Arquidiocese de Manaus

Diáconos – Artigo de Dom Sergio Castriani – Jornal Em Tempo 21 e 22.3.2020

No dia 16 de março de 2003, eu estava fazendo a visita pastoral no rio Copatana, paróquia de Jutaí. Era um domingo e estávamos numa comunidade chamada Terra Nova, e que hoje já não existe mais. Depois do almoço, deitei na rede para um repouso antes de seguir viagem. Antes de funcionar o barco liguei o rádio e sintonizei a Rádio Rio Mar. Naquele exato momento começavam a transmitir a cerimônia de ordenação dos primeiros três diáconos permanentes para a Arquidiocese de Manaus. Já se passaram dezessete anos.

Na história pessoal dos três é já um bocado de tempo. Mas institucionalmente não é tanto assim. Todos os três, Diác. Afonso de Oliveira Brito, Diác. Armando Borges Filho, Diác. Francisco Salvador Pontes Filho, ocupam posições importantes na Arquidiocese. Um deles, o Francisco, é o presidente da Comissão Nacional dos Diáconos, o Afonso é o secretário executivo da Caritas Arquidiocesana, e o Armando já foi o responsável por duas áreas missionárias.

A ordenação do primeiro diácono permanente da etnia ticuna no Alto Solimões no último domingo, Antelmo Pereira Angelo, pela imposição das mãos de Dom Adolfo me fez pensar no diaconato como uma realidade eclesial nova na Igreja da Amazônia. Quem são estes homens que se dispõem a se colocar a serviço da Igreja, porque diaconato é em primeiro lugar serviço. E fazem isto sacramentalmente sendo consagrados pela imposição das mãos do bispo. Gesto antigo, que já foi feito pelos apóstolos no início da Igreja, numa demonstração de que mais que hierárquica, a Igreja é servidora e se organiza a partir do serviço.

Os apóstolos para poder servir melhor a Palavra, escolhem sete homens para servir as mesas. O diácono está ligado ao bispo. Quanta ajuda ele pode dar no exercício do seu ministério que a cada dia apresenta novas exigências. É claro que são coisas que qualquer um pode fazer, mas é muito bom ter um grupo de homens consagrados, que partilham o sacramento da ordem com o bispo, formando com ele uma família. Diáconos permanentes têm suas esposas. Um grupo de mulheres que dividem o seu marido com a Igreja. O compromisso primeiro é o matrimonial, mas, na prática, nem sempre é assim.

Se quisermos um dia ter padres casados, acho interessante levar em conta a experiência dos nossos diáconos. Nas celebrações solenes, o fato de ter muitos ministros não celibatários ao redor do altar, no presbitério, vai acostumando o povo. O diácono lê o Evangelho na missa. Não é pouca coisa. Cercado por aleluias, incenso e velas, no momento em que é proclamado, o evangelho é o ponto alto da celebração da palavra. De quem proclama o Evangelho se espera uma vida vivida com coerência.

Não penso que a questão seja o que o diácono pode fazer ou não, mas sim como ele vai fazer as coisas que faz. Homem consagrado é um sinal sacramental para a Igreja ser o que ela é, servidora da humanidade. Que os diáconos sejam os promotores do serviço desinteressado. Quando nós tivermos um número maior de diáconos, teremos uma maior presença no mundo da Igreja hierárquica, e isto terá consequências. E para terminar diria que ter diáconos ou não, não é opcional. Na Igreja nós temos diáconos, presbíteros e bispos. Se faltar um dos três a Igreja está capenga.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO EMÉRITO DE MANAUS

JORNAL: EM TEMPO

Data de Publicação: 21 e 22.3.2020



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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