Arquidiocese de Manaus
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Milhares de pessoas participam da solenidade de Pentecostes em Manaus

Sob o lema “Espírito Santo, liberta-nos pelo Direito e pela Justiça”, a Arquidiocese de Manaus realizou no dia 9 de junho, no Sambódromo, a Festa de Pentecostes que reuniu em torno de 80 mil pessoas para festejar a vinda do Espírito Santo que anima a igreja a seguir sempre viva evangelizando, olhando pelos mais pobres e excluídos e lutando para que todos tenham vida digna e abundante. Estiveram presentes cerca de 150 padres, 30 diáconos, 70 seminaristas, congregações religiosas, comunidades, movimentos, pastorais, serviços, toda a força viva de nossa Igreja.

O evento iniciou com animação sob a condução de Patrícia Cabral e Tell Menezes, e cantos entoados pelo grupo de música da Paróquia Santíssima Trindade e Banda Madrigal Sagrada Família.  Uma hora e meia de muita música para acolher os que chegavam e alegrar os que estava se organizando nas arquibancadas e na pista.

Mensagem sobre a proposta de reforma da previdência

Momentos antes de iniciar a celebração, o vice-presidente da Cáritas de Manaus proferiu algumas palavras em alerta a todos sobre a proposta que está em tramite no congresso  nacional referente à Igreja Católica vê-se diante de uma problemática e quer se pronunciar em favor, especialmente, dos mais pobres. Padre Alcimar, então, leu para os presentes trechos da mensagem escrita pela presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que consiste em um texto, aprovado pelo Conselho Permanente da entidade, em que os bispos elencam alguns pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, considerando que a mesma escolhe o caminho da exclusão social e convocam os cristãos a se mobilizarem para buscar o melhor para o povo brasileiro, principalmente os mais fragilizados. Enfatizou que tal sistema proposto não serve ao povo brasileiro, aos pobres que recebem um salário mínimo.

Liturgia apresenta símbolos de Ecologia Integral e políticas públicas

A Festa de Pentecostes também foi lugar para conscientizar os presentes sobre a importância de preservar a vida, de preservar a Amazônia, diante de um tempo em que o Papa nos alerta para o cuidado da casa comum, do planeta em que vivemos, cada um contribuindo com ações no dia a dia, como a geração de lixo, o uso consciente da água, a relação saudável entre o homem, os animais, a água, o ar, as plantas, etc.. E convoca a um sínodo para pensar novos caminhos de evangelização do povo de Deus que vive na Amazônia.

A preparação da liturgia ficou sob a responsabilidade do Setor Santa Rita de Cássia e do Serviço de Animação Litúrgica (SAL) da Arquidiocese de Manaus. A procissão de entrada foi precedida por quatro símbolos dentro da temática da Campanha da Fraternidade de 2019 que tratou de políticas públicas e o Sínodo para a Amazônia. Pe. Leudo Santos conduziu este momento iniciado com uma dança indígena, por índios que foram apresentar um pouco de sua cultura e representar os povos originários da Região Amazônica, ao mesmo tempo em que se aproximava do palco, onde foi montado o altar da celebração, um banner com o símbolo do Sínodo para a Amazônia.

Depois houve uma procissão com um banner em que estava estampada a imagem de Nossa Senhora da Amazônia, Mãe de Deus com traços do povo amazônico, conduzida por crianças do Projeto Iça da Cáritas Arquidiocesana, que trabalha no combate  ao abuso e exploração de crianças. Em seguida houve a entrada da bandeira do Divino Espírito Santo acompanhado de jovens do Setor Santa Rita de Cássia, sendo ela colocada no palco como parta da ornamentação, e, por último, o círio pascal que foi acompanhado de pessoas que representavam as diversas vertentes que precisam de políticas públicas (saúde, juventude, trabalhador, crianças, idosos, homens e mulheres, indígenas, dentre outros).

Na celebração eucarística houve a participação de leitores que representam um pouco a realidade atual, sendo a primeira leitura foi proclamada por uma venezuelana, representando o grande número de migrantes que se refugiam em Manaus, e na segunda leitura um deficiente visual leu em braile, destacando a inclusão dos deficientes dentro da nossa igreja. E, por fim, as preces trouxeram as temáticas da migração, inclusão, sínodo para a Amazônia e Políticas Públicas.

O coral que entoou os cânticos litúrgicos foi formado por 36 pessoas e 8 músicos, reunidos por integrantes do SAL e preparados e conduzidos pelo maestro Lucas.

 

A solenidade de Pentecostes

Ao final da tarde, iniciou a missa comentada por Padre Charles Cunha, e presidida pelo arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani, e concelebrada pelos bispos auxiliares Dom José Albuquerque e Dom Tadeu Canavarros, pelo bispo emérito Dom Mário Pasqualotto, e Monsenhor José Carlos Sabino, além dos mais de 150 padres atuantes na Arquidiocese de Manaus, auxiliados pel0 diácono transitório, o Frei Marcus Venicius, que fez a proclamação do Evangelho, representando os cerca de 30 diáconos presentes na solenidade.

“A Igreja é o ministério do bispo que nos congrega, que nos reúne, todos nós que estamos aqui nesse Centro de Convenções, nas mais diferentes realidades eclesiais que fazem parte da nossa Arquidiocese, toda essa multidão presente no Sambódromo e os que acompanharam pela Rádio  Rio Mar FM, pela Castanho FM e outras retransmissoras, os que estão assistindo pelas redes sociais, enfim, todos que fazem parte desta Igreja, reunidos nesta tarde pelo Espírito, estiveram congregados ao redor do ministério do bispo. É a pessoa de Dom Sergio Castriani que nos reúne neste dia, no seu ministério, no que ele significa para nós e na condução da nossa igreja de Manaus. Eu empresto a minha voz a ele, a palavra que li foi do Arcebispo, em que ele se dirige a seu povo”, afirmou padre Zenildo Lima momentos antes de ler a homilia preparada por Dom Sergio Castriani.

O arcebispo destacou a importância deste momento de reavivamento para a Igreja de Cristo, pelo Espírito Santo que é o paráclito consolador, mas também traz vida e vigor ao povo de Deus que clama por justiça, anseia pelos Dons que Deus nos dá para viver a paz, a alegria, o amor daqueles que escolhem servir e amar a Deus e ao próximo.

“Na força do Espírito somos um povo livre que sabe de onde vem, conhece a sua dignidade, e quer permanecer unido num só coração e uma só alma. A nossa alegria é imensa e vem de Deus. Ninguém pode tirá-la, ela é fruto da certeza que temos que um dia o direito e a justiça triunfarão porque Deus assim o quer e porque o pecado foi vencido na cruz quando Deus o ressuscitou e o constituiu Senhor e Messias….. A Igreja, sua obra maior neste mundo, anseia pelos seus dons para viver o grande dom da paz. Paz que é vida em abundância. Queremos paz nas nossas famílias, nas nossas comunidades, nos nossos bairros, na cidade, no estado, no país, no mundo. Acolhemos os migrantes vítimas da fome e da perseguição. Queremos sair da lógica da vingança e do encarceramento como único caminho para lidar com quem errou. Recusamos acreditar num sistema que só leva à morte. Queremos uma sociedade onde os direitos sociais não sejam deixados de lado quando está em jogo privilégios que fazem da distribuição de renda uma vergonha nacional”, destacou o arcebispo em sua homilia.

Confira a homilia na íntegra https://arquidiocesedemanaus.org.br/2019/06/10/festa-de-pentecostes-homilia-do-arcebispo-metropolitano-dom-sergio-castriani/

 

Educadores Ambientais

Para que este grande evento acontecesse centenas de pessoas foram envolvidas em diversos serviços (ornamentação, acolhida, liturgia, logística, animação, arrecadação de alimentos, dentre outros). Neste ano, a novidade foram os 200 Educadores Ambientais, que ao mesmo tempo que cuidaram da limpeza e manutenção do local, distribuíram saquinhos de lixo e orientaram os participantes sobre o cuidado com o meio ambiente, em sintonia com a Laudato Si, no contexto da Ecologia Integral, e o Sínodo para a Amazônia.

“Além da limpeza no Sambódromo, uma outra atividade que aconteceu foi o trabalho junto aos ambulantes na área externa do Sambódromo e os participantes da festa. A ideia principal é que eles sejam os primeiros a colaborar com a coleta diminuindo com isso o descarte indevido, ou seja, as pessoas se alimentam e depositam nos recipientes adequados e assim realizaremos um evento mais bonito, colocando em prática as orientações do Papa Francisco sobre o cuidado da nossa Casa Comum”, afirmou Patrícia Cabral, membro da organização do evento.

Arrecadação de alimentos

Neste ano, assim como ocorreu nas edições anteriores, todos os participantes foram convidados a doar um quilo de alimento não perecível que será recolhido pela Cáritas Arquidiocesana para ser dado aos mais necessitados, dentre eles os migrantes recém-chegados à Manaus. Ao todo foram arrecadados 10,4 mil quilos de alimentos.

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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