Arquidiocese de Manaus

Eleições – Artigo D. Sergio Castriani – Jornal Em Tempo 7 e 8/11/2020

No domingo que vem iremos às urnas, para escolher prefeitos e vereadores, para governar os nossos municípios. Na ordem democrática eles estão na base do edifício. Eles são os políticos que permanecem junto a sua base eleitoral. São eleitos para resolver os problemas mais concretos que afetam o nosso dia a dia. De um prefeito esperamos que resolva as questões de mobilidade humana, como asfalto bom nas ruas, bom sistema viário até o serviço de ônibus urbanos, metrô e BRT nas grandes cidades.

Problemas com a iluminação pública e serviço de água e esgoto são do dia a dia de um prefeito. Mas hoje a prefeitura tem responsabilidades na saúde e na educação, que exigem do prefeito uma capacidade de trabalhar em equipe com técnicos bem formados e bem alinhados com a administração pública. As nossas cidades precisam de gestores modernos que não misturem as coisas fazendo de seus gostos pessoais critérios de administração. Um prefeito é um gestor que tem a habilidade política para convencer os munícipes representados pelos vereadores das decisões tomadas pelo bem comum. Um prefeito é um estadista quando governa para todos.

Os vereadores são eleitos para o parlamento municipal. Parlamento é um lugar onde se fala. Se fala ordenadamente e com a autoridade de terem sido eleitos e terem um mandato popular. Falam sobre a administração e a corrigem quando e necessário. Examinam as contas púbicas e dão seus pareceres, aprovando ou não as contas do prefeito. E este atualmente é o mais importante que um vereador pode fazer. Mas a câmara dos vereadores também olha para o futuro da cidade e propõem ações que façam este futuro. Uma outra função é a de prestar homenagem aos cidadãos que se notabilizam por ter uma vida pública merecedora de reconhecimento.

Há também um trabalho burocrático de aprovar as decisões da administração que em geral é silencioso, mas importante para que a administração não se inviabilize. Na minha experiência de eleitor, vejo que nós em geral votamos bem. O problema está que os eleitos não cumprem o que prometeram, ou são impedidos de governar. Os prefeitos do interior, com raríssimas exceções, moram nos municípios. Vereadores na sua grande maioria aproveitam o mandato para melhorar a situação econômica da família. Um outro problema são as eleições anuladas pela justiça eleitoral. Você vota num candidato que teve a sua candidatura homologada pela justiça eleitoral e depois descobre que ele era candidato com base numa liminar que foi caçada pelo Tribunal Regional Eleitoral e que a eleição não valeu. Começa então uma disputa judicial que inviabiliza a administração de municípios, em geral, pequenos e com uma capacidade administrativa mínima. As eleições têm um lado lúdico. A torcida é como a do futebol. Torço para este candidato e pronto. Torna-se irracional. Creio que só isto explica a eleição de gente que já provou ser desonesta e incompetente. As câmaras de vereadores são o retrato da nossa sociedade. Eleitos pelo povo, os vereadores têm um mandato que possibilita fazer muita coisa em prol da democracia e junto com o prefeito gerir as cidades onde as pessoas vivem com suas alegrias e tristezas.

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO EMÉRITO
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 7 e 8.11.2020



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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