Arquidiocese de Manaus

Celebração e café com moradores de rua marcam abertura da Campanha da Fraternidade em Manaus

“Fraternidade e Vida: Dom e Vida” é o tema da campanha da Fraternidade 2020, cuja abertura aconteceu na quarta-feira de cinzas, dia 26 de fevereiro. Em Manaus, ocorreu uma celebração em frente a Igreja Nossa Senhor dos Remédios, às 9h, organizada pela Coordenação de Pastoral Arquidiocesana, juntamente com uma comissão composta por leigos e religiosas. A celebração foi precedida de um café partilhado oferecido à cerca de 600 moradores de rua, do qual também participaram bispos, padres e leigos de diversas pastorais.

O lema desta 56.a Campanha da Fraternidade foi inspirado na parábola do Bom Samaritano, que está em Lucas 10, 25-37: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. “A Campanha da Fraternidade ajudará os cristãos, durante a quaresma, a refletir seu comportamento pessoal, social e ecológico, visto que a experiência de conversão perpassa por transformar a indiferença em relação à dor do próximo por uma postura amorosa e solidária com as pessoas e a natureza”, afirmou Patrícia Cabral, presidente do Conselho de Leigos e Leigas e membro da comissão organizadora da CF 2020.

A presidência da celebração ficou a cargo do arcebispo metropolitano, Dom Leonardo Ulrich Steiner, e dos bispos auxiliares Dom José Albuquerque e Dom Edmilson Tadeu Canavarros. Inicialmente foi realizado um momento de perdão por todo o mal que já foi feito à vida; pela capacidade que todos temos em destruí-la; pela maldade, ódio e vingança que ainda estão presentes no coração humano; pela omissão diante da banalização da vida; pela destruição das belezas naturais; e por tantos outros pecados que agridem a vida.

Dom Leonardo falou aos presentes sobre o que é a vida, a sua importância, o sentido dela, e a necessidade de assumirmos o compromisso de cuidar dela e fazer com que outros também despertem para enxergar sua beleza e valorizá-la. “Quando falamos em fraternidade e vida, pensamos também na vida que nós não vemos, como a criança que está no ventre na mãe, são vemos mas é vida; o óvulo é vivo, a vida que não percebemos nos conflitos das dores de nossos irmãos ou não queremos ver é uma dor viva, que machuca, fere, e às vezes mata. A vida são as estrelas, o sol, a lua, as nuvens, as árvores, os nossos rios, a chuva. Tudo é vida. E se nós não cuidarmos da vida, daqui a pouco não teremos abrigo, nossas casas não serão suficientes.

Mas também a sua e a minha vida. Porque existo? Porque vivo? Qual o sentido da vida dos nossos irmãos e irmãs que vivem nas ruas de nossa cidade? Hoje demos café a eles, mas conseguimos dizer a eles que a vida é um dom? Mas só conseguiremos dizer isso se tivermos abraçado as nossas vidas como um dom, porque na fé aprendemos que a vida vai além do aqui e agora, que ela transcende, ela é mais do que vivemos com as dores e sofrimentos que enfrentamos. Se nós nos sentimos filhos e filhas de Deus, imagem e semelhança de Deus, como não abraçar nossa vida, como não amar e não repartir, ajudando os irmãos a apreciar e ver o valor da vida?”, explicou Dom Leonardo.

“Também temos o compromisso com o outro. Devemos amar o outro, servir e cuidar do outro. Temos o compromisso com aquele que está a beira de perder o dom da vida, mas também com os irmãos que perderam o sentido da vida, se mutilando, mergulhando nas drogas e no álcool, perderam o horizonte e não veem mais que a vida um dia vai ser para viver a plenitude com Deus. Essa campanha vai nos ajudar, se meditarmos e rezarmos, a perceber como é grande o viver, e como é grande viver cuidando dos outros. Só vamos perceber a plenitude da vida quando sairmos de nós mesmos. Vamos nesse tempo da quaresma pedir a Deus que nos dê a graça de viver bem”, enfatizou o arcebispo de Manaus.

Dom Tadeu falou sobre a quaresma e a importância desse período em que os cristãos se preparam para a Páscoa, com jejum, oração e atos de caridade, e nos ajudam no processo de conversão pessoal e social, uma caminhada pascal onde também tem a campanha da fraternidade, que nos pede conversão e solidariedade.

“Durante 40 dias a quaresma nos encaminha para a páscoa e ajuda-nos a reviver a experiência do povo de Deus que foi amadurecendo a sua fé durante a travessia no deserto. Ao longo de cinco domingos a palavra de Deus que nos é oferecida nos ajuda a aprofundar nossa vocação batismal, a entender a dimensão da nossa fé, que deve ser consciente e livre diante da proposta que Jesus nos faz. Também é caminho de conversão e reconciliação à medida que somos capazes de participar, na fé, no mistério de Cristo Jesus. Temos uma atitude concreta contra o consumismo, que impera em nossa sociedade, que é o Jejum, que é um autodomínio para cada um de nós: na alimentação, nas palavras, nos sentimentos, nos atos, e também é necessário sempre ouvir a palavra de Deus sempre viva e eficaz e com ela dedicar mais tempo à oração. A quaresma também é caminho da conversão e da fraternidade, desde o Concílio Vaticano II, a Igreja recorda que a penitência quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas externa e social. Um passo fundamental para a caminhada Pascal que é assumida por nós com a Campanha da Fraternidade que sempre nós pede conversão e solidariedade em situações muito concretas de nossa realidade, marcada pelo individualismo, competição desmedida, tirania do dinheiro, capitalismo selvagem e globalização da indiferença”, declarou Dom Tadeu.

Dom José ressaltou a importância das temáticas apresentadas pela Campanha da Fraternidade ao longo de 56 anos que ajudaram a colocar em pauta reflexões importantes para o crescimento da igreja, mas também para a busca de mudança e ações em favor de realidades difíceis.

“Temos a missão de evangelizar e a igreja existe para escutar a voz do mestre, Jesus, e diante da realidade em que estamos inseridos, superar os desafios e as dificuldades. A Campanha da Fraternidade sempre vai nos mostrar um aspecto da realidade que precisamos conhecer mais para converter-nos, para termos um olhar de fé, de esperança, de solidariedade. A CF é uma oportunidade para vencermos a indiferença, sentir a dor do outro e perceber que agir assim é a vontade de Deus pra nossa vida. Já são 56 anos em que acontece a CF em nosso país. Até 1984 tratávamos de temas eclesiais para ajudar a crescer na fé e no engajamento pastoral. A partir de 1985, os bispos do Brasil vem nos apresentando algumas realidades, com aspectos que precisamos nos dar conta, e não podemos nos calar, como a fome, a situação agrária, os menores, o negro, a comunicação, a mulher, o trabalho, a juventude, a moradia, família, política, encarcerados, subdesemprego, drogas, águas, saúde pública, tráfico humano, dentre outros, além das campanhas ecumênicas realizadas com outras igrejas cristãs, sempre trabalhando a questão da dignidade, exclusões sociais. Hoje iniciamos mais uma campanha e agradecemos a Deus por estar nos convocando para, a partir dessa realidade, propormos gestos concretos, individualmente ou em comunidade, para que de algum modo sejamos impulsionados a sermos solidários”, destacou Dom José.

O arcebispo emérito, Dom Sergio Eduardo Castriani, também esteve presente e foi acolhido com muito carinho pelo seu sucessor Dom Leonardo, pelos bispos auxiliares, padres e por todos os leigos presente. Ele tomou café junto com os bispos e assistiu de perto toda a celebração.

Ato concreto da Pastoral do Povo de Rua

Ao final da celebração, a coordenadora da Pastoral do Povo de Rua fez a entrega de um carrinho de pipoca, adquirido através do projeto Pipocas Solidárias, com o recurso vindo dos Amigos Missionários da Imaculada, da Itália. O contemplado foi Joel, um rapaz de 32 anos que morou nas ruas por oito anos, e hoje, depois do acompanhamento e formação para gerir seu pequeno negócio, está recuperando sua dignidade e hoje pode obter seu sustento e pagar o aluguel de uma moradia.

Conforme a coordenadora Natércia Navegantes, outros dois carrinhos serão dados a duas mulheres acompanhadas pela pastoral que estavam dormindo na praça em frente a Igreja dos Remédios. “Para adentrar o projeto é necessário ter toda a documentação junto à prefeitura para trabalhar de forma legalizada. Além do carrinho também há um fardamento que vai ser entregue a eles. Junto com o projeto Economia Solidária, a gente está dando acompanhamento para ele poder administrar o seu negócio”, afirmou Natércia.

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *