Arquidiocese de Manaus
Arquidiocese de Manaus

Migração e tráfico humano uma reflexão que deve se fazer presente no Sínodo para a Amazônia

Pe. Luis Miguel Modino

O Sínodo para a Amazônia está levando a Igreja e a sociedade da região a uma reflexão que parte da realidade local, numa tentativa de visibilizar aquilo que está presente na vida dos povos amazônicos. O processo sinodal também deve nos levar a refletir sobre a realidade dos migrantes e refugiados, presente desde sempre na vida desses povos. O Documento Preparatório, que tem servido como base no trabalho de escuta sinodal, fazendo uma leitura da realidade desde o ponto de vista histórico, nos diz que “as cidades da Amazônia cresceram muito rapidamente, e integraram muitos migrantes, forçosamente deslocados de suas terras, empurrados até as periferias dos grandes centros urbanos que avançam selva adentro”. Podemos afirmar que Manaus é um claro exemplo dessa chegada massiva de migrantes desde o interior do estado, do país, e de outros países, inclusive da própria Pan-Amazônia.

O mesmo documento explicita as causa dessa migração, “expulsos pela mineração ilegal e legal ou pela indústria de extração petroleira; são encurralados pela expansão da exploração da madeira e representam os mais flagelados pelos conflitos agrários e socioambientais”. A consequência dessa realidade é a geração de “desigualdades sociais”, nas cidades da Amazônia, que ao longo da história foi gerando “relações de subordinação, de violência política e institucional, aumento do consumo de álcool e drogas tanto nas cidades como nas comunidades, e representa uma ferida profunda nos corpos dos povos amazônicos”.

A chegada da população indígena nas cidades é uma realidade cada vez mais visível na Pan-Amazônia. Tem sedado um inchaço das cidades pan-amazônicas, até o ponto de que quase 80% da população da Amazônia vive no ambiente urbano. Hoje também nos encontramos com a realidade da migração trans-fronteiriça, com uma chegada massiva de migrantes venezuelanos, cada vez mais presentes nos diferentes países da Pan-Amazônia.

Como recolhe o Documento Preparatório, “em consequência desse fluxo migratório, cresce em toda a Amazônia uma atitude de xenofobia e de criminalização dos migrantes e deslocados”. Essa atitude tem dado “lugar à exploração dos povos da Amazônia, vítimas de mudança de valores decorrentes da economia mundial, na qual prevalece o valor lucrativo sobre a dignidade humana”.

Junto com a migração aparece o fenômeno do “tráfico de pessoas, especialmente o de mulheres, para fins de exploração sexual e comercial.

Elas perdem seu protagonismo nos processos de transformação social, econômica, cultural, ecológica, religiosa e política em suas comunidades”. Façamos possível que a reflexão sinodal nos ajude a tomar consciência dessa realidade e faça das nossas comunidades locais de acolhida para quem muitas vezes chega sem nada.



Por: Leomara Duarte



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *