Arquidiocese de Manaus
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Corpus Christi reúne mais de 20mil fiéis em missa campal e procissão pelas ruas do centro de Manaus

Com o tema, “Com a Eucaristia somos sal da terra e luz do mundo!” a solenidade de Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo, realizado na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade), reuniu fiéis dos quatro cantos de Manaus, que durante todo o dia de hoje (31/5), participaram de uma vasta programação, iniciando logo pela manhã, com duas missas na Catedral, uma às 7h30 e outra as 10h. Mas, o ápice do evento mesmo aconteceu no período vespertino, com a missa campal, procissão, adoração e bênção do Santíssimo Sacramento no altar montado na Av. Eduardo Ribeiro esquina com Sete de Setembro, centro da cidade, tudo com cobertura total e transmissão ao vivo pela rádio Rio Mar 103,5MHz.

No comando da solenidade estava. Dom Sergio Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus e aniversariante do dia, que presidiu a missa campal, ao lado do bispo auxiliar, Dom Tadeu Canavarros; do bispo emérito, Dom Mário Pasqualotto, além de Monsenhor Sabino Andrade e outros padres, diáconos e seminaristas presentes. Do outro lado do altar, os fiéis de todas as idades, aos poucos iam tomando conta da Av. Eduardo Ribeiro, se acomodando da melhor forma possível e, nem mesmo o forte sol e a ausência de transporte coletivo, foi empecilho para deixar de participar da celebração que começou as 16h, com o povo cantando e louvando a Deus com muita alegria e emoção, principalmente no momento da comunhão, quando padres e diáconos desceram do altar para levar a hóstia santa aos fiéis que faziam fila para recebe-la.

Ao fim do evangelho proclamado pelo diácono Francisco Andrade, Dom Sergio iniciou a homilia e, entre outras coisas, salientou que fé na eucaristia nos iguala a todos e nos ajuda a ser sal da Terra e luz do Mundo. “Diante da hóstia consagrada, somos todos adoradores, por isso, aproximemo-nos da Eucaristia para sermos sal da terra, recusando-nos a entrar no caminho da violência, superando o desejo de vingança pelo perdão e não nos deixando corromper e nem corrompendo quando se trata do bem comum, acreditando no outro e não destruindo o seu bom nome. Assim, seremos luz para o mundo se formos alegres e felizes na vivência da nossa fé, uma fé operante e transformadora, dessa forma, seremos sal e luz na Igreja e no mundo”, comentou o arcebispo.

Após a celebração, começou outro momento muito aguardado, quando Dom Sergio caminhou com a hóstia consagrada no ostensório até o veículo que o conduziu durante uma parte da procissão e, ao longo do percurso, outros presbíteros iam se revezando diante do Santíssimo, entre eles: Dom Tadeu, Pe. Ricardo Pontes e Pe. Leonardo dos Santos. Enquanto isso, em cima do carro de som, Pe. Zenildo Lima e Frei Paulo Xavier, iam animando a multidão de fiéis que percorreram, cantando e rezando, as principais vias do centro da cidade, como a Av. Sete de Setembro, Av. Joaquim Nabuco, Dez de Julho, retornando para a Av. Eduardo Ribeiro até o palco/altar, onde Dom Sergio finalizou a celebração com a Adoração do Santíssimo Sacramento, seguida da benção solene e é claro, os parabéns ao aniversariante que completou 64 anos de vida.

O Corpo de Cristo

A solenidade de Corpus Christi é um ato de fé, onde agradecemos ao Pai, por nos ter dado Seu Filho, que se tornou alimento da nossa Salvação fazendo memória das inúmeras refeições de Cristo com seus discípulos e por essa razão, nós somos todos convocados a nos comprometer com a sua vida, dada com amor até a morte. E não há dúvidas que, o momento da Adoração do Santíssimo foi realmente muito marcante e emocionante, e junto da benção solene, encerrou com chave de ouro o evento, arrancando lágrimas e elogios dos fiéis católicos que, mesmo com todas as dificuldades, vieram e participaram.

“A missa é o ápice, onde temos a presença de Jesus e isso é tudo na nossa vida, tanto é que mesmo com a falta de ônibus, o povo não deixou de vir prestigiar Àquele que é a razão de tudo. A procissão, tendo à frente o Santíssimo Sacramento do altar, nos marca, por que nos lembra Jesus caminhando com o povo e isso já nos emociona e, o momento da Adoração, com a presença de Jesus Eucarístico é um dos mais importantes, pois a adoração, a oração e ladainha reforça a nossa fé”, disse dona Graça Gomes, da Comunidade Católica Hallel e também pertencente à Comunidade Sagrado Coração de Jesus, da Paróquia N. Sra. Rainha dos Apóstolos – conjunto Dom Pedro, Setor Alvorada.

Valentes adoradores

Mesmo com 100% da frota de ônibus parada, as pessoas foram chegando na Avenida Eduardo Ribeiro, por meio de caronas, linhas alternativas ou até mesmo pelos aplicativos de transporte particular. O público não foi como o esperado, mas quem não foi, pôde acompanhar a transmissão de toda a programação pelas ondas da Rádio Rio Mar FM 103, 5 e pela Castanho FM 103,3. Segundo dados da Polícia Militar (PM), 20 mil fiéis estavam presentes no evento, mas vendo o mar de gente que caminhava junto ao Santíssimo, a sensação era que tinha muito mais fiéis.

Para padre Hudson Ribeiro, pároco da Catedral Metropolitana de Manaus, mesmo com a greve dos rodoviários, o público respondeu bem ao chamado e se fez presente para participar dessa festa tão importante da igreja católica. “Quantificar o número exato de pessoas que participaram hoje aqui nós não podemos, pois sabemos que o povo depende do transporte público e isso causa uma interferência direta na participação, por outro lado, as pessoas deram um jeito de chegarem, se organizaram para pegar carona por meio da mobilização que fizemos nas redes sociais e isso mostra que, quando a fé do povo é provada, eles dão um jeito de poderem responder à altura, mostrando que são um povo valente, que não deixa nada abater a sua fé”, disse.  

A origem da solenidade de Corpus Christi

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. O papa Urbano IV, na época o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège, na Bélgica, recebeu o segredo da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Por volta de 1264, em uma cidade próxima a Orvieto (onde o já então papa Urbano IV tinha sua corte), chamada Bolsena, ocorreu o Milagre de Bolsena, em que um sacerdote celebrante da Santa Missa, no momento de partir a Sagrada Hóstia, teria visto sair dela sangue, que empapou o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa).

O papa determinou que os objetos milagrosos fossem trazidos para Orvieto em grande procissão em 19 de junho de 1264, sendo recebidos solenemente por Sua Santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico de que se tem notícia. A festa de Corpus Christi foi oficialmente instituída por Urbano IV com a publicação da bula Transiturus em 8 de setembro de 1264, para ser celebrada na quinta-feira depois da oitava de Pentecostes, ou seja, 60 dias após a Páscoa, podendo cair, assim, entre as datas de 21 de maio e 24 de junho. A procissão surgiu em Colônia (Alemanha) e depois difundiu-se na França e na Itália. Em Roma, é encontrada desde 1350.

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Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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