Arquidiocese de Manaus
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25ª Edição do Grito dos Excluídos realiza a Romaria das Águas na travessia da Ponte Rio Negro

Neste dia 5 de setembro, dia da Amazônia, foi a data escolhida para a realização da 25ª Edição do Grito dos Excluídos, um evento organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Arquidiocese de Manaus, Cáritas, Pastorais Sociais, contando com a participação do Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani; do Bispo Auxiliar, Dom Tadeu Canavarros, além das paróquias, áreas missionárias, congregações religiosas, seminaristas, leigos, movimentos sociais, estudantis, indígenas, entre outros. Esse ano o evento trouxe como tema: Vida em primeiro lugar e o lema: “Este sistema não vale! Lutamos por Justiça, Direitos e Liberdade!”.

A concentração aconteceu às 16h na Rotatória do Cacau Pirêra, situada aproximadamente 1km após a Ponte Rio Negro, onde de lá, aproximadamente 3mil pessoas realizaram uma verdadeira Romaria das Águas, fazendo a travessia da ponte Rio Negro até o outro lado. Durante a caminhada foram realizadas reflexões sobre: a situação dos Povos Indígenas, Sínodo para Amazônia, Porto das Lajes, aumento no índice de suicídios, queimadas na Amazônia e mercantilização da água. De acordo com o Pe. Alcimar Araújo, vice-presidente da Cáritas de Manaus, a data escolhida, além de ser um feriado estadual, foi em virtude de ser o dia da Amazônia e o Grito está em Sintonia com o Sínodo da Amazônia.

“Há 25 anos, a igreja católica e os movimentos sociais se manifestam todo dia 7 de setembro, contra as insatisfações diante das injustiças e das políticas públicas que não chegam de modo suficiente à nossa população. Esse ano em especial nós viemos para a rua nos manifestar contra esse sistema que não vale, no dia da Amazônia porque a igreja está em plena discussão do Sínodo, ouvindo os povos oriundos da Amazônia, sobretudo os indígenas e os empobrecidos, por isso nós estamos na rua para lutar contra esse desenvolvimento que é predador do solo e da água, mata a floresta e promove as queimadas e isso é extremamente grave e é o tipo de ‘desenvolvimento’ que não queremos para nós, que não serve, principalmente para os povos que moram na Amazônia”, disse padre Alcimar.

E, mesmo com o sol escaldante, o público se fez presente e foi guerreiro enfrentando o calor do fim da tarde, se manifestando de forma pacífica com faixas, cartazes, bandeiras, soltando seu grito pela educação, saúde, segurança, emprego, moradia, saneamento básico, transporte e por diversos outros direitos que garantem a dignidade, os veículos de comunicação também se fizeram presente, entre eles a Rádio Rio Mar 103,5MHz, entrevistando os participantes e dando espaço para todos darem o seu grito em alto e bom som, por meio de palavras ou encenações. E, exatamente às 17h a Romaria teve início, fazendo a caminhada rumo à Ponte Jornalista Phelippe Daou, também conhecida como Ponte Rio Negro. Foi uma imagem bonita de se ver, os participantes tomaram conta de uma parte da pista, caminhando, cantando, confraternizando, enquanto que em cima do carro de som, os movimentos iam revezando fazendo a sua manifestação.

Todo o percurso foi realizado calmamente, sempre com o apoio e a presença da Polícia Militar, Detran e os agentes do Terço dos Homens que íam ajudando com o trânsito durante a caminhada, para que tudo corresse da melhor forma possível e em segurança. Equipes providenciaram pontos de distribuição de água onde os Romeiros podiam abastecer seu copo ou garrafinha e, ás 18h20 chegaram no início da Ponte, onde aconteceu uma breve parada para lembrar dos mártires que morreram em defesa da Amazônia, nesse momento foram acessas algumas velas e luzes dos celulares iluminaram o caminho enquanto adentravam lentamente na ponte. Vale lembrar que durante todo esse trajeto, Dom Sergio Castriani, mesmo com suas limitações, se fez presente caminhando firme e forte em meio ao povo fazendo o trajeto até o meio da Ponte, servindo de exemplo e incentivo à aqueles que queriam desistir de caminhar.

Por volta das 19h30 o povo chegou até o outro lado, onde novamente se reuniram para receberem as bênçãos de Pe. Alcimar que, de cima do carro de Som agradeceu a presença de todos e antes de finalizar foi dada a benção com a água geladinha do próprio Rio Negro e realizada a oração em conjunto do Pai Nosso, com todos de mãos dadas em sinal de união. “Nós vivemos e experimentamos situações de perdas de direitos e foi por causa dessas situações que hoje viemos realizar essa romaria, rezando, cantando, refletindo, para que nós possamos nos conscientizar de que todas as mudanças são possíveis por meio das nossas atitudes, da nossa presença enquanto cristãos leigos (as), religiosos (as), ou por meio das pastorais sociais e/ou de espiritualidade. Acredito e tenho certeza que todos que aqui estão, são compromissados com a igreja, e deram seu testemunho de vida durante essa caminhada”, disse Patrícia Cabral, Presidente do Conselho de Leigos da Arquidiocese de Manaus e membro da comissão organizadora do evento.



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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