Arquidiocese de Manaus
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Pastoral da Juventude – Artigo do Arcebispo no Jornal em Tempo – 28/7/2019

Neste final de semana, acontece em Itacoatiara um encontro da Pastoral da Juventude. Trata-se de um encontro celebrativo. Há trinta e cinco anos atrás, quando Dom Gutemberg era presidente do Regional Norte I da CNBB, pela primeira vez houve uma articulação entre os grupos de jovens presentes nas dioceses e prelazias e que na época compreendiam todas as circunscrições eclesiásticas do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.

Até hoje uma das características da PJ é a sua organização. Quem não conhece se admira do número de siglas que indicam instâncias de decisão e de animação. Todas as decisões importantes devem ser respeitadas porque são fruto de demorados processos democráticos que muitas vezes parecem atrapalhar a ação evangelizadora e pastoral. A insistência em respeitar a organização revela-se, a longo prazo, uma força pedagógica na vida de jovens que se preparam para embates políticos, onde o respeito às regras é fundamental. Nas assembleias paroquiais ou diocesanas, nos partidos políticos, nos grêmios e clubes, enfim, lá onde as decisões são tomadas se reconhece um pejoteiro de longe. Ele questiona, argumenta, exige direitos, até o ponto de irritar quem dirige a reunião, ou a Instituição. Quando se organizam dão trabalho a quem gosta de manipular, quem já tem soluções prontas, quem exerce o poder de forma autoritária.

A primeira coisa que aprendi na PJ foi conduzir uma reunião. A insistência em fazer sempre uma ata, respeitar horários, dar a todos a oportunidade de falar, são atitudes básicas de cidadania e de respeito pelo outro e ao mesmo tempo que alimentam a auto-estima do jovem que aprende a falar, a argumentar e exige ser ouvido. O protagonismo é dos jovens que muitas vezes são ainda imaturos e aparentemente irresponsáveis. Não é fácil trabalhar com a PJ. Poucos adultos conseguem limitar-se a assessorar, facilmente caindo na tentação de coordenar.

PJ, no entanto, não é só organização. Ela é uma proposta de vida que implica atitudes novas, relações novas e uma postura diante da realidade que se revela profética. O pejoteiro está do lado dos pobres e dos excluídos da sociedade, seu olhar vê o sofrimento e o encara. Não pode fazer tudo, mas adota um estilo de vida que não escandaliza e nem aumenta o fosso entre ricos e pobres. Entende que o caminho da mudança social passa pela política e faz opção partidária, sem permanecer numa neutralidade conivente com o sistema.

Pejoteiros são pessoas alegres que cantam o que melhor existe na música popular, sabem curtir a vida nas festas de família e com os amigos. A PJ é lugar de grandes amizades, destas que duram uma vida. Mas PJ é antes de tudo seguimento de Jesus. Só Ele dá sentido aos sacrifícios que uma vida de compromisso traz. Renúncias, incompreensões, calúnias, não são nada diante do amor manifestado na cruz. É a paixão pelo Reino que motiva os compromissos pastorais, as relações com o diferente, a luta por moradia, saúde, educação e por um mundo limpo, não poluído, onde homens e mulheres possam viver em paz. Por tudo isto, quando me chamam de bispo pejoteiro, sinto de novo as energias juvenis, que são frutos do Espírito, e agradeço.


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