Arquidiocese de Manaus
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Remédios – Artigo Em Tempo – 9/9/2018

Hoje comemoramos a festa litúrgica de Nossa Senhora dos Remédios, com procissão e missa. Este ano a solenidade será maior por que a paróquia está celebrando duzentos anos de criação. Grande parte da história de Manaus foi vivida no entorno da praça recentemente restaurada. Bastaria a Faculdade de Direito, cujo prédio merece ser restaurado, não só pelo seu significado para a Academia e para as ciências jurídicas, mas pela beleza de sua arquitetura, para nos lembrar da importância histórica do lugar. São muitos os casarões que mereceriam ser restaurados. Teríamos um bairro capaz de atrair turistas exigentes. Infelizmente a revitalização do centro histórico parece não ser uma prioridade. Basta um olhar atento para imaginar quanta vida havia neste bairro portuário e comercial. Até hoje as grandes lojas de venda no atacado aí estão e o trânsito caótico durante os dias de semana dão a medida do quanto elas significam para a economia da cidade. No entanto o número de hotéis de alta rotatividade apontam para a decadência moral de um lugar que abrigou famílias tradicionais da cidade de Manaus. Na praça se reúnem os excluídos da sociedade, que encontram no álcool uma fuga da realidade que para muitos tem sido dura demais.

A paróquia está na encruzilhada da história. Guardiã da tradição deve responder às necessidades pastorais da população que mora no bairro, daqueles que por diversas razões vem de outras partes de cidade e a população flutuante que é formada desde aqueles que vivem na rua até os trabalhadores do comércio e os clientes das casas comerciais. Não podemos esquecer os funcionários e os profissionais do sexo que circulam pelos hotéis. O desafio é grande e está sendo enfrentado com dinamismo e coragem pelo pároco. Homem de convicções, dinâmico, de relacionamento fácil, culto e bem relacionado, começou por restaurar a beleza do Templo. A Igreja dos Remédios está cada vez mais bonita e digna. Mas ela não é um museu e o aumento da frequência das missas demonstra que a paróquia voltou a ser um lugar de repouso onde os peregrinos refazem as forças semanalmente e no meio do dia.

A paróquia também acolhe a Pastoral dos Migrantes, orientando aqueles que chegam em busca de emprego e moradia e que precisam de documentação, aprendizado da língua portuguesa e habilitação profissional. E tem mais. O Hospital Beneficente Português está na jurisdição da paróquia, bem como escolas públicas e particulares como o Colégio Santa Dorotéia. Nos becos ainda mora muita gente. Por isso, longe de só ter um passado a ser lembrado, esta porção da Arquidiocese tem um presente desafiador e um futuro promissor. A padroeira tem o remédio que cura as feridas da alma que são mais dolorosas que as do corpo. O remédio é o Evangelho que é vivido em primeiro lugar na acolhida. Que todos, a começar dos mais pobres, encontrem refúgio na casa da Mãe das Misericórdias. O grande desafio será ser uma Igreja em saída, que vai ao encontro das pessoas que vivem e circulam neste microcosmos que aí se formou. Aí está o mundo que Deus tanto ama e que nós amamos também. Só pessoas apaixonadas pelo humano evangelizam de verdade e esta paixão não nos falta.

 

ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS

PUBLICADO NO JORNAL EM TEMPO

DIA: 9.9.2018



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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