Arquidiocese de Manaus

O Fenômeno da Migração na Arquidiocese de Manaus

ROSANA NASCIMENTO – COORDENADORA ARQUIDIOCESANA DA PASTORAL DO MIGRANTE 

Há 27 anos as Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas chegaram a Manaus com o objetivo de iniciar as atividades da Pastoral do Migrante. Àquela época, o trabalho iniciou na periferia da cidade, acompanhando a população que vinha do interior do estado para a capital, o que nós chamamos de migração interna. Os agentes da pastoral, nesse período, acompanhavam algumas ocupações que aconteciam em Manaus, como Monte Sinai e Florestal, oferecendo aulas de reforço e curso pré-vestibular para os que pretendiam ingressar na universidade.

Com a intensificação dos conflitos na região da Tríplice Fronteira Brasil, Colômbia e Peru, as estratégias da Pastoral precisaram ser reelaboradas para que fosse possível acolher de maneira digna essa nova realidade que se apresentava, incluindo conhecer os critérios dos tratados internacionais dos quais o Brasil era signatário, isto é, fazia parte. Muitos colombianos e peruanos foram acompanhados nesse período, inclusive em seus processos de solicitação de refúgio junto ao governo brasileiro.

No ano de 2008, chegaram os Padres Missionários de São Carlos Borromeo Scalabrinianos que vieram para ajudar nas atividades da Pastoral do Migrante. Com eles iniciaram as celebrações em Espanhol, Inglês e Francês e a festa cultural dos migrantes ganhou endereço fixo: a Paróquia São Geraldo.

Em 2010, com o terremoto que abalou o Haiti, muitos hai- tianos vieram para o Brasil em busca de melhor qualidade de vida. As principais portas de entrada no Brasil eram as cidades de Tabatinga, no Amazonas, e Brasiléia, no Acre. O caminho até Manaus era difícil e perigoso fazendo com que muitos chegassem bastante debilitados e exaustos da viagem.

Estima-se que mais de 20 mil haitianos passaram por Manaus entre homens, mulheres e crianças, e destes aproximadamente 3,5 mil fixaram residência em Manaus. Muitos foram para as regiões sul e sudeste do país.

O intenso fluxo migratório dos haitianos ajudou na organização dos trabalhos que deu origem à nova Lei de Migrações, Lei nº 13445/2017, que substituiu o Estatuto do Estrangeiro de 1980.

Essa lei define os direitos e deveres do migrante e do visitante no Brasil e também estabelece normas de proteção ao brasileiro no exterior, entre outras coisas, a partir da ótica dos direitos humanos.

A Pastoral do Migrante neste período abriu várias frentes de trabalho e experimentou o amor de Deus agindo de modo muito concreto, pois muitas pessoas se apresentaram para ajudar. Foi possível estabelecer parcerias com muitas instituições que favoreciam o ensino da língua portuguesa, cursos de qualificação profissional e geração de renda, além de ajuda com doação de cestas básica, colchões, utensílios domésticos, botijas de gás etc. Celebrações eram realizadas nos canteiros das obras da copa (Ponte Rio Negro e Arena da Amazônia) onde muitos migrantes trabalhavam, inclusive mui- tos brasileiros de outras regiões.

Como resposta a essa realidade que se apresentava, nossa Arquidiocese, por ocasião da IX Assembleia Pastoral Arquidiocesana (APA), estabelece como uma de suas priori- dades a acolhida dos migrantes e indígenas. A partir deste desafio, inicia-se um trabalho sistemático da Pastoral do Migrante junto às paróquias, comunidades e áreas missioná- rias com objetivo de sensibilizar nosso povo complexidade e dimensão geográfica da cidade, mas como formiguinhas seguimos sem parar, pois acreditamos no que a Evangelli Gaudium (178, 188) nos pede, que não existe profissão de fé sem compromisso social e que precisamos nos envolver tanto na cooperação para resolver as questões estruturais da pobreza quanto nos gestos simples e diários de solidariedade para com as misérias muito concretas que encontramos.

No final de 2015, início de 2016 o fluxo migratório haitiano estava menos intenso, contudo, iniciou-se a diáspora venezuelana devido à forte crise na Venezuela. Nesta mesma época o contexto social e econômico do Brasil passava por mudanças, dificultando a integração dos migrantes na comunidade. Dados recentes (fevereiro de 2019) da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) mostram que 3,4 milhões de venezuelanos deixaram a Venezuela e que o Brasil é o 6º país em números de venezuelanos com aproximadamente 96 mil. Colômbia e Peru são, respectivamente, os países com maior número de venezuelanos: 1,1 milhão na Colômbia e 506 mil no Peru. Os dois Estados com maior incidência da migração venezuelana.

 

 



Por: Leomara Duarte



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