Arquidiocese de Manaus

Vigília Pascal celebra a vitória de Cristo sobre a morte e a Luz de Cristo que deve acompanhar todos os cristãos

“Na noite em que Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida seus filhos e filhas dispersos por toda a terra a se unirem em vigília e oração para comemorar a Páscoa do Senhor, ouvindo suas palavras e seus mistérios, na certeza da esperança de participar de seu triunfo sobre a morte e de sua vida em Deus”. Estas foram as palavras iniciais, proferidas pelo Arcebispo Metropolitano Dom Leonardo Steiner, durante a vigília pascal realizada na noite do dia 11 de abril de 2020, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição.

Este momento sublime, o terceiro dia do tríduo pascal, foi celebrado solenemente pela Igreja Católica, sem a presença física dos fiéis, devido ao isolamento imposto a todos, visando conter o avanço da epidemia do novo Coronavírus – Covid-19 no Estado do Amazonas, mas a celebração foi acompanhada com fervor por milhares de pessoas através da transmissão ao vivo pela TV Encontro das Águas, Rádio Rio Mar, e redes sociais da Catedral e Arquidiocese de Manaus.

A celebração teve quatro partes: liturgia da luz, liturgia da palavra, liturgia batismal e liturgia eucarística. Seu início aconteceu na entrada da Catedral com a bênção do fogo, que simboliza o esplendor do Cristo ressuscitado dissipando as trevas do pecado e da morte. Nesta ato, o arcebispo pediu a Deus que acenda nos fiéis o desejo de buscar o céu e que todos possam chegar purificados à festa da luz eterna. Após o acendimento do Círio Pascal com o fogo abençoado por Dom Leonardo, e o clamor para que esta luz do Cristo dissipe as trevas de nossos corações e mentes, os bispos saíram em procissão pela Catedral vazia, carregando o Círio até o altar. Em seguida, Dom José Albuquerque cantou o “Exulte”, conhecido também como Proclamação da Páscoa, momento no qual a Igreja proclama a vitória de Cristo sobre a morte.

Deu-se as leituras previstas para este dia, sendo que os textos bíblicos do Antigo Testamento aludem à criação e às intervenções de Deus na história da salvação, tudo apontando para a realização plena em Jesus Cristo, com destaque para a terceira leitura que trata da saída do povo de Israel do Egito, prefigurando a libertação definitiva operada por Deus através de seu Filho Jesus.

Após a proclamação do Evangelho por Dom Tadeu Canavarros, deu-se a homilia, proferida por Dom José Albuquerque, em que afirmou ser esta a liturgia a celebração do mistério central da fé católica: Jesus que ressuscita, que vence a morte. “Cristo ressuscitado é razão da nossa alegria e esperança. A belíssima liturgia desta noite apresenta toda a história da salvação com todos os seus altos e baixos: a criação do mundo, a origem do pecado, as alianças feitas por Deus e rompidas pelos nossos primeiros pais e primeiras mães, a travessia do Mar Vermelho. Mas o ápice da liturgia da palavra está na escuta do Evangelho que nos recordou a ida das mulheres, no primeiro dia da semana ao sepulcro, tristes e abatidas, assim como nós estamos nessas últimas semanas, diante de tanto sofrimento causado pela pandemia em nossa cidade, no mundo inteiro. A tristeza das mulheres era um sentimento desolador, de derrota, pois o amigo delas, o mestre amado, fora injustiçado, condenado e morto de forma cruel e humilhante”, explicou Dom José.

“Juntamente com Maria Santíssima, elas viveram aquele sábado em profundo silêncio, assim como estamos vivendo nas últimas semanas, fazendo memória das mais de 100 mil vítimas do Covid-19. São mais de 100 mil filhos e filhas de Deus que faleceram. Em Manaus, os mortos passam de 50, segundo os dados oficiais. Mas hoje queremos celebrar a vitória da vida. Queremos proclamar ao mundo inteiro que o amor é mais forte do que a morte. Somos solidários com as famílias enlutadas e por aqueles que morreram. Pela fé que temos no Cristo Salvador, proclamamos nesta noite santa, que esses nossos irmãos e irmãs ressuscitarão com Ele”, contextualizou Dom José.

O bispo auxiliar ainda destacou a necessidade de cuidar e valorizar a vida, a criação de Deus, sendo este um dever de todos. “Assim como as mulheres demonstraram respeito e cuidado, e amor generoso, nós também somos convocados a proteger e a cuidar da vida, de um modo todo especial da vida dos mais frágeis, dos pobres, dos injustiçados, de todo o ser humano e de toda a criação. A vida de cada ser humano, de cada ser vivo e de todo planeta, nossa casa comum, é dom de Deus. Os cristãos, homens e mulheres de todas as crenças, raças, a sociedade civil, os governos, todos nós devemos amar e cuidar da vida, desde o ventre materno, até o dia em que Deus nos chamar para a eternidade”, afirmou Dom José.

Dom José afirmou que todos somos convidados a reagir com coragem, confiando em Deus que venceu a morte e nos dá esperança, conforme disse o Papa Francisco na homilia deste sábado santo, de que nesta noite nos foi concedido um direito, um dom do céu, e que devemos ter esperança pois Deus é fiel. “ ‘Coragem! Com Deus, nada está perdido!’, nos consolou o sucessor de Pedro. Jesus várias vezes consolou seus discípulos e as multidões dessa forma, dizendo: coragem! Eu venci o mundo, venci o medo, venci a morte, eu venci a injustiça. […] o anjo, comunicando a vontade de Deus, falou às mulheres e fala para nós hoje, nesta vigília pascal, que devemos anunciar ao mundo esta verdade. Cristo está vivo, ele nos chama a levar ao mundo esta mensagem de esperança. Ele quer ser encontrado na Galileia do nosso cotidiano, nas nossas casas, junto dos nossos familiares, nos corações daqueles que não se conformam com a mediocridade, com aqueles que querem construir um mundo melhor, fundamentados no amor, na justiça e na paz. A encontrar Jesus no rosto dos injustiçados e também daqueles que se doam pela vida, no cuidado ao próximo”, destacou.

Seguiu-se para a liturgia batismal, abençoando a água com o círio pascal, sendo ela instrumento de misericórdia de Deus, que renova a natureza pecadora do homem/mulher, é a recordação do nosso batismo, sendo momento também da renovação das promessas batismais de todos os fiéis, acompanhado da aspersão da assembleia, nesta celebração, apenas a equipe de apoio litúrgico e de transmissão.

Em seguida aconteceu a liturgia eucarística, que se inicia com as preces da comunidade, seguida da preparação e apresentação das oferendas, pois toda a Liturgia da Palavra e ritos iniciais foram liturgicamente celebrados nas partes anteriores da Vigília Pascal.

Ao final, Dom Leonardo leu a mensagem do arcebispo emérito Dom Sergio Castriani, em que afirma que este é um momento de provação da fé em que sairemos mais humildes, por fazermos a experiência da dependência mútua, sendo mais solidários por entender que somos todos semelhantes e vimos que em nossa vida pouca coisa tem de valor e a amizade não tem preço. Momento em que nossas casas tornaram-se igrejas domésticas e em que experimentamos a ressurreição de Jesus, à medida que temos a morte nos rondando tão perto, mas na certeza de que a vida vencerá”, afirmou.

Antes da bênção final, o arcebispo também agradeceu a todas as formas de transmissão desta semana santa que possibilitaram uma participação maravilhosa e recordou a importância do mistério que foi celebrado nesta noite e da chama que deve tornar sempre viva a fé em Cristo. “Estamos tão longe uns dos outros e tão perto uns dos outros. Agradecemos a todos que estiveram em sintonia para estarmos juntos nesses momentos celebrativos, tão necessários e profundos da nossa fé. Recebi mensagens de várias partes do Brasil e de outros países. Tão unidos, tão próximos, participando deste mistério extraordinário de um Deus Crucificado que nos deu vida nova, que vivemos mesmo nas intemperes e desertos que temos que atravessar em na vida. Desejo a todos uma abençoada Páscoa. Que Cristo Ressuscitado ilumine a todos. Não esqueçam da pequena chama, simbolizada neste Círio, que nos acompanhará neste tempo pascal e também nos momentos de renovação das promessas batismais nos batismos, crismas e outros momentos celebrativos. Ela é pequena e muito forte. É Jesus na nossa vida”, destacou Dom Leonardo.



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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