Arquidiocese de Manaus
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Mensagem do Arcebispo – IAN 165 – Julho 2019

Caros leitores e leitoras,

Este número da nossa revista Arquidiocese em Notícias quer despertar a solidariedade. Nossa Igreja na Amazônia é privilegiada pelos povos que dela fazem parte e pela riqueza cultural que aqui existe. É uma igreja cheia de vida e comprometida com as pessoas que partilham este pedaço do planeta tendo como casa comum o bioma amazônico. Por isso dói tanto ver a situação de muitas comunidades do interior abandonadas por todos, às vezes até por nós. Não é fácil ser ribeirinho. Tudo é complicado. Na vazante tudo seca e às vezes fica difícil ter água para beber. Na enchente tudo se perde e vai para debaixo da água. Mas há vantagens em morar na várzea e os que aí ficam se tornam os guardiões da floresta.
Onde há pessoas, a Igreja seguindo a ordem de Jesus deve estar. E aí estão os missionários e missionárias que em longas desobrigas sempre garantiram, ao menos esporadicamente a Eucaristia, a possibilidade de batizar as crianças e se casar na Igreja. Na maioria das vezes a Igreja era a única instituição de fora que chegava onde habitavam os povos da floresta. Junto com o material da missa ia a caixa de remédios, que significava a única esperança de cura para os pobres.
Ainda hoje há situações assim na nossa Arquidiocese. São comunidades que não tem condições de sustentar o padre e muito menos de financiar suas visitas. A pastoral se torna cara, e muitas vezes por falta de recursos as comunidades ficam abandonadas. No passado, vinha dinheiro das Igrejas de onde vinham os missionários. Veio muito dinheiro da Alemanha, Itália, Holanda, França, Estados Unidos, e foram feitas capelas, comprados remédios, construídos hospitais, escolas e até casas populares. O mundo mudou, e agora a responsabilidade é nossa. São irmãos nossos, tanto o povo como os missionários.
Primeiro é preciso conhecer a realidade para se comprometer com ela. Podemos ser solidários de diversas maneiras. A primeira é a oração. Rezar pelo povo ribeirinho e por aqueles que estão a seu serviço. Mas é preciso que colaboremos financeiramente. Tudo é mais caro no interior: a gasolina, a manutenção dos carros e das embarcações, as vindas dos missionários para reuniões e formação.
E continua para a nossa Igreja a evangelização das periferias. Quase todos os dias surge uma nova área de ocupação na cidade. Os problemas urbanos como a falta de segurança, a dificuldade do transporte se avolumam. O desemprego deixou mais pobres as nossas comunidades. Na maioria dos casos é só com a solidariedade de todos que se consegue dar os primeiros passos da implantação da Igreja num bairro. E somos solidários. Nos últimos anos o dízimo que as comunidades passam para a Arquidiocese possibilitou além do financiamento da formação presbiteral, do pagamento da côngrua de padres e bispos, da estrutura da cúria com seus funcionários e dependentes, da compra de terrenos e veículos, também o pagamento de agentes de pastoral e outras necessidades das comunidades menos favorecidas.
Formamos uma só Igreja. A responsabilidade pela evangelização e pelo cuidado pastoral é de todos. Ninguém pode ficar de fora. Mais que um dever, é um direito que temos de participar do esforço evangelizador da Igreja. Lembremos que a quem dá mais Deus espera que dê mais. Não se trata de dar esmola, mas de partilhar o que temos de mais precioso: a nossa fé. A fé surge da pregação, é alimentada pela ação pastoral e pelos sacramentos. Se faltarem operários a messe pode se perder. E operários precisam de salários e instrumentos de trabalho.
Em julho temos Nossa Senhora do Carmo. Era a devoção de minha mãe. Morreu invocando a Virgem do Carmelo. Temos também a festa de Joaquim e Ana, os avós de Jesus. Que eles intercedam pelos vovôs e vovós de nossas comunidades, para que seus netos lhes deem alegrias e não só preocupações, que sintam que são amados e queridos pelo que são. Nossa gratidão à Pastoral da Pessoa Idosa pelo bem que faz aos nossos irmãos e irmãs que já chegaram à terceira idade. Para muitos, julho é um mês de férias ou ao menos de um recesso. Se você está entre os privilegiados, tenha um bom descanso e não se esqueça de rezar mais. Um feliz julho para todos!

 

Dom Sergio Eduardo Castriani

Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Manaus



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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