Arquidiocese de Manaus
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Transfiguração do Senhor – Artigo de Dom Sergio (24/3/2019)

Olhar as estrelas do céu e contá-las se fosse capaz. Isto Deus ordenou a Abraão para que ele acreditasse na sua promessa. Um céu estrelado recorda-nos o poder criador de Deus. Um Deus que cria em abundância. No olhar da fé purificado pela palavra que alimenta o espírito, experimentamos a alegria que só a esperança e a confiança em Deus pode nos trazer. Abraão preparou um sacrifício para selar a Aliança com Deus. O detalhe das aves de rapina que vem sobre os cadáveres dos animais dá um ar de realismo à narrativa, mostrando como as coisas dos homens são passageiras. Mas Abrão está atento e mantém a dignidade do sacrifício. Foi necessário escurecer para que o fogo do céu viesse consumar o sacrifício. O mundo precisa de homens e mulheres que saibam contar estrelas e aponta caminhos de superação da dor que nos envolve a todos quando os violentos parecem dominar, conseguindo aterrorizar e amedrontar a todos.

Mas o Senhor é nossa luz e salvação, perante quem teremos medo? Mas há um risco que o Senhor se esqueça de nós e isto nos leva a pedir que ele não nos abandone e não nos afaste dele. O salmo termina dizendo: “Tem coragem espera no Senhor”. Na segunda leitura Paulo exorta aos Filipenses para que vivam firmes-nos Senhor e a não se comportarem como inimigos da cruz de Cristo. Somos chamados a viver das coisas do alto, somos cidadãos do céu. Como alguém que pode contemplar as estrelas do céu pode ter comportamentos que humilham o seu corpo? Também a doença nos humilha. Porém a grande esperança cristã nos diz que este nosso pobre corpo será transformado num corpo de glória. Só esta grande esperança pode dar paz aos nossos corações diante da destruição da vida por criminosos

Todo ano, no segundo domingo da quaresma, a Igreja proclama o Evangelho da transfiguração. Ela acontece num ambiente de oração. Jesus junto com Pedro, João e Tiago sobem a montanha para rezar. Poderia ser como outras vezes que Jesus foi só ou acompanhado à oração. Desta vez, porém, foi diferente, pois enquanto rezava seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Jesus conversa com Elias e Moisés. Pedro expressa o desejo de permanecer ali. Mas o mais importante é o que eles ouviram: “Este é o meu Filho, o escolhido, escutai o que ele diz”.

E o que ele nos diz neste tempo quaresmal tão marcado pela violência? “Amai os vossos inimigos e rezai pelos que vos perseguem. Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. Todas as palavras de Jesus foram ditas em público e todos puderam ouvi-las, e não só um pequeno grupo de iniciados. O Evangelho é um processo de iniciação a não violência desde a concepção virginal de Jesus até o fim dos tempos, quando a morte for vencida definitivamente. O discurso da não violência é eminentemente cristão. Nestes tempos difíceis, a transfiguração de Jesus vem nos dar a esperança que tira do nosso coração o medo e o desejo de vingança. Quaresma é tempo de iluminar a nossa mente e o nosso espírito, e o episódio da transfiguração é pura luz para quem acredita em Jesus.

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 24.03.2019



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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