Arquidiocese de Manaus
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Uma nova eleição

Estamos em outra eleição. O segundo turno tem características diferentes do primeiro e desta vez devido as opções do eleitorado no pleito tanto a nível estadual como federal as posições estão bem definidas. O povo brasileiro deu uma resposta a atual situação que o país vive.  Como estamos numa democracia, os eleitores se dividiram e isto é normal. Só em regimes totalitários e de partido único os presidentes são eleitos por unanimidade.

Nem bem a apuração tinha terminado e já começou a nova campanha que tende a ser dura. É preciso tomar cuidado com as palavras. Elas ferem e machucam. É muito fácil criar ressentimentos e estragar relações familiares, comunitárias e sociais. Não vale a pena. Por mais que a opinião do outro possas parecer errada, manipulada, retrógada, a serviço do grande capital, ou ateia, contra a vida, mentirosa, é só uma opinião. Por mais importante que seja uma eleição de um presidente, eles passam. Eu na minha vida já vi mais de quinze e confesso que não me lembro de nenhum deles de forma especial. Por outro lado, continuo a ter a minha família, a minha Igreja e os meus amigos, que muitas vezes estiveram em lados opostos ao meu.

É importante nesta hora cumprir a regra de ouro de toda religião; faça ao outro aquilo que você quer que ele faça para você e não trate os outros como você não gosta de ser tratado. Consideramos um direito à liberdade de opinião, respeitemos também a liberdade do outro. Queremos expressar nossas opiniões, os outros também. Existem regras e espaços civilizados para que isto aconteça. Em tempos de campanha os ânimos estão acirrados e é muito fácil perder as estribeiras. Não levemos tão a sério estas situações. As postagens nas redes sociais são a grande novidade em termos de campanha. Pode-se postar tudo. Isto faz com que gente que não teria coragem de dizer as coisas olho no olho, coloque nas redes sociais tudo o que pensa. Já vi amizades antigas terminarem por causa de uma postagem errada.

No segundo turno há uma pressão muito grande para que todos saiam de cima do muro, também a Igreja. E entenda-se a hierarquia, porque o Povo de Deus está em todos os partidos. E é claro que se espera que o bispo desça do muro do seu lado. Como cidadão é claro que o bispo fará a sua escolha, mas ele não deveria usar de sua autoridade religiosa para influenciar consciências. Mas nada impede que ele o faça.

Acredito no Brasil. Acredito no bom senso e na sabedoria popular. Minha impressão é que o povo sempre acerta. O problema começa depois das eleições. Promessas não cumpridas, conchavos feitos na calada da noite, corrupção e jogo de interesses levam os governantes a agirem de maneira criminosa e quem perde são, em geral, os mais pobres. Não vale a pena perder amigos, estragar relacionamentos preciosos por causa da política. O Congresso Nacional já está eleito e de certa forma já desenhamos o nosso futuro político. Seria muito bom conhecer um pouco melhor este poder que, já duas vezes, nestes tempos democráticos impediu dois presidentes de cumprirem seus mandatos. Viva o Brasil!

DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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