Arquidiocese de Manaus

Fiorella e Rita Castro Monnin: Perseverança e fé na providência divina

Por Ana Paula Lourenço

Há 1 ano e 3 meses no Brasil, Fiorella Castro Monnin e sua mãe Rita Castro Monnin, são migrantes que saíram da Venezuela, em virtude da crise instalada em seu país. Chegaram

através de uma carona e sem pertence algum, com fé e perseverança, juntas buscaram o Brasil para trabalhar e cuidar da saúde, progredindo aos poucos, contado sempre com a providência divina que abriu caminhos e oportunidades

de trabalho para se manterem e ainda enviar recursos financeiros para o restante da família que permanece na Venezuela.

Elas residiam em Margarita, onde tinha tudo do bom e do melhor, podendo comprar alimentos de boa qualidade e importados. Rita criou seus seis filhos com muita fartura e também de forma muito protetora e fechada, preservando-os do contato com a

pobreza, proximidade com pessoas dependentes químicas e outras situações que considerava prejudicial, mas a crise na Venezuela fez com que tivessem uma reviravolta em suas vidas, e elas viveram experiências nunca imaginadas que as fizeram dar mais valor a tudo e amar todas as pessoas independente de sua condição.

Decidiram sair e tentar a vida em outra região, primeiro foram para uma zona de mineração, onde a moeda era o ouro e sem ele nem um prato de comida conseguiam. Depois decidiram cruzar a fronteira com o Brasil. Elas chegaram na cidade de Pacaraima, em Roraima, através de carona, depois seguiram para Manaus, ficando três me-

ses no abrigo localizado no bairro Santo Antônio e, depois, com o aluguel social, foram para um apartamento onde produzem os lanches e cafés que Fiorella vende nas ruas da Compensa, especialmente na Avenida Brasil.

providência e Deus as auxiliou, agraciando-as, colocando anjos em seus caminhos para orientar primeiramente qual melhor local para elas tentarem uma nova vida e depois aconselhar o que poderiam fazer para conseguir o dinheiro necessário para uma vida digna.

Afirmam que sempre se pegaram a Deus para buscar a força e a superação necessária para migrar para um outro país, apenas com a roupa do corpo e dependendo da solidariedade dos brasileiros. Garantem que aqui nunca se sentiram discriminadas, pelo contrário, elas se sentem brasileiras, pois o pai de Rita era brasileiro e há muitos anos migrou para a Venezuela. Aqui encontraram acolhida, apoio, orientação e solidariedade, tudo o que era necessário para iniciar uma nova vida, conseguir recursos para se manterem e enviarem dinheiro para os familiares que ficaram na Venezuela.

Rita é muito grata à Cáritas, à Pastoral do Migrante, aos irmãos católicos que as acolheram tão bem e auxiliaram nos primeiros passos em Manaus. “Bendita seja a Cáritas e tudo o que ela faz por nós e meus irmãos venezuelanos. Muita gente boa, gente bonita, gente de Deus que encontramos”, afirmou Rita.

Elas são de religião protestante, mas vão às missas na Paróquia São Geraldo, ajudam no canto quando chamadas pela Pastoral do Migrante e afirmam respeitar e amar muito Maria por ser a mãe de Jesus. São gratas pela ajuda, pelas doações que receberam para comer nos primeiros dias em que ficaram na rodoviária de Manaus e hoje realizam o mesmo gesto de solidariedade para com os que chegam. Elas fazem parte de um grupo que prepara e distribui sopa para os migrantes que chegam e ainda não possuem um direcionamento de onde fica.

Hoje, Rita vive a alegria de ter outra filha junto dela e dois netos que chegaram recentemente a Manaus. As duas garantem que não querem voltar para Venezuela e que vão trabalhar mais para conseguir uma casa maior e trazer mais 18 integrantes da família para morarem com elas e não se separarem mais.



Por: Leomara Duarte



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