Arquidiocese de Manaus
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Libermann – Publicado no Jornal em Tempo de 3/2/2019

No dia 2 de fevereiro de 1852 morria em Paris, no momento em que a comunidade religiosa celebrava as vésperas, o Pe. Libermann com cinquenta anos de idade. Judeu, tonara-se católico na juventude. Candidato ao sacerdócio viu-se acometido de ataques epilépticos que o fizeram adiar a ordenação por muitos anos. Diretor espiritual deixava uma impressionante coletânea de cartas espirituais que o fazem um dos grandes mestres da espiritualidade francesa do século XIX. Fundador de uma congregação missionária que foi chamada a fundir-se na Congregação do Espírito Santo, em 1848. Restaura os Espiritanos, como são conhecidos os seus membros, dando ao grupo além de uma estratégia missionária, uma espiritualidade sólida e consistente que motivou a centenas de homens a deixar pátria e família na Europa e se colocarem a serviço dos povos que estavam sendo dominados pelos comerciantes e militares europeus, no tempo histórico da expansão capitalista colonial.

Alguns deles chegaram à Amazônia. Um pai amazonense de Jutaí, amigo de um espiritano deu o nome Libermann ao filho. E temos hoje um amazonense dos bons, que traz o seu nome. O século XIX foi o século das missões católicas e protestantes na África e na Ásia. No final do século XX, celebraram-se inúmeros centenários de Igrejas Africanas. Hoje o cristianismo faz parte do continente africano e tem raízes nas diferentes culturas. Libermann incutia nos seus missionários o respeito e o amor pelos africanos. Sem nunca ter ido à África, foi admirado e respeitado por heróis da libertação da África no momento em que ficaram independentes das nações europeias. Ser espiritano é refazer a experiência espiritual do fundador, que passa necessariamente por um amor à África. Isto levou os missionários a serem fatores do desenvolvimento. No Amazonas, uma de suas primeiras atividades, que não durou muito por razões políticas foi uma escola profissionalizante em Paricatuba.

Neste ano, na novena de preparação para a celebração do dia de sua morte, seus filhos espirituais, e eu sou um deles, fomos convidados a refletir a partir de pequenos trechos de suas cartas sobre a confiança total e absoluta que a alma cristã deve ter no Pai. Como pena frágil movida pelo vento, assim a alma cristã deve ser movida pelo Espírito de Deus. Mas uma das parábolas mais bonitas é a do óleo. Numa carta de 1839, ele escreve a um dirigido seu: descansai em Jesus, derramai diante dele a vossa alma como azeite; digo como azeite, ou seja, sem ruído, sem violência, com ternura, com amor muito suave e pacífico. Quanto barulho e ruído desnecessário na cultura moderna, um barulho que violenta o ouvinte, que merece respeito. Ternura, suavidade e paz são características de quem encontrou a razão de sua vida e pode estar tranquilo mesmo em meio a grandes tempestades. Para que a Igreja coloque seu nome entre os santos é preciso de um milagre por sua intercessão. O grande milagre porem já aconteceu nas vidas que sua influência transformou e sua doutrina espiritual alimentou. A humanidade deve muito a homens e mulheres como ele. Que Deus nos envie pessoas assim. Elas fazem a diferença.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 3.2.2019



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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