Arquidiocese de Manaus
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Família, comunidade, oração e alegria

Estávamos reunidos para celebrar o aniversário de ordenação de quatro diáconos permanentes de nossa Arquidiocese. Junto com suas esposas eles iniciaram a procissão de entrada de uma bela celebração. A capela se tornou pequena para o grande número de comunitários que vieram prestigiar o evento. O ambiente era de festa. Na homilia o padre lembrou o clima de violência que reina hoje na nossa cidade e como é importante reagir e não permitir que nos roubem a esperança. Ao discorrer sobre a vida de um dos diáconos disse que quatro palavras podiam sintetizar a sua vida: família, comunidade, oração e alegria. Creio eu que estas palavras podem nos ajudar a ter um rumo na superação da violência, ou ao menos nos ajudam a conviver com ela sem perdermos a dignidade e a alegria de viver.

Em tempos difíceis o nosso, o único refúgio seguro é a família. Os laços familiares muitas vezes são os últimos que nos restam. É necessário então reforçá-los, gastando tempo com os filhos, dando maior atenção aos pais, criando um ambiente de respeito dentro de casa. O lar deve voltar a ser um santuário onde não se escutam palavrões, onde se pede a bênção dos mais velhos, onde se aprende a partilhar. É necessário voltar a sentar-se à mesa para as refeições, sobretudo nos dias festivos e nos domingos. Que bom seria se voltássemos a rezar juntos em família. É preciso fazer um esforço para eliminar toda violência nas relações familiares, em primeiro lugar a violência verbal. A nossa casa deve ser um porto seguro onde gostamos de estar.

As comunidades são o espaço onde se vive a fraternidade. Aí se experimenta uma vida nova que alarga os nossos horizontes. Convivemos com pessoas diferentes partilhando a mesma fé e esperança. Nelas vivemos o sonho de uma sociedade justa e fraterna e podemos continuar a acreditar que um outro mundo é possível. É triste quando as comunidades reproduzem o mundo ao redor, perdendo a sua força e sua razão de ser. A terceira palavra foi a oração. Rezar é reconhecer que a vida não nos pertence e que há um criador de todas as coisas, que ainda tem interesse nas suas criaturas. Não somos donos de nada e de ninguém. Os bens que recebemos devem ser utilizados para o glória de Deus e para o bem daqueles que nos são próximos. A oração nos dá a certeza da proximidade de Deus e da necessidade de fazermos a sua vontade para que o reino venha.

Tudo isto deve ser vivido na alegria concreta da festa. As festas dos santos, os aniversários, as pequenas conquistas devem ser celebradas com simplicidade, mas sempre renovando a satisfação de viver. Confraternização e convivência são necessidades vitais tanto quanto a alimentação e o ar que respiramos. Voltei para casa naquela noite com uma certeza: o mundo tem jeito, os maus não prevalecerão enquanto houver pessoa como o diácono Miguel, que se tornou um patriarca cuidando da sua família, hoje já enriquecida com bisnetos. Homem de comunidade, que constrói pontes entre as pessoas. Homem de oração, da linhagem dos justos tementes a Deus. Homem de sorriso largo, que gosta de fazer festa e que nos juntou a todos no louvor e na ação de graças



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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