Arquidiocese de Manaus

A PADROEIRA – Artigo de Dom Sergio publicado no Em Tempo – 7 de dezembro

Celebrar a Imaculada na catedral de Manaus é uma graça que nos é concedida este ano de novo. Nos reunimos para o novenário, procissão e missa solene. A imensa multidão que se reúne no dia 8 de dezembro dá a medida da fé de nosso povo que se manifesta nas devoções marianas. Agora também se realiza a feira da solidariedade, tornado a festa da Matriz muito parecida com as festas do nosso interior, onde o arraial é parte integrante da festa dos santos padroeiros. Este ano marcado pelo sínodo da Amazônia, lembramos a maternidade de Maria em relação às populações amazônicas. As novenas foram momentos bonitos de confraternização e de acolhida das diversas expressões culturais de nosso povo. A catedral se transformou, nestes dias, na casa da mãe onde tudo é permitido desde que seja uma expressão do amor à Maria, a mãe de Jesus. A Catedral, durante o novenário lembra a criação, a casa comum de todos, ameaçada pela incúria e irresponsabilidade dos seus habitantes.

O desejo de paz invadiu os nossos corações e pedimos à mãe o fim da violência que campeia em nossos dias. Violência que começa em casa, com palavras duras que machucam a alma. Violência que continua no transporte público. Uma violência que humilha trabalhadores que começam o dia maltratados e tratados como animais. Todo o tempo corremos o risco de ser assaltados e temos medo dos outros, mesmo de conhecidos. É tão fácil morrer e matar não é difícil. Quando o Estado, que é o responsável pela integridade física de seus cidadãos, também mata e escolhe os que tem direito de viver, então a barbárie se instaurou entre nós e podemos ser todos destruídos.

Podemos procurar justificativas para o aumento da violência. O aumento da pobreza é uma das razões apontadas. Pessoas que experimentam a miséria e a fome deveriam ser mais violentas, no entanto, não são elas que cometem os crimes mais bárbaros. Ninguém nasce assassino. Se torna um assassino. As circunstâncias podem levar alguém tirar a vida do outro. Mas é o coração humano que degenerado permite tais barbaridades. Existem os senhores da morte, gente degenerada que só vê uma alternativa quando é contrariado: Matar. Há gente que se compraz vendo o outro sangrar na sua frente, sentido a sensação doce do poder. Enjaulados nas penitenciárias ou nos seus bunkers, ordenam a execução bárbara de desafetos ou de quem quer que seja que entre em seu caminho. Seria esta uma humanidade normal? Serão humanos? Não seria melhor eliminá-los?

Deus para consertar o mundo começou uma nova criação. Seu filho, o Verbo encarnado deveria entrar no mundo sem pecado. E assim ele preparou aquela que ia ser a mãe de seu filho preservando-a do pecado original. É ela a primeira das criaturas a sentir os efeitos da redenção que nos veio pela cruz de Jesus. E assim o Filho achou uma morada digna quando veio ao mundo. Nossa Senhora, como qualquer santo ou santa, tem duas missões na economia da salvação: interceder e ser exemplo. A Imaculada Conceição pode ser considerada um ícone da não violência. A virgem sem pecado é a verdadeira imagem de uma humanidade redimida que nos ansiamos por ver. Rezemos, rezemos o terço, para que Deus aprece o seu reino de paz e não violento.

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 7 e 8.12.2019


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