividade dos agentes de pastoral das comunidades mais próximas.

Neste ano de 2018, o Seminário Arquidiocesano São José, após uma semana de estágio dos seminaristas da arquidiocese nas diversas comunidades dos núcleos da área missionária, ouvindo o insistente apelo do povo, decidiu enviar três seminaristas, Ivo Carneiro, Rômulo Souza e Diego Gatto, para que, nos finais de semana, dessem assistência às comunidades do núcleo 4. Posteriormente somou-se ao grupo o seminarista Lívio e, neste ano chegaram os seminaristas Marco Antonio Bentes, Rodrigo Bruce e Arthur Rubens.

Neste ano de 2020 acolhemos Pe. Jozinaldo Souza, Redentorista, que nos ajudou a intensificar as visitas às comunidades, a partir das mais distantes. Num processo de escuta das lideranças das comunidades, como um ano para tomar conhecimento da realidade da Área Missionária, o que culminaria com a recepção das diretrizes pastorais da 10ª APA, numa Assembleia Pastoral para o povo de Deus, com delegados e delegadas das 74 comunidades acompanhadas, divididas em 8 núcleos pastorais e assim organizamos nosso plano de evangelização.

Com o coração cheio de gratidão podemos exprimir: “pelo Senhor é que foi feito tudo isso; que maravilhas ele fez aos nossos olhos”!

Texto colaboração: Jornalista J. Ray Lima e Pe. Cândido Cocavelli

Fotos: Jornalista J. Ray Lima, Pe. Cândido Cocavelli e Graça Hayden


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