Arquidiocese de Manaus
Arquidiocese de Manaus

Ir. Danielle – Artigo publicado em 22/9/2019

A Comunidade de Nogueira fica à beira do lago de Tefé, e está situada num pedaço de praia, onde a natureza foi pródiga em beleza. No inverno amazônico a água cobre as areias da praia e facilita a chegada das catraias que transportam passageiros que vão de Tefé a Alvarães e vice e versa, e tem que atravessar o lago. A povoação vive da pesca, da roça, de serviço público e do salário dos aposentados. Até a pouco tempo todo mundo era católico, mas agora a presença pentecostal já é visível. O grande evento cultural e religioso continua a ser a festa do Divino. De Nogueira ainda sai um grupo com a coroa do Divino para rezar nas casas do lago. E retornam na véspera de Pentecostes para a festa que rola a noite inteira. A vida católica tem seus altos e baixos, mas sempre que celebrei ali a Igreja estava cheia. Uma vez queria celebrar no domingo de Páscoa de manhã. A catequista com muito realismo me disse: é melhor não, ninguém estará acordado neste dia. Não é difícil imaginar[DS1] qual o maior problema que as famílias enfrentam. O povo que mora ai é um povo bom. Talvez o fato de estarem num lugar de passagem levou as pessoas a serem muito comedidas nas relações, mas depois que essas são estabelecidas, são duradouras e sinceras[DS2] .

Neste domingo de setembro, em pleno verão amazônico Nogueira estará em festa. Uma de suas filhas, vai fazer a profissão perpétua na Congregação das Irmãs Pias Discípulas do Divino Metre. Estas irmãs vieram para Tefé há uns quinze anos atrás. Vinham com o projeto de formar liturgicamente os fiéis. E fizeram isto durante três anos. Qualquer reunião, encontro ou Assembleia as irmãs eram as responsáveis por fazer acontecer uma liturgia conforme o Concílio Vaticano II. Foi um sucesso a passagem das irmãs pela Prelazia. Disse uma vez que houve um antes e um depois da chegada das mesmas e da sua[DS3] atuação. Depois de três anos decidiu-se que elas iriam para Manaus para alargar o campo de sua atuação para todo o Regional Norte I da CNBB. Quando partiram levaram com elas a Ramilda e a Danielle, duas jovens que haviam conhecido e que com elas tinham feito um processo de discernimento vocacional. Uma delas volta hoje para a sua terra natal, para junto de seus amigos e familiares fazer a sua profissão perpétua.

As irmãs, religiosas de diferentes congregações, sempre estiveram presentes na vida amazônica. Professoras, enfermeiras, marcaram a vida de muitas pessoas e por causa da doação que faziam de suas vidas eram e são admiradas e respeitadas. Solteiras e sem filhos, tornaram-se as mães dos pobres desta terra. Mulheres que não vivem para si, mas para os outros numa vida de oração e trabalho. Agora Daniele é uma delas. Seguidoras de Jesus, vivem na liberdade que a renúncia oferece. Amam a vida e aqueles que foram chamados a viver, amam as pequenas coisas e os trabalhos humildes, permanecem femininas mesmo quando ocupam postos de responsabilidade. No convite ela colocou a razão da sua consagração a Deus: tudo por causa de um grande amor. O mundo ganha hoje, através da Igreja, um presente de Deus para que a vida continue a fazer o seu caminho no meio dos homens e das mulheres tão necessitados de amor.

DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *