Arquidiocese de Manaus
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CATEQUESE – Artigo do Arcebispo – Jornal Em Tempo – 25/8/2019

No itinerário de nossa vida de fé, aparecem muitas pessoas que no final das contas são responsáveis por nosso modo de viver a nossa relação com Deus e, consequentemente, a nossa relação com os irmãos. Todos temos pessoas de referência na nossa infância, na adolescência, na juventude e continuamos a ter, mesmo na terceira idade. Uma destas figuras costuma ser aquele ou aquela que nos preparou para a primeira comunhão e crisma e se fomos batizados a partir dos sete anos, também o nosso preparador do batismo. São os catequistas que fazem um trabalho fundamental na Igreja. São eles os responsáveis de transmitir a doutrina de forma que todo membro da Igreja saiba dar as razões de sua fé.

Esta tarefa exige conhecimento, fidelidade, comunhão de vida com os irmãos, vivência, testemunho e competência pedagógica. O catequista é um conhecedor das Sagradas Escrituras. Nem sempre foi assim, mas com a renovação da catequese, esta é a maior exigência para uma boa catequese, a centralidade das Sagradas Escrituras, enquanto contendoras da Palavra. A Bíblia é o livro número um e deve ser conhecido de acordo com a idade e desenvolvimento do catequisando. Catequistas devem saber teologia, ao menos as definições fundamentais da ciência teológica e da exegese bíblica. É claro que isto se vai aprendendo nos muitos cursos e encontros de formação ao longo da vida.

O catequista sabe que ele transmite um tesouro que não é seu. No Evangelho, Jesus contou parábolas que falam do administrador infiel. Fidelidade à Igreja, porque ninguém a inventa, nem a sua moral, nem a sua doutrina. O catequista é uma pessoa de comunhão. Gosta de estar junto aos irmãos. Faz um esforço para participar de congressos, simpósios e gincanas, gostando de estar em grupo. Suporta muitas vezes incompreensão, mas não deixa a comunidade que valoriza e defende, compreendendo que está na comunidade a força evangelizadora da Igreja.

É pessoa de oração, mais ainda é um mestre de oração, alguém que ensina a rezar e na catequese renovada a celebrar. Seus encontros de catequese não são aulas, mas celebrações. Dele se exige coerência de vida, participação nos sacramentos e comportamento coerente com a fé que professa. Não deixa de ser um professor que deve preparar as aulas, fabricar material pedagógico e dar atenção a cada catequisando. Enfrenta problemas de disciplina, conta com o apoio e acompanhamento dos pais, que muitas vezes se omitem.

A catequese em todos os níveis, de crianças até adultos é uma atividade essencial da comunidade. A liturgia, que celebra a fé, e a catequese, que transmite a fé, são dois pilares sem os quais não existe a Igreja. Não há catequese sem catequistas. Por isso, hoje a Igreja celebra o dia deles. Lembro da minha catequista de primeira comunhão que me fez descobrir as belezas da vida eclesial. Recordo tantas e tantos catequistas que encontrei no meu ministério presbiteral, gente que ama a Igreja e faz tudo pelos seus catequisados enfrentando, muitas vezes, a incompreensão, mas confiando em Jesus, o único mestre. Seduzidos por Ele vão em frente na missão de formar pessoas segundo o Evangelho

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS
JORNAL: AMAZONAS EM TEMPO
Data de Publicação: 25.8.2019


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