Arquidiocese de Manaus

O Pálio – Artigo de Dom Sergio – Jornal Em Tempo – 13.7.2020

Das insígnias episcopais que usei a mais significativa, para mim, foi o pálio. Trata-se de uma peça feita com pura lã de ovelhas e que os arcebispos metropolitanos trazem como uma canga ao redor do pescoço. Só eles têm o direito de usar, e só dentro do território da Arquidiocese. O Papa entrega os pálios aos novos arcebispos na festa de São Pedro e São Paulo, cada ano numa celebração na Basílica de São Pedro. Antes ele também impunha o pálio, mas de uns anos para cá o pálio é imposto na própria sede do Arcebispo, numa celebração com os bispos da província eclesiástica presidida pelo novo Arcebispo.

O pálio então se torna um símbolo de comunhão entre o romano pontífice e o pastor da igreja particular que vive na comunhão com o bispo de Roma. Muito embora o bispo aja na sua Igreja em nome de Cristo e na força do Espírito, ele só age de maneira legítima se estiver em comunhão com o Papa que preside na caridade a todas as igrejas. O jugo que o bispo carrega é leve, como o pálio é leve, apesar de ser feito com a vida das ovelhas que carregam as suas cruzes cada dia e esperam pela consolação do pastor. Todo fardo quando é carregado sozinho é mais pesado. O primeiro ministério de um bispo é ser formador de comunhão. Em tudo que faz deve promover a unidade.

As pequenas cruzes que estão bordadas no pálio, para mim sempre significaram as diversas cruzes que nosso povo carrega e que o bispo carrega junto. Todo o sofrimento do rebanho atinge o pastor, mesmo os daquelas ovelhas que não estão no rebanho. Ele não tem solução para tudo, mas todos querem ao menos ser ouvidos e levados a sério. O ministério do bispo vai muito além dos limites de sua igreja. O bispo ao ser ordenado é recebido no colégio apostólico e como tal recebe uma jurisdição sobre uma parte do povo de Deus do qual se torna responsável paternalmente.

O nosso Arcebispo recebeu das mãos do papa, através do cardeal decano, o pálio da Igreja de Manaus. Isto aconteceu no dia de São Pedro e São Paulo deste ano. Foram quatro arcebispos brasileiros que receberam, entre eles Dom Sergio da Rocha que já está no seu terceiro pálio, porque antes de ser o primaz do Brasil em Salvador, já foi arcebispo em Teresina e Brasília.

Esperamos agora que o pálio chegue pelo correio para termos a cerimônia de imposição do pálio em Dom Leonardo. Algo inédito em Manaus, mas que veio em boa hora, quando estamos retomando as atividades pastorais na Igreja que vive a volta as atividades pastorais depois desta quarentena que já dura mais ou menos quatro meses.

Neste momento da história da Igreja, quando o papa tem contra si muitos grupos e até altos prelados, é momento de vivermos a comunhão com ele. Sobretudo na Amazônia devemos estar ligados aos seus sonhos de termos uma Igreja Sinodal, onde os povos originários tenham respeitados os seus direitos de viver e de expressar suas crenças. Uma Igreja que tem uma história que deve ser contada. Uma Igreja aberta aos problemas humanos. Unidos em torno do nosso Arcebispo queremos ser católicos, apostólicos romanos. E queremos colaborar para que o seu fardo seja leve.

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO EMÉRITO
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 12.07.2020

 

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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