Arquidiocese de Manaus
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24º edição do Grito dos Excluídos reúne cerca de 3 mil pessoas clamando pela paz e pelo fim dos privilégios

O dia 7 de setembro mais uma vez foi marcado não apenas por ser o dia em que se comemora a Independência do Brasil, mas também por ser a data escolhida em que se realiza mais uma edição do Grito dos Excluídos, um evento que acontece em todo país há 24 anos e que esse ano teve como tema “Vida em Primeiro Lugar”, e lema “Desigualdade gera violência: basta de privilégio”. O evento é organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Arquidiocese de Manaus, Cáritas, Pastorais Sociais, contando com a participação das paróquias, áreas missionárias, congregações religiosas, seminaristas, leigos, movimentos sociais, estudantis, indígenas, entre outros.

A edição desse ano foi realizada no Conjunto Viver Melhor – Etapa 1, com concentração a partir das 8h, na Igreja da Comunidade de Santa Clara de Assis, pertencente à Área Missionária São João XXIII, do Setor Pe. Ruggero Ruvoletto. O Grito visa dar voz e vez aqueles que são excluídos e marginalizados pela sociedade e tem como objetivo geral, valorizar a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor, pedindo por direitos que garantam vida digna a todos, que muitas vezes sequer possuem direitos básicos como saúde, educação, moradia, segurança; construindo ações a fim de fortalecer e mobilizar a classe trabalhadora nas lutas populares.

Segundo o diácono Afonso Brito, coordenador de projetos da Cáritas Arquidiocesana, o local foi escolhido por ser um conjunto habitacional construído para os pobres, mas não foram disponibilizados aos moradores serviços básicos, daí a oportunidade de aproveitar o momento para chamar a atenção dos candidatos que estão em campanha política para que possam pensam em implementar mais políticas públicas e olhar para essa realidade presente em nossa cidade. “O Grito quer dar essa possibilidade de mostrar aos nossos candidatos, aquilo que estamos precisando, por isso, hoje no Brasil todo estamos fazendo essa grande manifestação, não só com a participação de todos da Arquidiocese de Manaus, mas também com temáticas pertinentes a toda sociedade civil”, disse o diácono.

Em meio aos encontros dos grupos que se manifestaram de forma pacífica com faixas, cartazes, bandeiras, soltando seu grito pela paz, educação, saúde, segurança, emprego, moradia, saneamento básico, transporte e por diversos outros direitos que garantem a dignidade, os veículos de comunicação também se fizeram presente, entrevistando os participantes e dando espaço para todos darem o seu grito em alto e bom som. A Rádio Rio Mar 103,5Mhz, grande parceira dos eventos da Igreja, participou fazendo entrevistas ao vivo, inclusive com o Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani. “Todos nós sabemos que a exclusão existe, mas a causa de exclusão são os privilégios que alguns têm perante outros. Há lugares que as pessoas não abrem mão dos altos salários, de vários bens e o Viver Melhor é uma grande esperança, mas não mudou nada no meio da sociedade onde está inserido, porque a estrutura social é injusta, só visa o capital e o lucro e esquecem de cuidar de quem realmente precisa e assim vão causando a exclusão”, comentou o arcebispo durante a entrevista.

A caminhada

Por volta das 8h30, foi realizada a abertura oficial, seguida de momentos de apresentação do Grupo MCJ/PIAJ – Projeto Cáritas, manifestando de forma lúdica alguns problemas da nossa cidade; Grupo Sementinha, da Área Missionária Santa Helena e uma breve Celebração para dar a benção a todos que estavam a postos para caminhar. O trajeto da Comunidade de Santa Clara até a Comunidade Sagrada Família, também pertencente à Área Missionária São João XXIII, durou um pouco mais de uma hora e teve cerca de sete paradas com momentos de reflexão realizados por representantes de setor, pastoral e movimentos.

Aproximadamente 3km separava uma comunidade da outra e, durante a peregrinação, os manifestantes fizeram as seguintes reflexões: 1º Parada – Democratizar a Comunicação, com Setor Centro Histórico; 2º Parada – Direitos Básicos, com a Pastoral da Criança; 3º Parada – Estado Fomentador da Violência, com o Setor Alvorada; 4º Parada – Que projeto de país desejamos? Que estado queremos?, com a CEB´s; 5º Parada – Participação política e emancipação popular, com o Setor Maria Mãe da Igreja; 6º Parada – Unir generosas/os nas ruas, com Setor José Leste/Povo de Rua; 7º Uma ecologia integral, com setor Padre Pedro Vignola. Em todas as paradas eram pontuadas com místicas e dinâmicas que chamavam atenção para o tema abordado nesta edição.

Por volta das 11h e já com todos reunidos em frente à igreja da Comunidade Sagrada Família, foi realizado o último momento de reflexão e na sequência, Monsenhor Sabino deu a benção final para os participantes, relembrando que o Grito não é apenas aquele momento, mas que deve acontecer todos os dias. Para Pe. Orlando Barbosa, vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana, o evento foi muito positivo e uma semente foi lançada. “O Grito vem marcar um basta aos privilégios e esse foi um momento importante para trazer em pauta, todos os gritos de defesa dos direitos que a gente já conquistou e passamos pela possibilidade de perde-los. O número de pessoas que foram mobilizadas, mostra que uma semente foi plantada e nos dá a vitória de continuarmos perseverantes lutando pelos direitos de todos os cidadãos”, disse Pe. Orlando.

Mais sobre o Grito

A proposta do Grito surgiu no Brasil no ano de 1994 e o 1º Grito dos Excluídos foi realizado em setembro de 1995, com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas.

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. O Grito é uma descoberta, uma vez que agentes e lideranças apenas abrem um canal para que o Grito sufocado venha a público.

O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade. O Grito não tem um “dono”, não é da Igreja, do Sindicato, da Pastoral; não se caracteriza por discursos de lideranças, nem pela centralização dos seus atos; o ecumenismo é vivido na prática das lutas, pois entendemos que os momentos e celebrações ecumênicas são importantes para fortalecer o compromisso.

 



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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