Arquidiocese de Manaus
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Sínodo para a Amazônia é tema de Mesa Redonda no Seminário Cláudio Perani

Aproximadamente 150 pessoas, entre religiosos e leigos, participaram na manhã desta quinta-feira (9/8) da Roda de Conversa sobre o Sínodo para a Amazônia: possibilidade e limite na Igreja hoje. O evento, realizado no ITEPES (Instituto de Teologia Pastoral e Ensino Superior) faz parte do Seminário Cláudio Perani, que tem como tema “Legado Profético – Desafios e Perspectivas”, relizado pelo SARES (Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental) em parceria com a Equipe Itinerante Intercongregacional e Interinstitucional e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), e vai ocorrer entre os dias 8 e 11 de agosto.

O Seminário teve sua abertura na Catedral Metropolitana de Manaus, com Dom Luiz Soares Viera, bispo emérito da Arquidiocese de Manaus presidindo a celebração cheia de muitas homenagens.  Também estiveram presentes o arcebispo Dom Sérgio Castriani, o bispo auxiliar Dom Tadeu Canavarros, Frei Agostinho Odorizzi, Pe. Zenildo Lima (Diretor do Seminário São José de Manaus), Pe. Luiz Souza (Assessor do Apostolado da Oração da Arquidiocese de Manaus), Pe. Joaquim Hudson S. Ribeiro (Pároco da Catedral Metropolitana), Monsenhor Sabino, Diácono Nonato Soares e os jesuítas que atuam na cidade, além do delegado da Preferência Apostólica Amazônia, Pe. David Romero, SJ, e os superiores dos núcleos apostólicos das comunidades jesuítas na região: Pe. Bruno Schizzerotto, SJ, Pe. Emílio Moreira, SJ e Pe. Vanildo Pereira, SJ.

Durante a mesa redonda, foram debatidos novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico.Entre os participantes estiveram: o salesiano indígena Justino Sarmento Rezende, assessor do Sínodo da Amazônia; Francinara Martins, Coordenadora Geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); Marcivana Rodrigues Paiva, representante da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno(COPIME); Francisco Loebens, Membro do Conselho Indiginista Missionário (CIMI); Pe. Ricardo Castro, Diretor do ITEPES e Pe. Paulo Tadeu, coordenador do SARES. A mediação foi feita por Patrícia Cabral, das CEBs do Brasil e Presidenta do Conselho do Laicato da Arquidiocese de Manaus, que apresentava cada palestrante.

“Cláudio Perani era missionário Italiano, mas era uma pessoa profundamente identificado com o povo brasileiro, pensava a Amazônia como um dom de Deus para a humanidade. Ele não chegou a conhecer o Papa Francisco, mas muitos dizem que ele foi o precursor do pensamento do Santo Papa e esse seminário é um momento de a gente recordar a sua caminhada, celebrando a vida e a esperança, pensando no nosso Sinôdo, ouvir, refletir, dialogar e estamos felizes por ter reunindo um bom número de pessoas não só do Amazonas, mas de outros estados que também vieram prestigiar, inclusive a irmã e a sobrinha do Pe. Cláudio também estão aqui”, disse Pe. Paulo Tadeu.

Pe. Ricardo relembrou o tempo que trabalhou junto com Pe. Claudio na equipe do SARES. “Durante três anos trabalhei com Pe. Cláudio em curso de formação do SARES, um projeto que ele foi o fundador. Aprendemos com ele a metodologia da escuta e de apresentar questões para o povo debaterem, uma metodologia baseada, na vivencia e ação prática. Hoje na Amazônia a gente tem carência de testemunhos e modelos, e precisamos refletir na história de nossos mártires, que nos ajuda a resgatar o legado, para a gente aprender resistir e reinventar aquilo que a gente precisa falar no momento presente e também para o futuro”, comentou o diretor do ITEPES.

Sem dúvida um dos momentos mais aguardados da mesa redonda, foi a fala do Pe. Justino Sarmento Rezende, indígena do povo Tuyuca escolhido pelo vaticano para ser assessor do Sínodo da Amazônia. Com seu jeito espontâneo e descontraído, Pe. Justino falou abertamente sobre a realidade da Amazônia que vivemos e deixou bem claro a mensagem que só quem pode achar novos caminhos para a Igreja da Amazônia é quem mora nela. “O Sínodo para dar visibilidade a Amazônia, para que o mundo comece a escutar a sabedoria dos povos. Para mostrar ao mundo que o projeto de Deus já está semeado no coração da Amazônia”, disse Pe. Justino

Quem foi Pe. Cláudio Perani?

Padre Cláudio Perani nasceu em Bergamo, na Itália, em 1932. No Brasil, o jesuíta foi um importante teólogo e defensor das causas dos trabalhadores. Ele foi um dos fundadores do CEAS (Centro de Estudos e Ação Social), em Salvador (BA), e da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Além disso, foi figura importante no processo de redemocratização do País, na época da ditatura militar. Em 2018, fazemos memória dos 10 anos de sua Páscoa. 

Na Amazônia dedicou 14 anos de sua vida, foi o primeiro Superior na região, no período de fundação do Distrito dos Jesuítas da Amazônia, hoje já extinto. Ele sempre foi muito envolvido no campo social e defendia a importância de propor formação e experiências profundas de encarnação nas diversas realidades amazônicas, aliando ação e reflexão. Com sua intuição foi dando pistas, desde o início, que a atuação na Amazônia é marcada por inúmeros desafios que envolvem megaprojetos, desmatamento, disputada de terras, diversidade de povos e línguas, e que por isso precisa ser sentida e analisada de maneira muito concreta e com “pés no chão” literalmente. 

Os traços pessoais do Pe. Cláudio Perani não deixam dúvida que era alguém que gostava de estar com o povo. Ele fazia uma análise da realidade bastante minuciosa e de muito discernimento, sempre em defesa da Amazônia e de seus povos.

A programação dos outros dias 

10 de Agosto – Sexta-feira

7 h – Café 7:30 h – Mística no Igarapé

8:30 h – Apresentação dos depoimentos e textos

10 h – Intervalo para o lanche

10:30 h – Apresentação dos depoimentos e textos

12 h – Almoço

14 h – Apresentação de experiências e exposição de vídeos

16 h – Lanche

16:30 h – Apresentação de experiências, exposição de vídeos

 19 h – Jantar

20 h – Celebração da memória (Projetos, fotos, músicas) – Qual legado que ficou nos nossos trabalhos?

11 de Agosto – Sábado

7 h – Café

8 h – Mística: Plantio concreto (tocar na terra) – Quais são as sementes que o Pe. Claudio Perani, sj nos deixou?

9 h – Qual é a contribuição do seminário para o Sínodo? (Perspectivas)

10 h – Lanche

10:20 h – Trabalho de grupo – recolher as sementes

12 h – Almoço

 



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



One comment on “Sínodo para a Amazônia é tema de Mesa Redonda no Seminário Cláudio Perani”

  • Patricia Cabral disse:

    Não tiver a oportunidade de conviver muito tempo com padre Cláudio quando comecei a participar do SOARES foi próximo a época de sua doença mas vivenciando a partilha na mesa redonda e na chácara do Xare a presença dele é muito viva e seu legado muitoatual para nossa realidade. Uma vivência de uma igreja com uma diversidade muito grande de carismas e povos e o pedido de contemplarmos estás realidades, de nos deixar envolver, ouvir, semear sem se preocupar com os resultados imediatos…isso nos remete a que vivência estamos fazendo hoje em nossa Amazônia? Duas Campanhas da Fraternidades, REPAM e agora o Sínodo para a Amazônia. Somos hoje os protagonistas da transformação e o que estamos fazendo?

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