Arquidiocese de Manaus

Homilia Dom Sergio Castriani – XIV Domingo Comum – 12.7.2020

A primeira leitura e o evangelho da missa de hoje nos lembram que o Reino dos céus está reservado para os pequenos, os humildes, os pobres, e para aqueles que se convertem em pobres de espirito, para que possam entender o que Jesus anunciou.

Jesus entende o Messias como foi anunciado pelo profeta Zacarias. O Messias teria todo o poder mas o exerceria de maneira totalmente diferente dos poderosos deste mundo. Já na tomada de posse do Reino ele não viria com a cavalaria vitoriosa trazendo os troféus de guerra e os prisioneiros, mas montado num jumentinho, animal pacifico e montaria dos humildes. E começaria o seu governo desarmando o exército, para que não houvesse volta a violência. Difícil de entender a lógica deste reinado. Mas foi assim que Jesus entrou em Jerusalém, para dar a vida pelos seus.

Num contexto de oposição ao Reino, como anunciado por Jesus, da parte de cidades como Corozain, Betsaida e Cafarnaum e muito concretamente a oposição dos fariseus, Jesus coloca claramente que que o reino tem exigências. Num contexto de violência ele coloca em realce os mistérios do reino, narrado em parábolas. E isto está dentro do projeto divino. No livro do Eclesiástico está escrito que Deus revela os seus segredos aos humildes. Estes veem a realidade sem os preconceitos dos sábios. Em geral o conhecimento está aliado ao poder que distorce a verdade.

A compressão do reino de Deus como reino dos puros e conhecedores da lei era um jugo pesado que os entendidos da lei impunham sobre os ignorantes. Para estes o conhecimento das leis era condição para se chegar até Deus, fato que impedia uma grande parte do povo o acesso a religião oficial. Jesus convida as pessoas que estão cansadas e fatigadas sob o peso dos seus fardos que ele lhes dará descanso.

Ao contrário dos legalistas Jesus apresenta um reinado divino, onde o Pai quer revelar seus segredos aos filhos, que ele escolhe. Esta visão de liberdade diante de Deus e da história e nossa condição de filhos, tornam o fardo de Jesus leve. Somos chamados a ter liberdade interior, vida sem preconceitos, olhar de misericórdia e a alegria de não ter ressentimentos.

Não temos nada a perder, só a ganhar, com o advento do reino. Os pobres de espirito, que sabem que nada sabem. São os que vivem no Espirito Santo, aqueles que estão abertos as manifestações do reino porque como Jesus são mansos e humildes de coração. Quem vive segundo o Espirito, isto é na liberdade interior que o Espirito oferece, e não mais dominado pela carne, isto é pelo pecado, entende as coisas do reino, se realmente o Espirito habita nele.

Temos uma dívida com Deus, que nos amou primeiro. Uma dívida de amor espiritual. Só podemos paga-la vivendo segundo o Espirito. É ele que transforma o nosso coração num coração semelhante ao de Jesus. Se alguém não tem o Espirito de Cristo não pertence a Cristo.

Nos somos evangelizadores, como Igreja queremos evangelizar os pobres. Anunciar o Reino aos pobres com poucos meios, mas tendo a força da Palavra a nosso favor. Isto não significa fazer tudo de qualquer jeito. Nós temos que estudar muito, ler bons livros, participar de momentos formativos. A nossa oração é a oração da Igreja. Quanto mais e melhor a nossa liturgia, mais estaremos em comunhão com a Igreja.

Rezemos com Jesus: Eu te louvo ó Pai, senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. E ouçamos o seu convite aos que vivem amargurados na vida. O fardo quando é de Jesus é leve.

 

Por: Dom Sergio Eduardo Castriani – bispo Emérito da Arquidiocese de Manaus

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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