Arquidiocese de Manaus
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Seis anos – Arcebispo comenta sobre a experiência de escrever para o Jornal Em Tempo

Seis anos atrás eu tomava posse como arcebispo de Manaus. Sucedia a um grande arcebispo, Dom Luiz Soares Vieira. Homem culto, membro da Academia Amazonense de Letras escrevia semanalmente para dois jornais da cidade. Seus artigos eram esperados e foram mais tarde publicados em livros. Não tinha vindo substituir Dom Luiz, mas ser seu sucessor e não era obrigado e nem devia querer fazer tudo que ele fazia, simplesmente porque não tinha capacidade para tanto. Mas aceitei o desafio de escrever os dois artigos semanais. Um dos jornais, alegando uma reestruturação no quadro de articulistas, gentilmente agradeceu a minha colaboração semanal e assim fiquei liberado. Mas o jornal Em Tempo quis continuar a oferecer um espaço para que o arcebispo metropolitano de Manaus expressasse a sua opinião. E assim começou esta relação minha com os leitores que já dura meia dúzia de anos.

O primeiro artigo tinha como título “As lições de uma renúncia”, e o segundo “Francisco, um nome que é um programa”. Estávamos vivendo o fato inusitado da renúncia de um papa, e a esperança que foi para todos a eleição do Cardeal Bergoglio como sucessor de Pedro. Daí para frente foram quase trezentos títulos que me possibilitaram exprimir minha opinião sobre os mais diferentes assuntos. Alguns repercutiram nacionalmente, outros foram homenagem a amigos, outros ainda foram fruto de sentimentos. Às vezes, foi difícil pensar num tema, outras era evidente a oportunidade de tratar um assunto. Não sou um profissional da escrita e tenho consciência que os meus escritos não tem um estilo e dificilmente podem ser classificados num gênero literário. Às vezes são crônicas, outras vezes parecem ser uma reportagem, outras ainda parecem cartas escritas a amigos. Eu mais aprendo do que ensino ao organizar ideias e procurar explicar as coisas para leitores conhecidos e desconhecidos. E claro que procuro escrever bonito. Uma leitura que agrade os sentidos terá mais chance de passar conteúdo.

Sou um operário da Palavra e vivo dela. Tenho respeito por ela e pelos meus leitores. A palavra escrita tem algo de magia. Uma vez escrita ela se torna independente do seu escritor e pode adquirir sentidos diferentes conforme o leitor. Manipular palavras é coisa de artista. Alguém me disse que este espaço é o meu púlpito semanal, para um público exigente e desconhecido que exige clareza, simplicidade e imaginação. O mais importante, porém, é o exercício da liberdade.

Sempre escrevi sobre o que quis e como quis. Sou profundamente agradecido por esta ajuda que me é oferecida no exercício do meu ministério episcopal por um meio de comunicação independente e secular. Não é mérito meu, mas da Igreja que tem uma doutrina e cuja fé tem um conteúdo que pode ser explicitado. O cristianismo é a religião do Verbo encarnado, da Palavra que se fez carne. Ter um espaço onde se pode escrever e assim falar à sociedade é um privilégio que poucos têm. Tenho consciência da responsabilidade que isto traz e me esforço para ocupar este lugar com a humildade que leva à sabedoria.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 24.2.2019

 


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