Arquidiocese de Manaus
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Pe. Pedro Gabriel, uma vida dedicada a servir ao próximo e realizar a obra de Deus

Por Érico Pena

Reprodução do artigo Vida e Fé, publicado no Informativo Arquidiocese em Notícias, em outubro de 2016.

No dia (1/9/2016) a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças, celebrou os 90 anos do seu antigo pároco, o padre Pedro Gabriel de Oliveira Neto, um dos padres mais idosos da Arquidiocese de Manaus e que desde sua infância já demonstrava sua vocação pelo sacerdócio, considerado pelos próprios bispos da arquidiocese como “a pedra forte”, “o bravo pescador de homens” e “testemunha viva da obra de Deus”

Nascido em 1926, na cidade de Senador Pompeu (CE), batizado no município de Maria Pereira (hoje Mombaça) com o nome de Pedro Gabriel em homenagem ao Santo do céu, o filho de João Pedro de Oliveira, agricultor, nascido em 1898 em Santana do Cariri (CE), e de Francisca Maria de Oliveira, dona de casa, nascida em 1894 em Quixeramobim (CE), desde pequeno foi obediente e trabalhador de sol a sol, buscando sempre amenizar a dor da fome, do cansaço e do calor com a oração.

Vivia na roça com os pais e aos 5 anos de idade, já ajudava ao pai nas plantações de milho e roçado para gado na fazenda de um senhor em Caraúbas, onde ficaram até 1931. Saindo desse trabalho foram para Oiticica (CE), onde trabalharam juntos com sua mãe nas terras de um Sr. Deda, que após um ano, cedeu um pedaço da terra para construir uma casa e plantar milho e roça para gado. Mas mesmo com a sua infância, trabalhando pesado para ajudar seus pais, já demonstrava sinais da sua vocação para missionário.

Nas brincadeiras com vizinhos e suas irmãs, era sempre o padre e celebrava as missas imitando os Sacerdotes de sua Igreja, pregando a palavra de Deus. Em 2 de Novembro de 1931, ao visitar um cemitério no município de Pau Branco em Senador Pompeu (CE), participou da celebração, onde sentiu o chamado vocacional, quando acompanhou de perto um sacerdote pregar para uma multidão. “Fiquei deslumbrado com os padres vestidos de preto e os coroinhas com roupas rendadas, celebração que não esqueço, ficou na minha memória”, comentou o padre ancião.

Em 1944, fugindo de uma grande seca migrou para o Amazonas por ocasião do Ciclo da Borracha com a sua família e mais cinco famílias vizinhas vindas de Fortaleza a Manaus em um navio. Fixa residência em Pacatuba, no Careiro da Várzea, onde trabalhou no plantio e cultivo da cana-de-açúcar e como soldado da borracha, onde ajudou na construção das estradas de ferro. Depois transfere sua residência para o Curari em Careiro da Várzea, onde trabalhou no plantio e colheita de juta as margens do Rio Solimões.

Em 1950 falece seu pai e torna-se arrimo de família, assumindo a responsabilidade por sua mãe e suas irmãs. Vindo para Manaus em julho de 1952 onde fixou residência no Beco do Macedo. Em 1954, com 22 anos, serve as forças armadas sendo da Polícia do Exército. Namorou uma moça chamada Francisca por dois anos, percebeu que não tinha vocação para administrar família, terminaram o namoro, isso em 1958.

Estudou o ensino fundamental e o ensino médio nas escolas Saldanha Marinho e Plácido Serrano. No Centro Social Nossa Senhora das Graças aprendeu a arte da marcenaria onde também exerceu a função. No Colégio Batista Ida Nelson de jardineiro e posteriormente de professor, sendo daquele educandário o primeiro paraninfo. Lecionou também nas escolas Ângelo Ramazotti e Colégio Estadual Castelo Branco.

Em 1969, participou da criação do Centro Social Nossa Senhora das Graças fundada pelo Pe. César DeFlorio La Rocca, onde tornou-se posteriormente presidente de 1979 à 2008. Em 1971 inicia seus estudos filosóficos e teológicos no Centro de Estudos do Comportamento Humano (CENESCH), concluídos em 1977 e 1978. Teve, como reitor, no Seminário São José, o abade Benedito D. Beda.

Em 5 de março de 1977 é ordenado Sacerdote Diocesano por Dom João de Souza Lima, arcebispo de Manaus na época, ladeado por Dom Milton Corrêa e Dom José, na igreja de Nossa Senhora das Graças no Beco do Macedo. No ano seguinte, é nomeado e empossado Pároco da mesma igreja onde foi empossado, atendendo ao pedido do bispo, onde ficou até 2008, quando se aposentou da vida sacerdotal em virtude de ser acometido das doenças de Parkinson e Alzheimer.

E foi assim, que um menino pobre do interior do Ceará, se tornou um homem rico do amor de Deus, servindo de exemplo para muitos seminaristas e padres, que sempre buscaram nele uma inspiração para seguir na caminhada cristã, foi um homem que realmente abraçou o sacerdócio e buscou servir a todos e, até hoje, mesmo um pouco debilitado pela doença, não cessou sua missão e atende a todos que ainda o procuram em busca de um conselho por meio do sacramento da confissão.

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