Arquidiocese de Manaus
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Emoção e reflexões marcam missa de corpo presente do pe. Pedro Gabriel

A emoção foi o sentimento que marcou a missa de corpo presente do padre diocesano Pedro Gabriel que faleceu na noite de 17 de outubro, aos 93 anos de idade. A celebração foi presidida por Dom Sergio Castriani, arcebispo de Manaus, e concelebrada pelos padres diocesanos e de congregações religiosa que estiveram presentes para fazer sua homenagem e orações ao irmão de sacerdócio que a muitos cativou em vida.

A missa aconteceu na Igreja Nossa Senhora das Graças (Beco do Macêdo) onde padre Pedro foi pároco por 30 anos e continuou residindo nas proximidades desta. Muitos amigos, paroquianos, familiares se fizeram presentes, preenchendo todo o templo mostrando o quanto este sacerdote era querido. (Confira aqui um pouco de sua biografia)

Na homilia lida pelo monsenhor Sabino Andrade, Dom Sergio falou o quanto sua atuação junto aos pequeninos foi importante e também alertou os irmãos no sacerdócio sobre a importância de viver a missão com maior intensidade e fidelidade.  “A vida do padre Pedro é um evangelho, no sentido de que comunica uma boa nova aos pobres. Sempre ativo e responsável, respondeu de forma admirável a sua vocação humana e cristã. […] Estamos aqui como irmãos no sacerdócio ministerial. A graça sacramental cria uma relação profunda entre nós. A morte de um dos nossos é para nós um apelo para viver o nosso sacerdócio mais intensamente e com maior fidelidade. Nos perguntamos sobre os valores do nosso comportamento e o que realmente evangeliza”, destacou o arcebispo.

Ao final da missa, Monsenhor Sabino realizou o rito das exéquias, na companhia de todos os padres presentes que rodearam o corpo o padre Pedro Gabriel. Após a bênção final, todos os presente se aproximaram para fazer suas últimas orações e homenagens.

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Leia a homilia na íntegra

Caros irmãos no sacerdócio,
Prezados familiares e amigos do Pe. Pedro,
Comunidade de Nossa Senhora das Graças,
Meus irmãos e minhas irmãs,

O funeral do nosso irmão mais velho acontece no dia em que fazemos memória de São Lucas, que foi escolhido por Deus para revelar em suas palavras e escritos o mistério de seu amor para com os pobres. A vida do nosso irmão não se entende fora desta perspectiva da fé num Deus que escolhe os pequenos deste mundo para realizar seu plano de amor e que ama os deserdados da terra.

A vida do padre Pedro é um evangelho, no sentido de que comunica uma boa nova aos pobres. Sempre ativo e responsável, respondeu de forma admirável a sua vocação humana e cristã. Nunca negou suas raízes nordestinas e familiares e teve a graça de terminar seus dias no meio de pessoas que o queriam bem e conservaram o ambiente familiar que ele sempre cultivou nas suas obras.

No evangelho de hoje os discípulos são enviados dois a dois. O verdadeiro evangelizador nunca faz nada só, mas se cerca de colaboradores. Quantas pessoas descobriram seus talentos nas suas obras sociais? Dar auto-estima para alguém é ganhá-lo para a vida social e para a igreja. A messe continua grande e faltam operários que coloquem o bem dos outros na frente do seu próprio bem.

Cordeiro no meio de lobos a maldade humana se faz presente, mas o amor é mais forte. Nos versos de São João da Cruz há um lugar que ele diz que ao entardecer do seu mortal viver será julgado pelo amor. A misericórdia triunfa do julgamento por causa do amor de Deus por nós, por causa do amor que existe entre nós.

Estamos aqui como irmãos no sacerdócio ministerial. A graça sacramental cria uma relação profunda entre nós. A morte de um dos nossos é para nós um apelo para viver o nosso sacerdócio mais intensamente e com maior fidelidade. Nos perguntamos sobre os valores do nosso comportamento e o que realmente evangeliza.

Em tempos de Sínodo da Amazônia é importante dar algumas respostas. Eu as tive nas poucas vezes que visitei o Pe. Pedro. Gastar tempo com o outro, para enxergar a ação dele na História onde todas as nossas histórias se cruzam. Como bom sacerdote demonstrava grande respeito pelos bispos e em particular pelo arcebispo. Tinha uma educação refinada no trato com as pessoas.

Deus lhe concedeu uma longa vida. Mesmo se hoje as pessoas vivem mais, chegar aos 93 anos ainda é um privilégio. Viver é graça e damos graças a Deus por tudo o que foi realizado por ele e através dele. Agradeço também em meu nome pessoal e em nome de toda a Igreja de Manaus as pessoas que estiveram mais próximas dele, no final de sua caminhada neste mundo.

O que importa é que Deus reina. Agora que o Pe. Pedro Gabriel já foi para o Reino definitivo, e já está na companhia dos santos, que venerou na terra, conviva com eles, mas não esqueça dos miseráveis desta terra.

Seu nome e seu exemplo estão inscritos em meio aos grandes nomes da caridade cristã: Santa Edwirges, São Vicente de Paulo, Madre Tereza de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres. É esta a companhia do Pe. Pedro e é este o desafio que ele nos deixa. Como fazer caridade concreta num mundo tão difícil e complicado onde a burocracia impede relações fraternas, e onde o medo da corrupção impede a atuação de gente honesta. Num mundo em que todos são suspeitos, surgem figuras como ele que conservam a ingenuidade de quem acredita no ser humano e está disposto a dar a vida por ele.

Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo!

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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