Arquidiocese de Manaus
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Pentecostes, de novo – Artigo publicado em 9/6/2019

Novamente a Igreja de Manaus reunir-se-á no Sambódromo para, numa Eucaristia festiva e solene, celebrar a vinda do Espírito Santo. As festas litúrgicas são cíclicas e voltam todos os anos com o mesmo ritual que nos faz viver o mistério da salvação. Ano após ano nos preparamos para celebrar a efusão do Espírito na novena de Pentecostes, que substituiu a festa do Divino. Nestas novenas reina a mais pura fraternidade e partilha, apesar da orientação para não dar comida aos peregrinos para não inibir os mais pobres e nem deixar constrangidos os que pouco ou nada tem para oferecer.

Em procissões a bandeira do Divino visitava as casas, exprimindo o desejo de proteção e a certeza da presença do Senhor. As grandes águas, com seus temporais, relâmpagos e todo o cortejo chamejante traziam o medo e o terror para dentro das vidas que assim conhecem a grandeza do Criador. A visita do Divino é festa do povo. E não falta dança e comida. Quando o forró toma conta e faz jus a origem do seu nome: “for all”, “para todos” em inglês, a igualdade e a comunhão vividos em forma pagã realça a comunhão dos criados à imagem e semelhança de Deus. As promessas são para dar de comer e beber até o sol raiar o que faz com que o dia encontre a muitos embriagados. Penso que esta tradição do Divino está na raiz da grande celebração de Pentecostes em Manaus.

É o Espírito Santo que dá a vida. Sem Ele tudo é morte e destruição. Ele é o Espírito criador e Jesus o mandou a nós depois de ir para o Pai como Defensor. Para o povo restam poucos defensores. Num mundo onde vence o mais forte e os fracos são humilhados a festa do Divino vem dar dignidade aos pobres que se transformam em personagens na folia. A coroa é de todos. Ela é levada como símbolo de poder junto com o cetro. Em geral ninguém vê nem um nem outro devido ao número de fitas que os agraciados colocam ao redor da coroa. A festa, hoje, é uma grande comemoração da vida e um grande grito profético que todos os anos, na esteira da campanha da fraternidade, ecoa na tarde de domingo. Este ano, a multidão vai pedir ao Espírito que ele venha instaurar a justiça e o direito, condições de uma vida digna para os filhos de Deus.

Nos dias que antecedem a festa cresce entre todos a consciência que esta festa é de todos e para todos. Com pouco dinheiro as comunidades tem que dar conta do evento. Os setores se organizam, mas também os movimentos. Desde o início do ano, a Coordenação de Pastoral já faz os contatos com as autoridades, para assegurar que tudo corra bem, para que, se houver algum imprevisto, haja ambulância por perto, assim como carro de bombeiros, dentre outros.
Pentecostes é a grande festa da fé que temos na Igreja. Onde ela está, Cristo está. E a Igreja que se reúne é uma Igreja jovem, cheia de energia, alegre, feliz por ter fé, com vontade de participar na construção da cidade terrena, porque esta é um prelúdio do céu. Neste dia, o coração se alarga e reencontramos os nossos desafetos. Diante do Espírito de Deus, o que ainda merece a nossa preocupação? Deixemos de lado tudo o que fere a nossa dignidade e a dos outros.

Dom Sergio Castriani,  Arcebispo Metropolitano de Manaus

 

PUBLICADO EM JORNAL EM TEMPO, 9/6/2019



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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