Arquidiocese de Manaus

Vida religiosa – Artigo Dom Sergio Castriani – Jornal Em Tempo 16.8.2020

Neste mês vocacional, o domingo em que celebramos a Assunção de Nossa Senhora, é consagrado à vida religiosa. Todos conhecemos as irmãs e seu lugar insubstituível nas comunidades e instituições eclesiais. Antigamente, quando o número das irmãs era maior, sua presença era visível nos hospitais, mesmo os públicos, e nas escolas das diversas congregações que tinham a educação como parte essencial do carisma.

Sempre existiram pessoas que, embora fazendo parte do Corpo de Cristo que é a sua Igreja, que dando um passo adiante consagraram a sua virgindade a Deus deram seus bens aos pobres, assumindo a pobreza como regra de vida. A maioria vivia em comunidade ao redor de um superior ou superiora a quem prestavam obediência.

Durante séculos os mosteiros foram fator de desenvolvimento não só da Igreja como da civilização greco-latina. Mas foi no século XIX que tomou forma o modelo de vida religiosa que foi um sucesso por que correspondia ao mundo que estava nascendo com a modernidade. Centenas de congregações surgiram na Igreja para possibilitar a vida consagrada. A espiritualidade destes grupos se baseiam na experiência de Inácio de Loyola. Vida comunitária rígida e toda ela orientada para a vivência do carisma.

A Santa Sé confiava grandes territórios para que as congregações masculinas cuidassem. Criou Prefeituras Apostólicas, depois Vicariatos Apostólicos, no Brasil chamados de Prelazias. As congregações femininas vinham para colaborar com a educação e a saúde. Os números são impressionantes. Milhares de jovens europeias deixavam tudo e partiam para África, Ásia e Oceania. Morriam jovens de doenças que não conheciam. Seguiam as rotas do movimento expansionista europeu mas com uma diferença: iam para fazer irmãos, fundar a Igreja. Nós somos herdeiros destes verdadeiros heróis que entregaram a vida sem reserva.

Pobres, manusearam dinheiro de projetos sociais, mas nada para si. Dom Joaquim de Lange, espiritano, perdeu até a cidadania holandesa, porque precisou se naturalizar brasileiro para poder ser dono da Rádio Educação Rural de Tefé. As irmãs Franciscanas Missionárias de Maria que vieram para Tefé onde assumiram os cuidados do hospital e a educação, terminam todas as suas vidas na simplicidade de uma comunidade religiosa. Dom Pedro Casaldáliga, morto estes dias, era religioso claretiano. Pedro, como ele preferia ser chamado é um caso emblemático. Seguidor de Jesus Cristo, ele encarnou o Evangelho de maneira exemplar.

Vítima de um AVC, na cidade de Japurá está internada no Hospital Santa Julia a Ir. Isabel. Ela chegou aqui já desacordada. Todos esperam um milagre. A vida da Ir. Isabel nos últimos quinze anos foi vivida entre Japurá e Vila Bitencourt, chegou a se perder no meio das Ilhas do rio Japurá. Aí deu esperança às meninas de Manaus que vivem nas dragas.

É religioso também o Pe. Ronaldo. Grande mestre nas ciências da Escritura Sagrada, vive o que ensina. Com mais de oitenta anos atrai a juventude para meditação por causa da coerência de vida. Certa vez foi à Tefé para dar aulas o colocamos para dormir num pequeno quarto perto da capela no corredor de baixo. Não fechou a porta nenhuma vez. É um homem sem segredos e sem bens preciosos.

Quatro religiosos, quatro em meio a centenas, o mundo deve muito a eles.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO EMÉRITO

JORNAL: EM TEMPO

Data de Publicação: 16.08.2020



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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