Arquidiocese de Manaus
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Padres e pobres

Neste domingo será ordenado mais um padre para a Arquidiocese de Manaus. Dia de ordenação é sempre um dia de festa. A alegria é grande e depois da ordenação, parentes, amigos e sobretudo os outros padres se reúnem para um almoço festivo. É um momento único na vida dos novos presbíteros que capricham bastante nesta recepção. Não seria diferente com o Pe. Hilton. Mas ao marcarmos a data da celebração vimos, no calendário da Arquidiocese, que este dia seria o Dia do Pobre. Esta comemoração foi instituída pelo Papa Francisco e está neste ano na sua segunda edição. Ela tem como finalidade dar visibilidade aos pobres que estão entre nós. Neste dia, somos convidados a reconhecê-los indo ao encontro deles trazendo-os para perto de nós.

Dentre outras ações neste domingo haverá um almoço oferecido às pessoas que vivem em situação de rua pelos grupos que tem atividades com eles sob a coordenação da Pastoral do Povo da Rua. Decidimos então que este almoço, que acontece depois da cerimônia, se transformaria numa confraternização do clero de Manaus com a população de rua de nossa cidade. Não sei dizer se a confraternização vai acontecer e quantos padres aceitarão o convite para almoçar com o povo da rua. Os que forem encontrarão pessoas que tem história. Se tiverem paciência para escutá-los descobrirão que estes homens e mulheres tiveram e tem sonhos e amores. E eles possivelmente descobrirão que os padres são seres humanos e se lembrarão de situações quando foram colocados para fora dos templos ou que foram vistos com desconfiança por estarem maltrapilhos e sujos. No final perceberemos que somos todos gente. Quando gente se encontra tudo pode acontecer.

Quando Jesus foi à sinagoga de Nazaré para iniciar seu ministério em Israel escolheu como texto fundante de sua homilia a trecho do profeta Isaías, em que o Messias se apresenta como aquele que traz uma boa notícia para os pobres. Os padres são hoje os homens desta boa notícia. O ministério sacerdotal está profundamente ligado ao mistério da cruz celebrado na Eucaristia. Ele está a serviço de um Deus que se fez homem e se humilhou a ponto de identificar-se com todos os humilhados da terra. Por isso, o lugar preferido do padre será sempre ao lado dos pobres. Não porque são melhores do ponto de vista moral que os outros homens, mas porque são pobres. O celibato tem também uma razão de ser no fato que o celibatário pode ser pobre.

É um fato que os pobres também procuram ajuda com os padres. Nas paróquias sempre existem pessoas vivendo da caridade. E quantas histórias de gente que enganou o padre, a ponto de se dizer que padre deve ser enganado mesmo. Espero que os padres aceitem o convite. Comer juntos é partilhar a vida que todos recebemos do mesmo Deus. É um sinal de que somos fundamentalmente iguais e que não é preciso deixar a rua para ser Igreja. O Povo da Rua também é Povo de Deus. Também tem seus direitos e um deles é a presença sacerdotal da Igreja de Jesus que se identificou com ele. Depois deste dia, oxalá aumente a nossa solidariedade e com ela a verdade de nossa fé.

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 18.11.2018



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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