Arquidiocese de Manaus
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Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2018 é lançado em Manaus pela Pastoral da Terra

“A Igreja Católica tem uma pastoral que registra os conflitos no Brasil e se tornou uma referência em termos de memória, registro e toda essa conflitualidade que acontece no país”, essa foi uma afirmação do professor Ricardo Gilson, da Universidade Federal de Rondônia, durante o evento de lançamento da 34ª. Edição do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2018, realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Amazonas, na manhã do dia 16 de agosto, no auditório Mãe Paula, do Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus.

Em sua fala destacou que a Região Amazônica está sendo palco de conflitos de terra por falta de fiscalização do governo, impactando a vida de povos tradicionais que auxiliarm na manutenção de áreas protegidas. “Particularmente na Amazônia, nós estamos vivenciando um momento de invasão de áreas protegidas e impactam os territórios das comunidades tradicionais: povos indígenas, seringueiros, extrativistas, ribeirinhos e quilombolas. E essas invasões são patrocinadas pelo agronegócio, setor madereiro, que quer roubar a terra pública para desmatar para transformar a floresta em pastagem e plantação de grãos. Infelizmente é isso que eu tenho visto, enquanto pesquisador, em Rondônia, no Acre, no Amapá e no oeste do Pará”, explicou o professor Ricardo Gilson.

“Há uma discussão que se aponta como solução capitalista para a Amazônia Brasileira que significa desmatamento para transformar a floresta em e isso tem um impacto ecossistêmico muito grande. As áreas protegidas servem tanto às comunidades tradicionais, como à ecologia, à preservação do meio ambiente e dos ecossistemas que são fundamentais inclusive para a manutenção da floresta, da agricultura e dos recursos hídricos. Temos um processo de agressão por parte das grandes empresas, e os depoimento que recebemos apontam um total desrespeito aos direitos humanos e à defesa da natureza, como se não houvesse estado para fiscalizar mesmo as áreas protegidas e legalizadas, pois estas estão sendo invadidas, um escritório do crime que envolve conhecimento jurídico e geotecnológico”, destacou o professor Ricardo.

Dom José Ionilton, bispo da Prelazia de Itacoatiara e vice-presidente da Comissão Nacional da Pastoral da Terra, explicou que o caderno é uma memória do que não se é divulgado na mídia, mostra a realidade dos conflitos de terra e as muitas mortes que ocorrem. “Os conflitos são reais. Temos mortes no campo, mas que os meios de comunicação não dão espaço pra divulgar essa realidade. O caderno de conflitos no campo da CPT realmente faz memória, traz à luz, essa realidade que às vezes fica escondida nos quatro cantos do país com os trabalhadores e trabalhadoras no campo, os indígenas e ribeirinhos, todas essas pessoas que tentam se manter na terra e muitas vezes são forçados a deixá-la. E a CPT tem como missão estar do lado desses trabalhadores e ajudá-los a se manter na terra e quando há conflitos fica por perto para dar o apoio jurídico”, afirmou o vice-presidente da CPT Nacional.

O evento também foi espaço para dar voz a líderes de comunidades atingidas pelos conflitos de terra em Presidente Figueiredo, em Manaus, em Itacoatiara e em Parintins. Na ocasião, eles expuseram que sofrem agressões, ameaças de morte e tem suas casas e plantações destruídas por aqueles que querem tomar as áreas onde moram e trabalham há anos, muitas delas cedidas a eles pelo Incra.



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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