Arquidiocese de Manaus

Mensagem de Dom Sergio aos Agentes da Pastoral do Batismo

Mensagem na íntegra de Dom Sergio Castriani, Administrador Apostólico da Arquidiocese de Manaus, lida pelo Pe. Hudson Ribeiro, pároco da Igreja da Matriz, durante a Solenidade do Batismo do Senhor na manhã deste domingo  (12/1), onde na ocasião também foi realizado o III Encontrão com os Agentes da Pastoral do Batismo.

Caros Agentes da Pastoral do Batismo

É a terceira vez que os agentes da pastoral do batismo de toda a Arquidiocese se encontram para celebrar juntos a festa do batismo do Senhor. Já disse a vocês nas outras vezes o quanto aprecio o trabalho de vocês, nem sempre compreendido porque exigente. Os tempos mudam e é preciso ter clareza de objetivos para não perder o rumo.

A pastoral do batismo foi uma das primeiras que se organizou depois do Concilio. Ele tinha colocado em evidência o fato de que a Igreja é Povo de Deus e neste Povo todos temos direitos e deveres. O batismo é o sacramento que nos introduz neste Povo.

Quando afirma o protagonismo dos leigos reforça a vocação batismal de cada fiel. Ser batizado é entrar no mistério divino, a Santíssima Trindade, como filhos do Pai, e Templos do Espirito Santo. Renascidos pela graça o batizado e chamado a viver uma vida santa deixando para trás todos os vícios e pecados.

Esta vida nova é vivida na comunhão da Igreja. Somos parte uns dos outros. Há uma igualdade fundamental entre os membros da Igreja. As diferenças dentro do Povo de Deus só se justificam se forem para servir. Ela se organiza a partir do serviço.

Tudo muito bonito, mas o nosso povo católico, na sua grande maioria, via o batismo quase que exclusivamente sob a ótica de uma filiação divina individualista. O povo era batizado, mas não evangelizado. Era preciso fazer algo. Então foram organizados, praticamente em todas as paróquias do Brasil os cursos de batismo, que ainda hoje estão ai.

Infelizmente, ainda, a maioria dos pais que procuram o batismo para seus filhos tem muito pouca instrução religiosa, a maioria tendo parado na catequese de primeira comunhão. Ainda são necessários os cursos para um mínimo de compreensão da doutrina batismal e suas consequências morais para a vida familiar e social. Os cursos variavam de uma palestra até três dias inteiros. A celebração do batismo deixou de ser uma coisa individual e os batizados passaram a ser comunitários. Em geral as equipes se responsabilizavam também pela celebração.

Mas as coisas evoluem. Com uma maior consciência da dimensão catecumenal da vida cristã e diante da necessidade de um processo de iniciação cristã para todos os batizados a pastoral do batismo é chamada a renovar seus métodos.

Primeiro, que os cursos sejam cada vez menos cursos e cada vez mais encontros celebrativos onde um grupo de cristãos partilha a vida com outro sempre ao redor da Palavra proclamada. Que se estabeleça uma relação de amizade com os pais e padrinhos que se aproximam da Igreja.

O Sínodo da família, lembrou a toda a Igreja e ao mundo a beleza do amor matrimonial e exaltou o ideal de família cristã para a educação dos filhos. Mas, ao mesmo tempo lembrou de todas as situações especiais que as famílias vivem hoje. A Pastoral do Batismo não pode se transformar num tribunal que julga as pessoas, mas sim um porto seguro que ajuda as famílias a se tornarem Igreja a partir da realidade concreta que vivem. Neste sentido a pastoral do batismo se torna pastoral da acolhida e pastoral familiar. Toda pastoral mostra o rosto misericordioso do Pai.

De um agente de pastoral do batismo se espera então que seja uma pessoa de Igreja, amando-a nos seus membros. Sabe que quando está recebendo pais e padrinhos está recebendo membros da Igreja, que talvez não sejam participantes, mas que tem ao menos um retinho de chama que precisa ser avivada. Sabe que quando fala, fala em nome da Igreja e por isso estuda sempre a doutrina e participa das formações paroquiais e setoriais. Tem espirito de equipe. Gosta de trabalhar junto. É discreto com os problemas que encontra, não contando as coisas que lhe são ditas confidencialmente.

E agora um muito obrigado a vocês que nestes anos todos foram a minha voz nas comunidades. Admiro muito o sentido de lealdade pastoral e o esforço em cumprir as normas da Arquidiocese. Peço desculpas por não ter dado a atenção que vocês mereciam. Isto se deve ao fato de que nunca recebi reclamações de vocês. Sabia que estavam trabalhando e trabalhando bem.

Continuemos a nossa caminhada acreditando no que fazemos. A fidelidade alimenta a esperança e a esperança nos confirma no amor. Sim, porque é por amor que vocês dedicam seu melhor tempo os encontros de preparação para o batismo. Que Deus recompense as famílias de vocês por permitirem que trabalhem na obra de evangelização. Vamos continuar semeando, o Senhor se encarrega do resto.



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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