Arquidiocese de Manaus

Dia Nacional da Juventude – Artigo D. Sergio Castriani – Jornal Em Tempo 24.10.2020

O Dia Nacional da Juventude, celebrado neste domingo, é ocasião para as diversas expressões juvenis da Igreja se mostrarem para o conjunto da sociedade e da Igreja como jovens e como cristãos que tem um papel essencial na renovação da realidade eclesial, justamente por serem jovens. No passado recente era uma atividade da Pastoral da Juventude, e por isso guarda as suas características: protagonismo juvenil, grupos de base, interação entre a fé e a vida, posicionamento político, organização.

Seguindo uma tradição de pastoral de conjunto, o DNJ geralmente segue a temática da Campanha da Fraternidade do ano em curso. Por isso neste ano o tema gira em torno da Vida e do cuidado que ela precisa e merece. “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” é o tema escolhido para este ano. O lema é: Ouviu e junto com eles caminhou (Lc 24, 15.17). A vida é dom de Deus. Diante do mistério da vida nos sentimos pequenos e agradecidos. Não só a vida humana nos deixa perplexos, mas toda a biodiversidade que existe na terra que é a nossa casa comum.

Mas ao mesmo tempo que descobrimos a vida, descobrimos a sua fragilidade. A vida pode acabar numa determinada região, ou em todo o planeta. Conhecemos a realidade da morte corporal e em tempos de pandemia nos tornamos mais conscientes da fragilidade de nossa existência e como somos iguais perante o sofrimento e a dor da vida que nos é tirada sem muitos rodeios. Na ordem da criação tudo deve ter um sentido que muitas vezes parece estar oculto. Mas nos resta lutar pela vida, este dom de Deus.

Nosso compromisso e com a vida. Cuidar dela com os pequenos gestos de higiene pessoal, como lavar as mãos, portar máscaras, até o compromisso político de participar ativamente das eleições para que vençam candidatos e partidos que sejam pela vida. O cuidado pela vida vem da compaixão que o coração humano é capaz de sentir. Quando a tragédia é grande demais, há o perigo do endurecimento do coração e da banalização da dor. Quando não se tem tempo e nem um lugar para chorar os mortos, corremos o risco de nos tornarmos insensíveis. Precisamos de alguém que nos abra a mente e o coração para ao menos entender o que está se passando.

No episódio dos discípulos de Emaús, de onde foi tirado o lema, enquanto conversavam e discutiam, Jesus em pessoa os alcançou e caminhava com eles. E perguntou-lhes: sobre o que conversáveis pelo caminho? Em meio a pandemia que espalha um ambiente de morte, sentimos o odor da ressurreição quando experimentamos a presença de Jesus ressuscitado entre nós. Ele não nos dá todas a respostas, mas ele nos ouve. Se ouve é por que está vivo, e se está vivo todos nós temos a esperança de viver aqui ou no céu. A vida é mais forte que a morte e todos os que morreram partiram antecipadamente. Nos que não sabemos até quando ficaremos, devemos continuar a cuidar da vida em sentido amplo. Lembremos que o Evangelho nos convida ao seguimento de Jesus, que entregou a vida para que todos tivéssemos vida. O Dia Nacional da Juventude torna-se assim uma ocasião para anunciar Jesus.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO EMÉRITO

JORNAL: EM TEMPO

Data de Publicação: 24 e 25.10.2020



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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